sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A boneca maldita- Raquel e William - 1ºD


     Numa cidadezinha do interior da Inglaterra bem próxima de Londres, vivia uma bela garotinha chamada Ângela. Certo dia, foi descoberto que ela sofria de uma doença degenerativa que, gradualmente, alteraria bruscamente a seu corpo, o que a tornou uma menina de pele opaca e de aparência apodrecida. Os poucos cabelos que lhe restaram já não eram tão lindos como foram outrora, se tornaram totalmente sem brilho.

     Seu pai, homem bondoso que criava sua Ângela sozinha desde que a mãe dela morrera, por nome Leonardo, não sabia mais o que fazer para deixar a filha contente. O senhor de idade resolveu então dar-lhe um presente, confeccionou uma boneca de porcelana idêntica à filha quando era saudável. Ângela, por sua vez, ficou mais triste ainda, o presente que seu pai lhe dera com tanto carinho apenas servia para lembra-la de quão feia ela era.

     Apesar de tudo, Ângela insistia em frequentar a escola e em não deixar de sair nas ruas, para alegria dos valentões e crianças malvadas da vizinhança. Chamavam-lhe de monstro, aberração, chegaram a jogar-lhe pedras na face. O tempo passou, a garota cresceu e se tornou uma adolescente fechada em sua própria casa, a imensa tristeza que sentia na infância se transformou em ódio e sede de vingança. Aqueles malditos iriam pagar, ah, iam sim.

     Em questão de alguns meses, a doença chegou a um estado crítico e levou a jovem à morte. Mas seu espírito não descansaria em paz antes de dar fim a cada um que tornou a sua vida um inferno. Não esperou nem mesmo algumas horas para pôr em ação seus planos malditos. Ângela, quando viva, costumava deliciar-se imaginando como seria a morte de todos os colegas e vizinhos que zombaram dela, e agora, ela podia ser a autora dessas mortes. Nunca se esqueceu do nome de nenhum deles.

     O primeiro alvo era Helena, jovem ruiva e sardenta. Sua morte foi a menos brutal, enquanto dormia. Sombras de mãos envolveram seu corpo e a sufocaram. Mesmo em sonhos, ela teve total consciência de que Ângela viera lhe buscar, pois se viu dormindo abraçada a uma boneca de porcelana cheia de cicatrizes, poucos cabelos e pele fosca.

    Uma morte não seria suficiente par satisfazer a alma errante de Ângela. Foi atrás da segunda vítima. Não, nenhum deles merecia ser chamado de vítima, a única vítima era ela. Será que estava sendo má demais? Não, é claro que não. Eles mereciam pagar por tudo.

     Vagou até a casa de Mike. Este não teve a sorte de estar dormindo, estava muito bem acordado e entrou em pânico ao ver a imagem daquela boneca horrenda. Lembrava-lhe alguém, mas quem? Quem? Como se chamava mesmo? Correu da visagem que se aproximava perigosamente dele, mas foi em vão. As sombras de mãos levantaram o rapazola pelos braços e ele pode sentir a presença de um rosto pertíssimo do seu. Foi aí que ouviu um grito rouco e cheio de cólera bem na sua cara:

          - O nome é Ângela! E “aberração” é a sua mãe, filho da puta!

     Então teve a cabeça decepada e o cérebro esmagado. O irmãozinho do jovem tinha acordado com o barulho dos passos de Mike, saiu do seu quarto e, no corredor topou com o corpo no chão, o que o deixou paralisado. Ângela desculpou-se, agora com a voz baixa e doce:

          - Você não estava nos meus planos, mas não posso deixar testemunhas. Sinto muito.

     As sombras envolveram o garotinho, que já não sentia medo. As mãos do além envolveram seu pescoço num movimento busco e preciso, dando-lhe uma morte rápida.

     Havia ainda duas casas para serem visitadas: a de Lucrécia e Yon, os líderes da “operação” da qual Ângela saiu com o nariz escorrendo sangue e quebrado: quando levou pedradas no rosto. Tudo porque o casal mais popular do colégio descobriu que Ângela mantinha uma paixão secreta por Yon, e não desperdiçaram a ocasião para humilhá-la, e ainda ameaçaram queimá-la viva caso os denunciassem. Vingança tarda mais não falha, chegou a vez deles.

     Não precisou ir a duas casas, encontrou os pombinhos juntos na casa de Yon, num momento quente no quarto do jovem. Dessa vez as sombras não trabalharam, todo o ódio de Ângela transformou em um fogo ardente que consumiu os corpos deles restando apenas cinzas. Tiveram uma morte lenta e dolorosa, precedida pela visão da boneca maldita.

     Totalmente saciado, o espírito voltou à sua casa e encontrou um homem dormindo. Era Leonardo. Como ela amava aquele senhor de idade! O único de quem recebeu carinho a vida inteira. Deu-lhe um beijo na testa e se foi. Pra nunca mais voltar. Ou não.

    Até os dias de hoje conta-se essa história em toda Inglaterra. A polícia nunca conseguiu explicar o acontecido, que continua sendo um mistério. E também é um mistério as visões horrorosas que as crianças têm toda noite de sexta-feira 13 de sombras de mãos e de uma boneca de porcelana muito feia.

     E você, leitor azarento, que pesquisou essa história ou a encontrou por acaso, sinto lhe dizer que a Ângela nunca deixa testemunhas... Ela não poupou um garotinho, o que acha que ela vai fazer com você, agora que sabe de tudo? Tenho certeza que ela abrirá uma exceção resolverá agir mesmo não sendo uma sexta-feira 13.

Nenhum comentário:

Postar um comentário