Enquanto bebia minha cerveja ,
deitado na poltrona com os pés na mesa de centro , o telefone de repente tocou
e fui rapidamente atender , afinal a muito tempo que meu telefone não tocava a
não ser aquelas mulheres do cartão de crédito cobrando o pagamento . Era o pai
de um tal d P.C. Júnior , bastante agitado e nervoso falando alguma coisa de
sequestro que não entendi direito , pedindo para que eu me encontrasse com ele
num bar da esquina 11 daqui a uns 40 minutos . depois que desligamos o telefone
fiquei surpreso e perplexo , afinal , havia algum tempo que já estava
aposentado e ainda com um processo de assassinato arquivado . Passaram-se os 40
minutos e fui ao encontro do tal pai de P.C. Júnior , com meu paletó empoeirado
e minha pasta com papeis de 5 anos atrás . Chegando lá o reconheci rapidamente
, com um copo de café bastante forte e sem açúcar , em pé andando de um lado
para o outro . Cheguei e me apresentei formalmente : - Prazer senhor ,
Dorisgleison Silva ! – ele parou e logo mandou eu me sentar . Começou a me
contar o caso de seu filho , que foi sequestrado quando ia ou vinha da escola ,
e que deveria colocar 500 mil atrás da banca de jornal da estação de trem de
uma tal de Fátima Zoráide , que se bem me lembro , vivia comendo bombons e se achava vidente
quando não tinha o que fazer .
Quando o pai do garoto terminou de explicar o
ocorrido , peguei o seu numero de telefone e a primeira coisa que fiz foi ir a
aquela tal banca de revistas da estação de trem . Chegando lá , logo me deparei
com Fátima Zoráide , comendo bombons baratos , como sempre , com uma flor no
cabelo de loja de bunjingangas e sentada num banquinho de plástico , fumante
por sinal , pois estava com um cinzeiro com um cigarro recém- fumado e com a
aparência de ter lá seus 50 anos . Como de costume me aproximei e me apresentei
formalmente : - Boa Tarde , meu nome é Dorisgleison Silva e sou investigador
profissional do caso P.C. Júnior ! – ela me olhou e com um sorriso amarelado
respondeu : - Em que posso ajudar ? – expliquei o caso do sequestro do menino
quando estava vindo da escola e tentei entender o porque dos bandidos terem
escolhido aquele lugar , mas não tinha nenhuma informação útil para solucionar
o caso e resgatar o garoto . Partir para o plano B , plano esse que se resumia
em “ colocar uma mala com dinheiro falso em uma mala atrás da banca de revistas
e esperar os bandidos , quando eles chegassem a polícia que estaria escondida
os surpreenderiam pegando o menino e prendendo os acusados “ . Não tinha como
dá errado , sempre via isso acontecer nos filmes . Liguei para o pai de P.C.
para informa-lo do plano , e ele logo concordou , avisei a polícia e acertei
todos os detalhes e além de falar com Fátima Zoráide claro , antes que ela
estragasse tudo .
Quando chegou a hora do plano entrar em
prática , todos ficamos muito ansiosos para saber que seriam os bandidos e se o
menino estaria bem , não imaginávamos que um imprevisto iria acontecer . Hás 22
horas em ponto , dois indivíduos de
touca preta cada um , casaco e aparentemente baixos , apareceram em uma moto e
foram em direção a mala com o suposto “500 mil dólares” , e em menos que eles
esperassem os policiais que estavam escondidos os algemaram . Nesse momento
todos se reuniram em volta dos dois na expectativa de identificar os bandidos e
quando os policiais tiraram a touca todos se surpreenderam ... um deles era
P.C. Júnior ! O tão menino prodígio que com 12 anos o pai achava que valia cada
centavo do meio milhão de dólares , estava naquele instante tentando roubar o
mesmo .
O pai entrou em desespero , todos os olhares
se voltaram para ele , olhares de pena por sinal , - Coitado ! – pensei . Após
todos ficarem perplexos . A policia os levou para a delegacia , encaminhou P.C.
Júnior para o juizado de menores e o outro rapaz ( maior de idade ) para a
prisão . Ainda sem acreditar , o pai do menino estava sentado no chão com a
cabeça baixa , esperando talvez uma palavra de consolo ou tentando de uma vez
por todas entender que o seu filho não era o que acreditava ser e sim um
“ladrãozinho” . Me aproximei e disse : - Lamento pelo acontecido , mas pense
pelo lado bom , pelo menos o senhor não deu os 500 mil dólares ! – e com um
sorriso meia boca ele me olhou , me deu duas notas de 100 e saiu . Desse dia
pra cá nunca mais fiz nenhum serviço tão emocionante quanto aquele , quer dizer
, nunca mais fiz nenhum serviço .
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