quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A Procura - Antônio Neto - 1º ano A

O dia já estava muito ruim, antes do homem elegante chegar. Iria naquela manhã a delegacia para checar os documentos para garantir minha aposentadoria. Ao entrar na administração vi meu velho amigo e companheiro Francisco dos Santos.
-Ora essa - Disse o rapaz- Meu velho companheiro aqui! Venha aqui seu gordo bêbado.
"Ele não mudou nada", pensei. O jovem que a dez anos atrás, havia sido meu companheiro e aprendiz estava agora em minha frente, mas agora, era chefe do departamento de investigação Estadual.
O rapaz ainda possuía os cabelos castanhos e olhos da mesmo cor, e possuía traços faciais agradáveis.Logo entramos na sala dele para manter as conversas em dia.
-A quanto tempo meu velho amigo !- falei- Vocês da polícia acham que eu sobrevivo com aquela merreca de aposentaria. O velho Dorisgleison Silva aqui gosta de manter um poucos de luxo.
-Meu caro você acha assim que estamos com os bolsos cheios da grana ! A droga do governo estadual cortou a malditas verbas para o departamento.
Um frio na barriga me atingiu com força " E como eu vou me segurar agora ". As coisas estavam muito difíceis para mim , a mulher acho de me deixar quando me aposentei levando a casa e deixando apenas um pensão enorme para que eu pagasse. Fui forçado a fazer um empréstimo ao banco e agora estou atolado nas dividas.
De repente um homem de terno e gravata ar de superioridade entrou de supetão na sala e logo atrás vinha uma das secretárias tentando, inutilmente, impedi-lo.
- Senhor Francisco, exijo falar com o senhor imediatamente- falou rapidamente o homem. Ele devia ter cerca de cinquenta anos , com cabelos grisalhos cortados em estilo militar.O jovem chefe de departamento levantou com rapidez.
- Senhor Paulo- falou assustado - Não esperava um visita com o senhor hoje. O que ocorreu ? Assaltaram algum dos encarregamentos de sua companhia ?
Agora sim reconheci o homem que havia acabado de entrar, eu mesmo já havia resolvido várias investigações pra ele. Paulo César Pigossi, um dos homens mais ricos do Brasil. Todas as manhãs lia notícias no jornal sobre o sucesso de sua companhia petroquímica a OLXB, umas das maiores refinadoras de petróleo do mundo.
-Pior- gritou o bilionário- Sequestraram meu filho ! Roubaram o PC Júnior de mim !
Após o depoimento formal dado a polícia Francisco foi comigo até o um local onde poderíamos conversar mais a vontade.
-Estão cobrando 500 mil pelo resgate do menino- disse o jovem investigador- O menino é um gênio, com apenas 12 anos já está fazendo mestrado em física na universidade de Harvard. Vale cada centavo do meio milhão de dólares exigidos.
- Uau!- falei, "Tão jovem e já tão importante"- Eles deixaram alguma informação ?
- Sim, um carta escrita em recortes de jornal dizendo para deixar o dinheiro em uma mala em uma estação ferroviária no subúrbio da cidade, e que se o dinheiro não for entregue o menino será morto. Nem adianta falar das digitais, mandei ao laboratório e não deixaram um digital para trás.
- Não são sequestradores comuns. Terá que tomar muito cuidado nesta investigação meu amigo.- falei.
- Quero você no caso.-falou Francisco com rigidez.
- O que ?- Senti algo na boca do estômago, algo que não sentia a anos.- Já estou aposentado filho !
- Mas continua sendo um dos melhores detetives que há em todo o Brasil, além disso o Departamento poderia te dar uma boa comissão por sua ajuda na investigação
-Estou dentro.- disse com rapidez.
Depois de horas no trânsito chegaram a estação de metro marcada pro pagamento do resgate. Viram uma decadente lojas de doces e logo bateram em na porta. Uma mulher estranha de cabelos grisalhos apareceu. Ela devia ter cerca de sessenta anos e tinha um trufa de chocolate em uma das mãos e a boca melada de caramelo e chocolata, se isso fosse um hábito explicaria a enorme barriga mole.
- Não estão aqui para ter um previsão do futuro não é ?- falou a mulher assustada.
Ao longo da interrogação que se seguiu a senhora, de nome Fátima Zoraide, falou que não havia percebido nada de estranho  e que não sabia nada do sequestrado de PC Júnior.
Saímos logo do local, já sabíamos que não iriamos encontrar nada no local, e aquela mulher parecia mas perdida do que nós.
- Melhor desistirmos - falou Francisco.
- O que nós nem começamos, a vida do menino está em risco ! - falei.
- O pai do menino pode pagar vinte vezes o valor do resgate se quiser ! O menino não corre perigo nenhum!- o meu velho companheiro falou de um forma selvagem que eu mau o reconheci.
Eu concordei fui logo atrás dele para o carro, mas não iria desistir assim tão fácil. Cheguei perto de um poste de luz quebrado e peguei minha câmera antiga usada para observar locais durantes vários dia se preciso. Deixei a câmera bem em um buraco no poste onde teria vista a toda área da estação.
Ao chegar no carro Francisco perguntou o que eu estava fazendo, simplesmente disse que estava admirando a paisagem.
No outro dia o resgate foi pago e tudo ocorreu como os conformes. PC Júnior foi encontrado na em frente a mansão do pai ileso, apenas assuntado. O menino disse que não havia visto o seu sequestrador e que era apenas mantido em um quarto fechado.
Mas o caso ainda não estava fechado, o pai do menino ainda queria explicações sobre a investigação mau feita e a perda de 500 mil dólares. Francisco foi dando desculpas por falta de tempo e provas podendo causar riscos ao menino se tivessem insistido na investigação.
- Senhor eu acho eu posso te mostrar que sua vinda a polícia não foi em vão.- falei - Eu deixei uma câmera no local do pagamento do resgate- Francisco se levantou bruscamente.
- O que, você fez isso se a minha autorização !- gritou com a face vermelha de raiva- Você não poderia ter feito isso.
- Sim mas não poderia ter deixado a investigação terminar desse jeito!
 Conectei a câmera na televisão do escritório e a gravação começou. No início nada aconteceu, mas logo pareceu o senhor Pigossi deixando o dinheiro no local do resgate e pegando o trem das 11:30 como o combinado. Após alguns minutos apareceu um homem, ele estava de boné e casaco, mas ainda assim poderia perceber seus cabelos castanhos.
Como todos presente na sala olhei pra Francisco com um olhar perplexo. Ele era o sequestrador o tempo todo
- Prendam este homem! - falou o senhor Pigossi, fazendo dois agentes do Departamento avançar sobre do próprio chefe algemando suas mãos.
 -Por que ?- falei, ainda não acreditando no que acabei de ver. Francisco se debatia nos braços dos outros agentes.
- Você acha que eu quero passar o resto da minha vida com essa infelicidade que se chama trabalho, eu quero ser rico ! Mas você seu velho bêbado atrapalhou tudo ! Eu te odeio ! EU TE ODEIO !
Ao voltar para casa não parava e pensar o que aquele doce jovem que anteriormente foi seu aprendiz se transformou em um monstro sedento por dinheiro. No final das contas Francisco foi levado preso e Paulo César abriu um processo contra ele.Me arrumei para a cama assuntado pelas revelações do dia.

-É - falei após deitar- O dinheiro muda as pessoas.- fechei os olho e adormeci.

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