sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sexta-Feira 13 e O Mistério da Torre-Jessielle, Yonah, Nadyne e Gabrielle- 1ºD


Minha vida foi a morte até o renascer.

              Faz trinta anos que tento me liberta dessa maldição que me prende a esse inferno que é a minha morte. A minha vida foi muito breve. Porque fui àquela maldita torre? Era uma sexta-feira 13 e sempre ouvi as lendas sobre aquele lugar, mas era inquietante a tal curiosidade, foi ela que me atraiu. Ela precisava de alguém, mas porque eu? Eu era novo de mais, ela sumiu com meu corpo, morto e conservado. Sei que esta nessa torre, mas onde?  Talvez isso me liberte talvez isso seja a chave para me salvar: achar meu corpo para ser dono da minha alma.

            Contudo, ainda tenho uma única diversão, na verdade sofria com isso, o fato das pessoas terem medo de mim, mas depois me acostumei e comecei a rir da desgraça dos outros, a cara de pânico às vezes me assusta e me deprimo com minhas próprias brincadeiras, tenho pena dos meus brinquedos, os vivos, pois um dia já fui assim frágil, mortal e livre, e me esqueço da minha condição triste de um preso a céu aberto, de um preso de uma cadeia sem muros, preso em alguém.  Nessa solidão eu fico procurando me encontrar nos espaços vazios. Tenho culpa também e por isso sofro.

           Nessa noite sombria, sozinho nessa torre, procurei em todas as minhas coisas velhas, perdidas ao tempo, algumas fotos minhas de quando era vivo. Achei a foto que foi tirada dois dias antes da minha morte, nós estávamos abraçados: melhores amigos. Foi mais dolorosa a traição do que as facadas, hoje ela é uma menina, mas já foi uma mulher, uma das mais doces que já conheci, e a mais falsa também. Para falar a verdade nem sei o que é aquilo, uma coisa que vaga de corpo em corpo possuindo-os, quando me matou estava no corpo de uma jovem na mesma idade que eu, na época tínhamos dezessete anos, pelo menos eu tinha, já ela não sei, mas o que eu achei mais estranho foi ela ter me matado, mas não usou meu corpo como se me quisesse para outra coisa. Volta e meia a vejo falando sozinha, diz que está chegando a hora, tenho medo, não dela, porque isso já perdi faz tempo, mas do que ela vai fazer. Quanto mais o tempo vai passando percebo que ela necessita trocar de corpo mais rapidamente, pois ela suga todas as forças vitais e em um ano uma mulher de vinte anos já tem forma, força e saúde de uma de oitenta, mas ultimamente em quinze dias já fez todo esse estrago e parece estar cada dia mais forte, tem vezes que a encontro trancada na torre falando sozinha em frente a algo que ela protege com bruxarias e feitiços muito poderosos. Será que meu corpo estava ali? Ela usa uma chave e palavras para abrir. Sinto que ali dentro está o segredo.

            Após algum tempo ela chegou para mim muito séria, ainda estava na forma de uma menina, muito branca de roupas negras, uma faixa no pescoço e com feridas escritas em todo o corpo, não dava para ler o que estava escrito por estar toda suja de sangue, e com um sorriso irônico e amedrontador me disse com calma e prazer:

¾     Chegou o dia, o tão esperado dia.

¾     Dia de quê?  - Disse eu já apavorado

¾     De começar os rituais, pois hoje faz exatamente 11000 dias que você... ou  melhor que eu te  matei – O gosto como ela falou que me matou era surpreendente – Vamos, está esperando o quê?

¾     Vamos aonde?

¾     Deixe de perguntas e ande.

Como um cachorro amarrado fui não tinha como fugir, então, pela primeira vez após tanto tempo eu vi meu corpo, corri para tocá-lo e ela nem tentou me impedir:

¾     Não é isso que vai te liberta de mim, pelo contrario, é isso que nos liga. Nós precisávamos de um corpo e você foi o escolhido, era quem nós procurávamos.

¾     Nós? Nós quem? E porque me procuravam?

¾     Nós, eu e o espelho, eu mesma te contei essa lenda quando éramos amiguinhos, o espelho da vida, o possuidor de almas, o duque das trevas, que de tempos em tempos recruta alguém com uma alma pecadora, má e que goste de fazer o mal. Ele sabia que eu era perfeita para isso e minha missão era encontra uma pessoa ingênua, besta, de alma boa, e que resistisse a minha encarnação vaguei dezesseis anos atrás de você.

 

O meu pavor corria como sangue, estranho um espirito fazer isso, sentir como se tivesse sangue em suas veias, mas eu sentia meu corpo como se estivesse assim, sentia o frio e a dor de todas as facadas de trinta anos atrás.

 

¾     Mas o que meu corpo tem a ver com isso?  - Respondi

¾     Mais perguntas! O corpo é a melhor forma de chegar a uma alma e ele sempre guarda um pouco de sua essência espiritual, má ou boa, e após tanto tempo vagando nessa forma aprendendo o prazer em ver a dor dos outros, em assustar, em apavorar, você está pronto, pois seu ódio por mim e sua diversãozinha amaldiçoam sua alma, e só a uma forma de te matar por completo, te matar em partes primeiro a alma com um ritual de feitiçarias negras e depois seu corpo decapitando-o e queimando sua cabeça e por último juntar seus restos, de corpo e alma, e sugar por completo sua essência.

¾     Burrice sua achar que eu era uma pessoa tão boa e que vou esperar você me matar.

