quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O Sequestro de P.C. Júnior - : Lara Almeida Barbosa - 1º ano A

Enquanto bebia minha cerveja , deitado na poltrona com os pés na mesa de centro , o telefone de repente tocou e fui rapidamente atender , afinal a muito tempo que meu telefone não tocava a não ser aquelas mulheres do cartão de crédito cobrando o pagamento . Era o pai de um tal d P.C. Júnior , bastante agitado e nervoso falando alguma coisa de sequestro que não entendi direito , pedindo para que eu me encontrasse com ele num bar da esquina 11 daqui a uns 40 minutos . depois que desligamos o telefone fiquei surpreso e perplexo , afinal , havia algum tempo que já estava aposentado e ainda com um processo de assassinato arquivado . Passaram-se os 40 minutos e fui ao encontro do tal pai de P.C. Júnior , com meu paletó empoeirado e minha pasta com papeis de 5 anos atrás . Chegando lá o reconheci rapidamente , com um copo de café bastante forte e sem açúcar , em pé andando de um lado para o outro . Cheguei e me apresentei formalmente : - Prazer senhor , Dorisgleison Silva ! – ele parou e logo mandou eu me sentar . Começou a me contar o caso de seu filho , que foi sequestrado quando ia ou vinha da escola , e que deveria colocar 500 mil atrás da banca de jornal da estação de trem de uma tal de Fátima Zoráide , que se bem me lembro ,  vivia comendo bombons e se achava vidente quando não tinha o que fazer .
  Quando o pai do garoto terminou de explicar o ocorrido , peguei o seu numero de telefone e a primeira coisa que fiz foi ir a aquela tal banca de revistas da estação de trem . Chegando lá , logo me deparei com Fátima Zoráide , comendo bombons baratos , como sempre , com uma flor no cabelo de loja de bunjingangas e sentada num banquinho de plástico , fumante por sinal , pois estava com um cinzeiro com um cigarro recém- fumado e com a aparência de ter lá seus 50 anos . Como de costume me aproximei e me apresentei formalmente : - Boa Tarde , meu nome é Dorisgleison Silva e sou investigador profissional do caso P.C. Júnior ! – ela me olhou e com um sorriso amarelado respondeu : - Em que posso ajudar ? – expliquei o caso do sequestro do menino quando estava vindo da escola e tentei entender o porque dos bandidos terem escolhido aquele lugar , mas não tinha nenhuma informação útil para solucionar o caso e resgatar o garoto . Partir para o plano B , plano esse que se resumia em “ colocar uma mala com dinheiro falso em uma mala atrás da banca de revistas e esperar os bandidos , quando eles chegassem a polícia que estaria escondida os surpreenderiam pegando o menino e prendendo os acusados “ . Não tinha como dá errado , sempre via isso acontecer nos filmes . Liguei para o pai de P.C. para informa-lo do plano , e ele logo concordou , avisei a polícia e acertei todos os detalhes e além de falar com Fátima Zoráide claro , antes que ela estragasse tudo .
  Quando chegou a hora do plano entrar em prática , todos ficamos muito ansiosos para saber que seriam os bandidos e se o menino estaria bem , não imaginávamos que um imprevisto iria acontecer . Hás 22 horas em ponto , dois indivíduos  de touca preta cada um , casaco e aparentemente baixos , apareceram em uma moto e foram em direção a mala com o suposto “500 mil dólares” , e em menos que eles esperassem os policiais que estavam escondidos os algemaram . Nesse momento todos se reuniram em volta dos dois na expectativa de identificar os bandidos e quando os policiais tiraram a touca todos se surpreenderam ... um deles era P.C. Júnior ! O tão menino prodígio que com 12 anos o pai achava que valia cada centavo do meio milhão de dólares , estava naquele instante tentando roubar o mesmo .
  O pai entrou em desespero , todos os olhares se voltaram para ele , olhares de pena por sinal , - Coitado ! – pensei . Após todos ficarem perplexos . A policia os levou para a delegacia , encaminhou P.C. Júnior para o juizado de menores e o outro rapaz ( maior de idade ) para a prisão . Ainda sem acreditar , o pai do menino estava sentado no chão com a cabeça baixa , esperando talvez uma palavra de consolo ou tentando de uma vez por todas entender que o seu filho não era o que acreditava ser e sim um “ladrãozinho” . Me aproximei e disse : - Lamento pelo acontecido , mas pense pelo lado bom , pelo menos o senhor não deu os 500 mil dólares ! – e com um sorriso meia boca ele me olhou , me deu duas notas de 100 e saiu . Desse dia pra cá nunca mais fiz nenhum serviço tão emocionante quanto aquele , quer dizer , nunca mais fiz nenhum serviço .


Nenhum comentário:

Postar um comentário