Hanna Thaens e Guilherme Loureiro 1º B
Eu dormia
tranquila sem imaginar que estava prestes a acordar de um sonho o qual eu não
me recordava, mas, mesmo assim o bip do meu celular me fez despertar às 4:38 da
manhã. O céu ainda estava escuro e eu estava completamente enrolada com minha
coberta, morrendo de frio, foi então que me toquei que havia recebido uma
mensagem. Olhei para o celular e havia escrito uma nova mensagem de ''meu amor
s2'', era o meu namorado que estava doente por sinal, no conteúdo da mensagem
dizia: '' Não aguento mais isso... Precisamos conversar ''.
Foi então que o
meu coração disparou e eu respondi perguntando o que havia acontecido. Levantei
da cama em direção ao banheiro e lavei bem o rosto e voltei para a cama com o
celular ainda nas mãos na esperança de ele responder o mais rápido possível. O
bip miserável finalmente tocou e ao abrir aquela mensagem o meu mundo havia
desmoronado, eu não sabia mais discernir a verdade da mentira, a ilusão da realidade
e então, eu havia sido traída. Traída pelo garoto que eu amava, que eu pensava
que viveria muitos anos, ou até mesmo a minha vida inteira, e além dela. Ele me
disse por várias mensagens que ele era um monstro e que não queria me perder,
como assim? Ele não pensou em nada disse enquanto beijava outras bocas,
enquanto me traía nas entocas ou até mesmo na minha frente e eu cega de amor
nunca tinha notado.
O tempo havia
passado muito rápido, já eram 5:23 quando eu resolvi levantar, levando em conta
o duplo sentido: Levantar a cabeça e seguir e, levantar da cama trocar a roupa
e enfrentar aquela sexta-feira. Foi então que eu levantei, tomei um banho,
escovei os dentes, e mandei uma mensagem que dizia: '' Vá para a porta de sua
casa, precisamos conversar pessoalmente''. Enquanto eu me arrumava as lágrimas
e o nó na garganta sangravam dentro de mim e explodiam a minha cabeça. Eu não
queria acreditar no que estava acontecendo, eu queria acordar daquele pesadelo
mas, infelizmente aquilo dali era a minha realidade.
Reuni todas as
coisas que ele havia me dado e aos prantos peguei a chave de casa, desci as
escadas cambaleando, abri os portões e admirei o sol nascendo mas, não o achava
mais bonito, para mim tudo havia perdido o brilho, a essência. Caminhando nas
ruas o frio entrava por debaixo do meu vestido e me causava arrepios, o meu
choro naquele momento era como um frenesi, eu não tinha controle sobre nada. Um
guarda me parou e perguntou :
- Que horas são
minha jovem?
E eu quase sem
reação respondi:
- Eu nem sei que
dia é hoje, meu senhor!
E sai em direção
à Avenida, em direção a um novo rumo de minha vida, ao término de uma relação
que o fim não era aquele momento exato. Surgiam durante o meu caminho os
corredores e os garis na rua e eu passava despercebida, com o meu choro quieto.
Recebi uma nova mensagem dele que dizia '' Você já chegou?''. Eu não respondi
pois, já estava na praça em frente a casa dele e eu o vi, na porta daquela casa
laranja, ele estava de capote cinza com uma blusa branca dentro, o short era xadrez
e estava apenas com um dos pés com a meia, o seu rosto estava pálido e os olhos
vermelhos, o cabelo desgrenhado, eu tinha achado estranho porque a aparência
sempre era algo que ele prezava e naquele momento ele não estava nem ligando
para isso.
O meu coração
acelerava e eu sentia um frio enorme na barriga e que desta vez, não foi
causado pelo vento que entrava embaixo do meu vestido, era a sensação que eu
sentia quando estava com ele. Ao chegar mais perto, ele saiu da porta e veio em
direção à mim e se sentou no banco, no qual eu não quis nem me sentar. O meu
olhar era de nojo, desprezo e pena. Eu queria dizer mil coisas, mas nada disso
era o suficiente. Eu desejava que ele morresse naquele momento. O ódio e a raiva
agora falavam mais alto e as lágrimas que escorriam naquele momento não eram
porque eu estava perdendo o meu grande amor e sim porque eu havia sido traída.
Ele me pedia perdão, dizia que era um monstro e que eu merecia coisa melhor, e
eu sem reação nem respondia apenas acenava e ele então disse:
- Eu acabei com
a minha vida!
Neste momento eu
respondi de maneira áspera:
- Você acabou
com a sua vida? Você sempre me traiu, o meu amor por você sempre foi real mas,
o seu por mim foi só uma ilusão...
Ele chorou mas
não respondeu. Eu queria que ele respondesse, que dissesse que ele me amou e
que ele havia feito aquilo só porque estava bêbado.
O sol já havia nascido, os pássaros estavam
cantando e eu e o meu ex-namorado que eu ainda amava estávamos um olhando para
o outro e então eu tomei a decisão e disse que tudo estava terminado e joguei a
aliança de prata em cima da caixa com as coisas que ele havia me dado. Eu
estava decidida a esquecê-lo. Ele não queria aquilo, eu sentia isso, ele queria
que eu o perdoasse, mas traição e mentira são duas coisas que eu literalmente
não perdoo. Ele sabia disso e havia me prometido mas, promessas para ele de
nada valem. Ele me olhava com os olhos tristes e estava chorando mas, eu não
sabia o motivo exato.
O frio aumentava
e ele estava doente, com dengue eu acho, pouco me importava. Na verdade me
importava e sempre vou me importar, eu ainda o amo. Decidi ir embora para que
ele não pudesse ver minhas lágrimas incontroláveis , decidi ir embora. Dei as
costas ao meu amor e dei de frente com algo surpreendente , inexplicável ...A
morte.
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