domingo, 22 de julho de 2012

Sexta-feira 13 mutante -João Paulo e João Marcos 1ºB



João Paulo e João Marcos 1ºB


Era uma noite escura e chuvosa, a chuva batia no telhado de minha casa criando uma sinfonia desafinada de barulhos. Raios riscavam o céu da noite iluminando tudo em volta de minha casa e assustando tanto os animais quanto as pessoas que se preparavam para dormir. Geralmente as noites em meu bairro são bastante tranquilas e calmas, só que aquela noite era diferente, havia algo no ar que não cheirava bem.
Eu preparava um chocolate quente para me aquecer quando aconteceu. Ouvi batidas desesperadas na porta de casa, me assustei, além do mais o clima do ambiente não ajudava em nada, mas mesmo com um pouco de medo tive que ver quem era, não podia simplesmente ignorar e ir dormir.
-Fábio! Socorro!
Era minha vizinha Vanessa. No momento que eu abri a porta ela se jogou para dentro, estava ensopada e respirava profundamente como se tivesse corrido por léguas.
-Obrigada Fábio. Não sei o que seria de mim se não fosse você.
-O que houve Vanessa?
-Eu estava no mercado e...
Ela respirava e choramingava sem conseguir falar.
-E o que Vanessa?
-E ele apareceu. Um homem com a cara ensanguentada, ele começou a correr atrás de mim, larguei as compras todas no chão com medo. Ele corria atrás de mim e gemia como se sentisse dor. Eu fiquei com muito medo, Fábio.
Ela se atirou em meus braços e começou a chorar intensamente, pobre Vanessa, mas o que será que esse tal homem queria com ela? Agora não importava, o que importa é que ela estava salva, eu sempre gostei um pouco da Vanessa, mas ela nunca me deu bola.
-Quer que eu te leve para casa?
-Não! Por favor! Deixe-me dormir aqui hoje. Só hoje. Eu vou dormir no sofá.
-Tudo bem. Calma. Você pode dormir aqui hoje, pode ficar em minha cama, eu durmo no sofá.
-Obrigada Fábio! Muito obrigada mesmo.
Ela foi subindo as escadas quando ouvi batidas na porta.
-Ah! É ele Fabio! É ele!
-Calma Vanessa. Pode deixar que eu verei quem é. Não se preocupe.
No instante que eu fui abrir a porta uma mão a atravessou. Instantaneamente eu caí para trás com medo, percebi que a mão do sujeito era enrugada e que sua pele era bastante acinzentada e melada de sangue assim como a Vanessa tinha falado.
-Vanessa, corre!
Nós subimos as escadas correndo e nos trancamos dentro de meu quarto. Eu só pensava que uma pessoa que era capaz de abrir um buraco numa porta de madeira maciça apenas com as mãos era também bastante capaz de derrubá-la, ou de pelo menos abrir um buraco grande o suficiente para ele poder passar.
-O que foi aquilo?! Isso não é humano! Não tem como alguém abrir um buraco numa porta só com as mãos.
-Ai meu Deus! Ai meu Deus! O que a gente faz, Fábio?
-Me deixa pensar... Já sei! Pega meu celular em cima do criado mudo. Vamos ligar para policia.
-Está sem bateria, Fábio.
-Ah não.
-Nós vamos morrer! Vamos morrer!
-Não vamos não! Se esconda no armário enquanto eu me escondo debaixo da cama. Não saia aconteça o que acontecer entendeu?
-Certo.
Após alguns minutos escondido comecei a ouvir batidas na porta de meu quarto. A criatura havia entrado em casa e só era uma questão de tempo até que ele entrasse em meu quarto. Eu estava com muito medo, mas não estava com tanto medo quanto a Vanessa. Eu a ouvia choramingar. Esperava que a criatura não tivesse ouvidos tão bons quanto os meus.
A porta caiu. Agora eu podia ver a criatura com meus próprios olhos, e agora sim entendi por que a Vanessa estava com tanto medo. Ele tinha a cara melada de sangue assim como ela falou, sua pele era cinza, ele era meio corcunda e vestia roupas de uma pessoa normal. Ele gemia muito, como se estivesse sofrendo de dor. Eu acredito que ele não pudesse falar, pois sua mandíbula estava deformada, alem do mais ele tinha muitos dentes podres.
Agora ele entrava lentamente pelo quarto e ia em direção a Vanessa, talvez seus ouvidos fossem bons como os meus. Eu temia pelo pior, mas na hora em que a criatura chegou perto do armário a Vanessa pulou para fora fazendo com que as portas batessem na cara da criatura fazendo-a cair no chão enquanto ela corria desesperadamente para as escadas. Tive que fazer o mesmo que ela, correr para as escadas, não podia deixá-la sozinha lá embaixo.
-Vanessa.
Sussurrei.
-Onde você está?
-Aqui Fabio. Na cozinha.
Corri para cozinha e achei a Vanessa abaixada num canto com uma faca na mão.
-Toma Fabio. Por favor, mata ele. Por favor.
Eu não tinha escolha, era matar ou morrer. Eu tremia nas bases, nunca precisei usar uma faca para me defender de nada nem de ninguém. Nunca havia sido assaltado, nem abordado por algum cachorro perigoso na rua. Minha vida era tranquila, mas agora eu teria que agir. A criatura desceu as escadas rolando, talvez a pancada que Vanessa lhe deu tenha machucado bastante. Era minha chance, tinha que mata-lo enquanto estava caído no chão. Corri para cima dele e enfiei a faca na sua cabeça. Estava acabado.
-Vanessa! Ele morreu! Ele morreu!
Ela correu em minha direção e me beijou. Estava feliz como nunca, até que ele apareceu.
-Graças a Deus você o matou antes que ele machucasse alguém.
Era um homem de jaleco de médico.
-Eu não tenho muito tempo. Só posse lhe dizer que eu estava tentando achar a cura para o câncer, e esse foi o resultado. Seu nome era Raul, e ele tinha câncer. Ele se ofereceu para ser minha cobaia para experimentar a cura, mas como você e sua namorada puderam perceber, não deu muito certo. Tenho que ir agora e destruir esse composto que acabei de criar. Adeus. Espero nunca mais ter que ver uma pessoa numa situação dessas novamente.
Ele sumiu na escuridão, Vanessa foi para sua casa. No final das contas tudo havia dado certo, por enquanto não havia perigo, mas ainda me restava uma coisa a fazer. Dei uma pequena carga em meu celular e fiz uma ligação.
-Alô. É do necrotério? Tenho um corpo para vocês pegarem.


FIM

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