quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Lembranças obscuras- Jéssika Silva e Leticia Dutra- 1 ano B



 Às vezes certas coisas nos acontecem e se tornam aqueles sonhos que nunca pensamos poder realizar, outras vezes se tornam os nossos piores pesadelos.
Meu nome é Dorisgleison Silva e eu sou bem... Digamos que um ex-investigador da polícia, graças àquela noite que acabou por destruir parte da minha vida e da vida de muita gente.
Sobre a estante da minha sala as lembranças de um passado de glória se materializam em fotos, recortes de jornais, matérias de revista, prêmios que foram destinados a mim por pessoas que admiravam o meu trabalho e hoje nem sequer lembram quem sou e o que fiz.
Como de costume antes de ir para o trabalho passei na banca de jornal e dei uma olhada nas noticias do dia, na seção de esportes o Vasco me decepcionara mais uma vez. Quando estava saindo, Fatima Zoraide, a dona abortou-me, muito já havia escutado sobre suas previsões, ela era vidente as horas vagas, dizia ter um dom, mas eu nunca acreditei muito... Até agora.
 -Os fantasmas do passado voltaram a te assombrar e uma grande revelação você terá - disse a velha que por um momento já não era a mesma que havia dito aquelas palavras que perfuraram a minha alma e agiu como se nada tivesse acontecido, voltando a atender os seus clientes. Ao indagar sobre o ocorrido Fatima desconversou dizendo que não sabia nada sobre o que eu estava me referindo.
Os dias foram passando e as palavras daquela mulher pareciam soar mais forte em minha cabeça. Foi quando um fantasma bateu à minha porta, não sei ao certo como ele sabia o meu endereço certamente, assim como eu, ele não tinha esquecido o que aconteceu. O que importa é que ele estava parado na frente da minha casa e o mais absurdo era que pedia a minha ajuda.
 Entramos em casa e ele então me contou a situação que estava enfrentando, tirou do seu bolso um papel que continha palavras retiradas palavras recortadas que anunciavam o sequestro de P.C. Junior, eu devia muita coisa àquele garoto, por isso concordei em encontra-lo. A ultima vez que vi P.C. tão desesperado foi ha dez anos atrás, naquela noite que mudou nossas vidas para sempre.
 Para aumento do meu pavor o bilhete citava a banca de jornal da dona Zoraide, embora eu saiba que a velha não seria capaz de sequestrar um garoto indefeso e bom... Eu não costumo errar.
 Na manhã seguinte o bilhete do sequestro pendia sobre a estante do meu quarto, foi quando ao examina-lo com cuidado percebi que no verso de uma das palavras havia um fragmento de texto que se não me falha a memoria era de uma revista que eu já havia lido na banca da dona Zoraide. Então imediatamente fui até lá
 Como eu conhecia a revista perguntei a senhora à respeito e ela me disse que aquela edição já havia acabado ha algumas semanas, então lhe contei parte do caso e pedi para que cooperasse com a investigação, então ela me mostrou as notas fiscais, observando bem vi que uma das notas contava que a revista havia sido paga com o cartão internacional de P.C..
 Será que ele seria capaz de encomendar o sequestro do próprio filho? Por quais motivos? E porque me chamaria para o caso? Seria isso algum tipo de armação? Mas a mais obscuras das hipóteses que eu levantei é de que o próprio garoto tenha forjado seu sequestro, mas porque ele faria isso?
 Agora está em minhas mãos o mais importante enigma de toda a minha carreira. O prazo está se esgotando e eu preciso encontrar esse garoto. Tive então uma ideia que poderia ajudar a solucionar esse problema ou simplesmente saciar meus anseios de rever o passado. Relutante fui a casa de P.C.e pedi sua permissão para que fosse a uma de suas propriedades que ficava afastada do centro da cidade. Tive medo que ele não permitisse e acabasse atrapalhando os meus objetivos, já que aquele lugar faz parte de um passado infeliz de nossas vidas, mas por mais estranho que parecesse, ele estava compreensivo o suficiente, além de me deixar ir, aceitou a minha proposta de ficar em casa enquanto eu seguia com a investigação.
 Ao chegar minha alma foi tomada por memorias do meu passado. Aquela casa, o lago, tudo me fazia lembrar-se de como nós já fomos felizes. Tudo me remete ao arrependimento e a amargura toma o meu coração. Por mais difícil que fosse para mim entrei, aparentemente parecia tudo igual como na noite a dez anos atrás e foi ai que a maior surpresa me aconteceu.
 Acho que antes de tudo, deveria contar sem mais rodeios o que realmente aconteceu. Tudo começou há cerca quinze anos atrás quando meu irmão casou-se com a mulher mais linda que eu já tinha conhecido e a sua beleza não era apenas superficial, ela era linda por inteiro, suas qualidades tiravam de mim uma profunda admiração, não demorou muito para que o minha admiração se tornasse amor e também não demorou para que o meu amor se concretizasse. Amélia foi dentre o meus amores o mais verdadeiro, o mais puro, embora soubéssemos que o que estávamos fazendo não era certo era impossível conter aquele amor quer era para como mim um sol iluminando uma noite que não tinha fim. Mas a traição acabou por fazer de mim uma pessoa fria e o amor por aquela mulher criou em mim uma necessidade de posse q fez com que tomasse uma decisão, foi então que percebi que necessitava do amor dela apenas para mim. Decidi que a única forma disso acontecer era tirando a vida de quem me impedia de tê-la. Preparei-me então para o homicídio, quando ele entrou sorrateiramente sai do esconderijo e atirei. Quando me recuperei do impacto da arma, percebi que caída no chão, aos pés dele estava a minha amada, ela havia se atirado na frente do disparo para salvar P.C. e perder a sua vida, a nossa vida, os nossos planos.               Agora aqui estou eu, em frente ao filho da minha amada, ao filho que foi criado sem mãe, graças ao ato de heroísmo dessa. Embora durante todos esses anos eu não tenha o visto, eu sabia que era P.C. Junior, porque por algum motivo ele lembrava muito a mim. Mas ele era um garoto muito prodígio, desde os dez anos já participava efetivamente dos negócios e da empresa do seu pai, era sempre astuto e tinha soluções fáceis para problemas difíceis.
 - Não é um lugar muito confortável para alguém que foi sequestrado?
 O garoto deu de ombros.
 -Sou Dorisgleison - prossegui
 - Eu sei quem você é!
 - Sabe? Seu pai falou de mim?
 - Não, mas a aminha mãe sim!
  Não compreendi direito o que o garoto quis dizer com aquilo, a mãe daquele garoto havia morrido dez anos atrás, como ele saberia de alguma coisa? Foi nesse exato momento que P.C. adentrou a sala:
 - O que você está fazendo aqui com o meu filho? -disse P.C. totalmente exaltado.
 Antes que eu dissesse alguma coisa o garoto topou a parte da situação:
 - Pai, eu estou aqui porque eu quis e tenho alguma coisa para esclarecer para vocês.
 O menino parecia bastante frio Para uma criança de apenas doze anos de idade, por mais erudito que ele seja havia certo toque de amargura no tom de voz do garoto, foi quando ele nos surpreendeu contando sobre o diário da sua mãe que ele encontrou e nele havia vários segredos, não só os meus com ela, mas também um que não era nem de meu conhecimento, nem de ninguém, um segredo que Amélia havia levado consigo para o túmulo: P.C. Junior era meu filho. Agora estávamos ali, naquele mesmo lugar onde ha dez anos atrás nossos destinos tiveram outros rumos e hoje novamente essa cena se repete, só que agora ao invés de caminharmos separados teremos que andar juntos como nunca antes.

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