Maria Clara e Maria Carolina 1ºB
Sou Larissa,
tenho dezesseis anos e sou a mais velha de três filhos. Meus outros irmãos, Fernando
e Fernanda (gêmeos) têm quatro anos. Meus pais já são casados há um tempão e hoje,
sexta-feira, eles comemoram vinte anos de casados, então eles decidiram viajar
para um final de semana romântico.
Minutos antes de
eles saírem, Neide, a babá, chegou para tomar conta dos gêmeos:
-Filha, estamos saindo.
Tem comida na geladeira, na dispensa e quinhentos reais para emergências na
caixinha do meu quarto - disse minha mãe
-Tudo bem mãe.
Você já falou isso umas vinte vezes - falei revirando os olhos
-Tudo bem Larissa
- disse minha mãe fazendo uma imitação minha nada fiel - Estamos saindo, se
comporte e cuide dos seus irmãos. Neide irá dormir aqui hoje e amanhã, para
você não ficar sozinha.
-Ok. Tchau
mamãe, divirta-se - disse dando-lhe um beijo no rosto
-Tchau Lari- despediu-se
mamãe, retribuindo o beijo
Agora que eles
saíram vou para o meu quarto fazer algo produtivo: assistir pela décima vez
‘’Orgulho e Preconceito’’. Estava na minha parte favorita do filme (o baile na
casa de Mr. Bingley) quando Neide bateu na minha porta:
-Larissa, você está
aí?
-‘’Tô’’. O que é?
- Seus irmãos querem
comer pizza. Será que você poderia ligar para a ‘’Pizza Hut’’?
Fazer o quê? Já
era umas 21h30min, mas mesmo assim liguei. O entregador disse que demoraria de
trinta a quarenta minutos para entregar.
-Neide?-Gritei.
-Sim?-Ela gritou
de volta, em algum lugar lá embaixo.
-Acabei de ligar.
A pizza deve chegar dentro de 30 a 40 minutos.
-Tudo bem. Obrigada
Continuei
assistir a meu filme e a campainha tocou. Ouvi Neide falando com o entregador
lá embaixo e logo após a porta batendo. Não desci imediatamente, pois faltava
pouco tempo para o filme acabar. Resolvi assistir.
Já nos créditos
do filme, os gêmeos começaram a chorar. Passaram 5 minutos e os gêmeos ainda
estavam chorando, o que era muito estranho já que Neide deveria tê-los acalmado
há muito tempo. Então desliguei a TV e abri a porta do quarto. A luz do
corredor estava apagada, portanto a única luz presente no corredor vinha da
grande lua do céu. A luz do luar criava sombras horripilantes ao passar pelos
galhos secos das árvores lá fora. A rua estava mais silenciosa do que nunca e
escura também.
O único barulho
que eu ouvia era o choro dos meus irmãos. Como eles ainda estavam chorando, estão
fui até o topo da escada e gritei:
-NEIDE???
Nada, completo e
absoluto silêncio:
-NEIDE???-gritei
de novo. -Nada.
Comecei então a
descer degrau por degrau, bem devagarzinho até chegar ao andar de baixo. Encontrei
meus irmãos no berço, que finalmente tinham parado de chorar, mas nada de Neide.
A sala, assim como o corredor, estava na escuridão, só era possível enxergar
algo devido à televisão que estava ligada, porém não emitia nenhum som.
A sala onde
estava não era muito grande. Ali havia um sofá, duas poltronas, a TV e o berço
onde meus irmãos estavam. Decidi acender a luz que ficava na parede ao lado do
berço, a poucos passos da onde eu estava. Não tinha dado nem três passos quando
escorreguei e cai numa poça de líquido. De onde veio aquela água? -me rápido e
acendi a luz.
