Dia ensolarado
na cidade litorânea de Ilhéus, o relógio apontava 7:30, eu tinha acabado de
acordar, mas algo estranho, um sentimento que nunca havia sentido antes, uma
angustia incontrolável, um medo, era indescritível.
Levantei-me, e
fui direto falar com minha mãe:
- Mãe, não estou
me sentindo bem, estou com um medo, uma insegurança.
- Filho, isso é
momentâneo, logo irá passar, deite novamente, pois quando acordar novamente já
estará melhor, todo esse sentimento ruim irá passar.
Não me hesitei
em voltar para o quarto, a final, intuição de mãe é intuição de mãe. Após
passar 30 minutos eu me levantei e todo aquele sentimento ruim parecia ter
desaparecido como minha mãe havia dito, porem eu não fazia ideia do que
aconteceria logo mais tarde.
Na hora do
almoço estavam todos reunidos à mesa, o dia parecia belo, mas de repente
começou uma ventania sem fim que trazia com ela nuvens cinzentas e carregadas.
Foi momentâneo, após o início da ventania um calafrio percorreu todo o meu
corpo, algo que nunca havia sentido. Não me importando com o temporal que
estava por vir, fui como de costume à escola.
Após a segunda
aula começou o temporal e a partir desse momento ele não deu mais trégua. 20
minutos depois do inicio do temporal tomamos um susto, as luzes se apagaram e
instantaneamente começou a gritaria pela parte das meninas. O que mais me
deixou amedrontado foi o abrir e fechar das portas e janelas da sala. Logo
Comentei com um amigo:
- Fulano, não
acha tudo isso muito estranho?
- Também estou achando isso muito esquisito,
mas essa chuva deve ser passageira e logo tudo voltará ao normal.
Respondi
contradizendo a sua ideia:
- Não acho que
ela passará logo, acho que não dará trégua até a madrugada.
Ao fim de nossa
conversa fomos para o intervalo, como chovia muito, o que restava a fazer era
ouvir musica ou conversar. Após um longo trovão e raios que rasgaram todo o
céu, apareceram criaturas de preto num piscar de olhos, e logo sentimos a falta
de alegria ou qualquer sentimento bom por dentro. Voltei correndo para sala,
afinal não tinha a mínima ideia do que aqueles seres vestidos de morte se
tratavam, ao chegar lá perguntei a fulano, que se concentrava a ouvir sua
musica.
- Mano, você viu aqueles homens de preto no
meio do pátio?
- Vi sim, achei muito estranho eles aparecerem
do nada na nossa frente...
Após o termino da sua fala ouvi gritos, gritos
de medo, gritos de dor, acompanhado por choros incontroláveis.
Pessoas corriam, e em meio a tanta confusão
vimos toda a escola caindo em cima daquelas pessoas que a deixava viva, seus
alunos e funcionários. Mas o que me deixou mais confuso foi o porquê dela está
caindo e foi depois dessa questão que percebi que o que causava todo esse
transtorno eram aquelas pessoas que estavam vestidas de morte.
Ao olhar para o
céu percebi que estava se formando um furacão e com ele vinha mais chuva e
raios, não dando trégua por um único minuto. Logo fui procurar um abrigo para
me proteger das misteriosas criaturas e do furacão que estava por vir.
Após encontra um
alojamento com meu amigo, ouvimos batidas fortes na porta, perguntamos quem
era, com medo de ser aquelas criaturas grotescas não abrimos a porta, mas
continuavam a bater e logo fomos nos esconder. 2 minutos se passaram, e o
silencio pairava no ar, uma falsa segurança fez com que nos tranquilizássemos,
mas quando íamos nos levantar um grande baque e a forte ventania entrou na sala
e o que mais temíamos aconteceu, as criaturas malignas entraram no alojamento e
começaram a nos procurar.
Olhei para o
chão e vi as criaturas, criaturas das trevas que subiram em cima de nós e nos
levaram até elas. Chegamos em frente a elas, vimos seu rosto escuro com olhos
vermelhos, e instantaneamente começamos a pensar em coisas ruins, em mortes,
infelicidades, estávamos sendo manipulados por eles.
Fechei os olhos
e de repente senti o vento mais forte, com medo, os abri e me deparei com a
visão superior da cidade, a Princesinha do Sul antes tão notável e tão formosa agora
estava feia e deselegante, estava sem vida, parecia que tinha acontecido uma
guerra, e aqui estava eu, em queda livre, a um passo da morte e quanto mais eu
me aproximava do chão, mais eu gritava.
Faltava pouco, a
queda parecia não ter fim, e para a minha felicidade, ou não, tudo ficou preto
novamente, abri os olhos, não estava mais caindo, estava totalmente suada,
hesitei em olhar para o lado mas logo fui percebendo, eu estava em minha cama,
estava em minha casa, olhei para o relógio que apontava 8:00, suspirei
aliviada, pois foi nesse instante que percebi que tudo aquilo não passara de um
pesadelo, um pesadelo de uma sexta-feira13.
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