 

Tentei fugir o mais rápido possível, mas estava preso, imóvel, sem saídas.

¾     Você acha que foi escolhido só por ser bonzinho? Você é um dos demônios que fugiram do submundo, por serem corretos demais e não conseguirem completar suas missões. Agora se lembra?

¾     Não sou nenhum demônio! Nasci, cresci e morri como um ser humano... – Recrutei

¾     Não tente me enganar, não sou idiota – Respondeu a menina, rispidamente.

Do nada saiu do espelho um homem. Seu reflexo era de um ser parecido com um homem muito deformado e assustador, olhos pretos cobertos de sangue e quando ela se aproximou dele seu reflexo era menos assustador, e do nada uma voz forte como um trovão soou no ar:

¾     Cadê o seu escolhido?

¾     É este – disse ela com a voz oprimida, bem diferente da que usava para falar comigo, tinha um tom de medo e respeito muito grande.

¾     Fique em frente a esse espelho – ordenou com muita fúria.

Meu reflexo era muito diferente do deles, era um reflexo de anjo. Bonito, de roupas claras, mas asas negras como uma mistura do bem com o mal, quando de repente  aquele homem que era até apresentável, foi se transformando na criatura que tinha visto no espelho ,estava mais furioso que antes :

¾     Como você pode cometer um erro desses?

¾     Mas que erro? – disse a menina, sem entender.

¾     De trazer um anjo expulso ao em vez de um demônio. Por pior que o seja ele ainda é um anjo e já tinha uma alma boa, com sua burrice conseguiu se enganar, sua idiota! Não poderia ter feito escolha pior, perder 46 anos para ter um anjo preso a mim. E você – voltou-se para mim com olhar extremamente enraivecido – porque não disse ser um anjo? – naquele momento ela estava pálida e tinha cara de dor talvez ele estivesse fazendo-a sentir aquilo, por mais que eu não gostasse dela era de dar dó.

¾      Porque não sabia! – respondi – e não sou um anjo, eu era uma pessoa.

¾     Cada hora eu me surpreendo mais com você – voltou-se novamente para a menina – Nem um anjo expulso ele é, é um anjo guardado para o futuro e para ajudar os que vêm, por isso ele não se lembra de nada.

¾     Mas o senhor não me disse nada sobre isso. – Disse ela

¾     E precisava dizer eu pedi um demônio e pensei que não precisaria dizer que um anjo e um demônio são diferentes.

¾     Mas... – aquele espírito escondido num rostinho de menina tentava concertar o erro fatal que cometeu.

¾     Deixe de “mas” eu não sei o que vou fazer com você, mas se prepare. Agora vou resolver outro assunto. – ele foi em direção ao espelho já parecia ir embora

¾     Espere, e eu? – gritei

¾     Você? O que tenho a ver com você? – ele parecia tentar fugir

¾     O que sou eu? E como me liberto?

¾     Você foi uma das maiores besteiras que alguém já criou. A mistura de anjo com demônio.

¾     Mas como me liberto?

¾     Volte a seu corpo durma e tudo voltara a ser como era antes.

¾     Mas eu não quero que seja como era, quero assumir a minha verdadeira forma, a que vi no espelho, porque se sua forma é essa, a minha é aquela que vi, e pela sua cara sou superior a você.

¾     O que você quer?

¾     Que ela suma e que eu tome meu lugar.

¾     Mas para isso você tem que escolher entre o bem e o mal.

¾     Primeiro quero o mal depois descubro como assumir o bem – ele tinha mais medo de mim do que eu já tive durante toda a minha existência, chegou a ser cômico, era prazeroso o sofrimento dele – Então? Ande! Me de meu poder – do nada uma força surpreendente me tomou e meu corpo que estava deitado em uma mesa sumiu e eu tinha a forma igual àquela vista no espelho.

 

O mal começou a me possuir, era algo muito forte. Minha voz saiu como um grito grave e no mesmo instante uma fumaça densa e um clarão tomaram todo o lugar. Quando o ar estava mais limpo eles haviam sumido, havia apenas o corpo dela, mas sua alma já não estava mais lá. Dele tinha apenas um reflexo no espelho que me olhava. Com uma fúria incontrolável fui em direção ao espelho e o quebrei enquanto ele gritava desesperadamente, me acalmei e desejei jamais ter existido, pois me sentia igual a ele, sem essência, sem vida.

 

Então meu corpo estava novamente ali, todo sujo, frio e mortal. Então me deitei sobre ele e quando acordei eu tinha voltado no tempo horas antes da minha morte e da mesma forma aquela jovem me chamou com um jeito suave e hipnotizador, era quase irresistível não ir com ela, mas dessa vez eu estava preparado, fui até a torre e antes que ela pudesse me atacar a empurrei para dentro de espelho. Ao se chocar com ele uma sombra negra saiu do corpo dela e penetrou o espelho e ficou apenas a menina que eu conhecia e era apaixonado. Não se lembrava de nada do que tinha acontecido nos últimos tempos com ela, mas lembrava de mim e do nosso amor. Aprendi a controlar os meus dons, uso mais o bem, mas quando é necessário se dar alguma lição o mal é bem vindo, também não o uso para besteiras, apenas quando a há almas más e poderosas que podem prejudicar alguém, assim como o duque das trevas que mexeu com a pessoa errada.

 

E por ter essa história digo: que minha vida foi a morte o renascer!

 

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