O susto que
levei ao perceber qual era o líquido que estava no chão e agora no meu próprio corpo,
foi imenso. A sala, só agora percebi, estava impregnada com cheiro de ferrugem
e maresia. O líquido vermelho rubi estava por toda parte: nas paredes, no chão,
no sofá, mas a maior parte do sangue presente na sala formava um rastro em
direção a cozinha. Meu inconsciente já sabia da onde saíra tanto sangue e agora
eu estou sozinha nesta casa, ou melhor, meu único’’companheiro’’ era um assassino
e algo me dizia que eu seria sua próxima vítima.
Tirei meus
irmãos do berço e por mais incrível que pareça, eles estavam dormindo. Subi as
escadas correndo, entrei no meu quarto e tranquei a porta. Preciso manter meus
irmãos em segurança, e é isso que farei. Coloquei ambos na minha cama e peguei
meu celular. O melhor a fazer é ligar para a polícia e esperar até que alguém apareça.
Disquei 190.
-190, emergência.
Diga-me o seu nome e onde mora.
-Oi, meu nome é
Larissa e moro na Rua 17 de julho.
-Qual é a sua
emergência?
-Uma pessoa, alguém,
está na minha casa e matou...
Foi nesse
momento que ouvi algo. Passos que se aproximavam lentamente.
-Rápido! Venham
Rápido! Antes que ele me mate - disse apressadamente e desliguei.
Já podia escutar
os passos mais próximos agora, no corredor, então corri e me escondi debaixo da
cama. Cada segundo que passava equivalia a uma batida do meu coração e a espera
estava me corroendo por dentro. Mesmo embaixo da cama, eu podia ver a porta. De
repente, os passos cessaram e a maçaneta girou algumas vezes, mas sem sucesso.
A pessoa atrás
da porta deve ter desistido, pois se passaram alguns segundos e nada aconteceu.
Quanta inocência! Depois que esse pensamento atravessou minha mente, uma faca
atravessou minha porta bem ao lado da maçaneta, abrindo um buraco. Não demorou muito,
e uma mão masculina apareceu no buraco feito pela faca, abrindo a porta por dentro.
Não gritei de desespero, pois todas as células do meu corpo estavam tremendas
de medo.
A porta foi
aberta lentamente e um par de botas entrou no meu campo de visão. Parece que
ele sabia onde estava, porque ele parou bem na minha frente e ficou lá, parado.
As nossas respirações eram as únicas coisas audíveis no quarto. Então, para o
meu completo terror ele se ajoelhou e estendeu um braço. Tentando me agarrar. Ele
conseguiu segurar o meu pescoço, mas não por muito tempo. Logo que sua mão,
grande e calosa, seguraram o meu pescoço eu usei toda aminha força e o arranhei.
Ele soltou um grito raivoso ao mesmo tempo em que tirava sua mão do meu
pescoço.
Para a minha surpresa,
ele se levantou. Fiquei aliviada, pois pensei que estivesse desistido. Nunca
tinha reparado o quão burra eu era. É claro que ele não iria desistir e minhas
suspeitas de confirmaram quando ele falou:
-Saia agora ou
eu mato os seus irmãos.
Tinha me
esquecido completamente dos gêmeos e não hesitei em sair debaixo da cama para salvá-los.
Quando eu me levantei, pude ver o homem que me causava tamanha repulsa e ódio. Ele
era um homem alto, robusto de uns trinta e poucos anos. Seus cabelos eram
ondulados e seus olhos eram de uma frieza tão grande que eram capazes de
paralisar pessoas, e foi exatamente o que aconteceu comigo.
Ele tinha uma
faca na mão, cuja lâmina estava ensanguentada. Ele nada mais falou e foi aí que
percebi que minha vida na terra chegara ao fim. Fechei os olhos e esperei. Sabe
aquela história de que quando estamos próximos da nossa morte nossa vida passa
diante dos nossos olhos? Pois é, é verdade.
Então, fiquei
parada, tentando não pensar no futuro quando escutei o som mais maravilho do mundo:
a polícia havia chegado ao meu quarto e imobilizara o agressor. Tudo que vi foi
o meu quase assassino saindo algemado pelos policiais.
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