sexta-feira, 27 de julho de 2012

Minha sexta-feira 13- Hanna Thaens e Guilherme Loureiro 1º B


Hanna Thaens e Guilherme Loureiro 1º B

Eu dormia tranquila sem imaginar que estava prestes a acordar de um sonho o qual eu não me recordava, mas, mesmo assim o bip do meu celular me fez despertar às 4:38 da manhã. O céu ainda estava escuro e eu estava completamente enrolada com minha coberta, morrendo de frio, foi então que me toquei que havia recebido uma mensagem. Olhei para o celular e havia escrito uma nova mensagem de ''meu amor s2'', era o meu namorado que estava doente por sinal, no conteúdo da mensagem dizia: '' Não aguento mais isso... Precisamos conversar ''.
Foi então que o meu coração disparou e eu respondi perguntando o que havia acontecido. Levantei da cama em direção ao banheiro e lavei bem o rosto e voltei para a cama com o celular ainda nas mãos na esperança de ele responder o mais rápido possível. O bip miserável finalmente tocou e ao abrir aquela mensagem o meu mundo havia desmoronado, eu não sabia mais discernir a verdade da mentira, a ilusão da realidade e então, eu havia sido traída. Traída pelo garoto que eu amava, que eu pensava que viveria muitos anos, ou até mesmo a minha vida inteira, e além dela. Ele me disse por várias mensagens que ele era um monstro e que não queria me perder, como assim? Ele não pensou em nada disse enquanto beijava outras bocas, enquanto me traía nas entocas ou até mesmo na minha frente e eu cega de amor nunca tinha notado.
O tempo havia passado muito rápido, já eram 5:23 quando eu resolvi levantar, levando em conta o duplo sentido: Levantar a cabeça e seguir e, levantar da cama trocar a roupa e enfrentar aquela sexta-feira. Foi então que eu levantei, tomei um banho, escovei os dentes, e mandei uma mensagem que dizia: '' Vá para a porta de sua casa, precisamos conversar pessoalmente''. Enquanto eu me arrumava as lágrimas e o nó na garganta sangravam dentro de mim e explodiam a minha cabeça. Eu não queria acreditar no que estava acontecendo, eu queria acordar daquele pesadelo mas, infelizmente aquilo dali era a minha realidade.
Reuni todas as coisas que ele havia me dado e aos prantos peguei a chave de casa, desci as escadas cambaleando, abri os portões e admirei o sol nascendo mas, não o achava mais bonito, para mim tudo havia perdido o brilho, a essência. Caminhando nas ruas o frio entrava por debaixo do meu vestido e me causava arrepios, o meu choro naquele momento era como um frenesi, eu não tinha controle sobre nada. Um guarda me parou e perguntou :
- Que horas são minha jovem?
E eu quase sem reação respondi:
- Eu nem sei que dia é hoje, meu senhor!
E sai em direção à Avenida, em direção a um novo rumo de minha vida, ao término de uma relação que o fim não era aquele momento exato. Surgiam durante o meu caminho os corredores e os garis na rua e eu passava despercebida, com o meu choro quieto. Recebi uma nova mensagem dele que dizia '' Você já chegou?''. Eu não respondi pois, já estava na praça em frente a casa dele e eu o vi, na porta daquela casa laranja, ele estava de capote cinza com uma blusa branca dentro, o short era xadrez e estava apenas com um dos pés com a meia, o seu rosto estava pálido e os olhos vermelhos, o cabelo desgrenhado, eu tinha achado estranho porque a aparência sempre era algo que ele prezava e naquele momento ele não estava nem ligando para isso.
O meu coração acelerava e eu sentia um frio enorme na barriga e que desta vez, não foi causado pelo vento que entrava embaixo do meu vestido, era a sensação que eu sentia quando estava com ele. Ao chegar mais perto, ele saiu da porta e veio em direção à mim e se sentou no banco, no qual eu não quis nem me sentar. O meu olhar era de nojo, desprezo e pena. Eu queria dizer mil coisas, mas nada disso era o suficiente. Eu desejava que ele morresse naquele momento. O ódio e a raiva agora falavam mais alto e as lágrimas que escorriam naquele momento não eram porque eu estava perdendo o meu grande amor e sim porque eu havia sido traída. Ele me pedia perdão, dizia que era um monstro e que eu merecia coisa melhor, e eu sem reação nem respondia apenas acenava e ele então disse:
- Eu acabei com a minha vida!
Neste momento eu respondi de maneira áspera:
- Você acabou com a sua vida? Você sempre me traiu, o meu amor por você sempre foi real mas, o seu por mim foi só uma ilusão...
Ele chorou mas não respondeu. Eu queria que ele respondesse, que dissesse que ele me amou e que ele havia feito aquilo só porque estava bêbado.
 O sol já havia nascido, os pássaros estavam cantando e eu e o meu ex-namorado que eu ainda amava estávamos um olhando para o outro e então eu tomei a decisão e disse que tudo estava terminado e joguei a aliança de prata em cima da caixa com as coisas que ele havia me dado. Eu estava decidida a esquecê-lo. Ele não queria aquilo, eu sentia isso, ele queria que eu o perdoasse, mas traição e mentira são duas coisas que eu literalmente não perdoo. Ele sabia disso e havia me prometido mas, promessas para ele de nada valem. Ele me olhava com os olhos tristes e estava chorando mas, eu não sabia o motivo exato.
O frio aumentava e ele estava doente, com dengue eu acho, pouco me importava. Na verdade me importava e sempre vou me importar, eu ainda o amo. Decidi ir embora para que ele não pudesse ver minhas lágrimas incontroláveis , decidi ir embora. Dei as costas ao meu amor e dei de frente com algo surpreendente , inexplicável ...A morte.

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