Amanda Jones e Andressa Jovita -1ºB
Desde pequena coisas estranhas
aconteciam comigo, eu sempre me sentia perseguida; meu quarto pegou fogo três
vezes e em todas às vezes uma mesma foto minha ficou inteira, como se nada
tivesse acontecido; eu era a última a ir embora do transporte escola e uma vez,
quando estava sozinha no carro, ele pegou fogo do nada. Meus pais eram muito
religiosos e devido a esses fatos, me levaram ao pastor da nossa igreja, para
ver se havia algo que pudesse ser feito pra que essas coisas parassem de
acontecer, porém ele acabou me proibindo de entrar lá novamente, pois, segundo
ele, um demônio me perseguia.
Imagine só, uma criança vivendo com medo de um demônio, eu quase
enlouqueci, porém, com o passar do tempo, minha vida foi se normalizando, me
casei e tive um filho. Com isso, me mudei para um pequeno distrito no interior
do Mato Grosso do Sul. Fui morar num sítio afastado, onde não tínhamos
vizinhos.
A nova casa parecia normal, porém, ao me mudar, fatos estranhos voltaram
a acontecer. No segundo dia na casa, ao acordarmos, todas as portas e janelas
da casa estavam abertas, porém, tínhamos certeza que havíamos fechado tudo à
noite.
Na noite seguinte levantei, durante a noite para pegar um copo d'água na
cozinha, e ouvi uma espécie de uivo, vi alguns vultos me cercando dentro e fora
de casa, então corri para o quarto e falei desesperada ao meu marido:
- Acorda, acorda Rodolfo, há algo estranho nessa casa, vamos embora?!
- Calma! O que está acontecendo?
- Não sei, mas eu não fico mais nem um minuto aqui, eu vi vultos na
cozinha agora!
- Calma, calma, amanhã podemos tentar trazer uma rezadeira aqui e se não
resolver, te prometo que vamos embora.
A rezadeira veio, fez uma espécie de ritual na casa. Nossos problemas
sumiram por aproximadamente um mês, eu já estava mais tranquila na casa, e até me
adaptando a nova cidade.
Até que em uma noite, acordei passando um pouco mal, e fui até a cozinha
pegar um remédio, de repente nosso cachorro começou a latir muito, fui até a
janela e não vi nada no jardim, meu marido acordou, e foi ver o que aconteceu:
- O que o cachorro tem?
- Não sei, começou a latir do nada!
- Vou lá fora ver.
Ele saiu e de repente gritou:
-O cachorro está desmaiado, ligue para o veterinário e avise que estou
indo levar ele lá agora, você fica aqui com nosso filho que eu já volto. Ah...
E feche a casa toda.
Fiz tudo que ele disse e subi para me deitei no meu quarto, mas meu
filho começou a chorar, fui até o seu quarto, ele estava bem, então desci para
buscar um pouco de água para ele. Mas, quando entrei na cozinha, de repente
todas as portas se abriram; as dos armários, a da geladeira a do quintal, e
começou uma ventania. Tentei correr até o quarto do meu filho, mas algo me
puxou pelo meu pé, eu não conseguia enxergar o que era, eu chutava e nada, chutei
até que conseguir me soltar, corri até o quarto, mas a porta não abria, e
quando conseguir abrir, já era tarde meu filho não estava lá, o que tinha era
muito fogo, havia começado um incêndio. Entrei em desespero e chamei a policia,
os bombeiros e liguei para meu marido, mas ele não atendia. A policia veio, mas
não resolveu nada.
Meu marido não voltou, nem no dia seguinte, nem na semana seguinte, nem
no mês seguinte, minha vida tinha virado um inferno, a investigação da policia
não tinha dado em nada, nem noticias do meu filho nem do meu marido. Comecei a
entrar em depressão, até que eu mesma resolvi investigar o que havia
acontecido.
Comecei pela primeira casa que morei, procurei investigadores envolvidos
com magia, procurei casas espiritas, terreiros. Acabei descobrindo que o pastor
tinha razão sobre o que me dissera há anos atrás, havia realmente um demônio me
perseguindo. Segundo o que eu descobri, um antepassado distante havia assumido
uma dívida com esse demônio de que para poupar a vida da sua filha naquele
momento, ele teria o direito à vida do primeiro menino que nascesse na minha
família, o meu filho. E isso acontecia desde que eu era pequena, pois estava
predestinada.
-Não pode ser, meu filho, apenas uma criança... Ele precisa de mim, ele
não pode morrer. Isso é mentira, tem que ser.
Eu não podia acreditar nisso, era surreal,
então o mesmo monge que me o porquê disso tudo, me disse como me livrar do
demônio.
- Eu faço o que for preciso, só preciso
manter aqueles que amo em segurança.
Eu fui orientada por ele a procurar um
castelo na floresta de Culturama, na suposta residência do Diabo na Terra, lá,
eu deveria procurar o quarto mais alto onde imploraria pela vida do meu filho,
no lugar da minha e a partir daí, meu destino estaria nas mãos no demônio.
Foi exatamente o que eu fiz. Ao chegar lá,
mal pude acreditar, era realmente tudo verdade.
-Por favor, tenha Piedade, eu preciso do meu
filho vivo e por ele, estou disposta e tudo.
-Hum... Veja só, eu gosto de pessoas
audaciosas e por isso, lhe darei uma chance, vamos jogar um jogo, se você
vencer você e seu filho vivem, se perder os dois morrem.
-Ok.
Então, eu fui mandada a uma espécie de
labirinto, onde havia vários obstáculos no caminho. É como se fantasmas
estivessem me seguindo, teve uma hora, em que o chão se abriu na minha frente.
Era desesperador, mas tudo pelo meu filho.
Até que num momento, senti algo me puxando
pelo pé, algo que me arrastou até um buraco, eu caí, senti meu peito arder,
minha cabeça parecia que ia explodir. De repente, eu me vi num lago, um ligar
tão calmo. Mas senti algo estranho, como se eu estivesse diferente, então, o
demônio apareceu de novo e me disse:
- Como esperado, eu ganhei e você agora está
morta, porém, depois não quero ouvir por ai que sou ruim. Então, pouparei o seu
filho, mas, para isso, você terá que continuar vagando pela Terra,
aterrorizando as pessoas.
E assim eu fiz, meu filho hoje continua vivo,
mesmo sem mim, mas ele está em seguro com a minha família. Apesar do fardo,
dessa minha “vida” miserável de agora.
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