Alice Luna e Bruna Maria 1ºA
Hoje, dia 13 de
abril de 1928, sexta-feira, é consideravelmente o melhor dia da minha vida,
pois irei me casar com o homem mais perfeito de todos, o meu querido Ruan
Arnaldo.
- Ester, você já
está atrasada para seu casamento, se arrume logo! – disse minha mãe –
- Calma mãe, é
normal a noiva se atrasar no próprio casamento.
A cerimônia
estava marcada para as 14 horas, porém só cheguei por volta das 14h40min.
Enquanto estrava na igreja percebi os olhares dos meus convidados, mas não eram
olhares de alegria, e sim de desespero. Foi quando percebi que o altar estava
vazio.
- O que houve?
Onde está meu noivo? –disse eu quase chorando-
- Ele fugiu com
outra! –gritou alguém do fundo da igreja.
Saí correndo sem
pensar pra onde iria, o medo e o ódio tomavam conta de mim, e todo o meu mundo
tinha desmoronado.
Não pensei duas
vezes em ir a um penhasco que tem no final da cidade, e ao chegar lá o meu
único pensamento era o quão duro era ser deixada no dia mais esperado da sua
vida, então fechei os olhos e deixei a dor falar mais alto, e quando percebi já
estava caindo.
Exatamente 13
anos se passaram até que eu acordei, com o mesmo vestido de noiva que eu havia
morrido e com o mesmo ódio e dor que sentia antes.
- Tenho que
fazer algo. Tenho que me vingar.
Vaguei pela
cidade procurando o que fazer para diminuir essa dor dentro de mim, foi então
que avistei uma igreja, a mesma em que iria me casar um dia, e tive uma vontade
enorme de entrar lá e destruir um sonho, assim como o meu fora destruído. Fui
entrando e lembrando o dia do meu casamento, um ódio maior que eu. Peguei uma
faca que encontrei no lugar onde teria morrido, pois se o penhasco não me
matasse, cortaria meus pulsos. Dava pra ouvir a música, a alegria, como eu
sentia inveja daquilo, como eu queria todos mortos, mais do que tudo. Sem
pensar mais, entrei.
- Se alguém está
contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre. –disse o padre-
- Espere! –falei
com firmeza-
- O que? –gritou a noiva desesperada-
- Há muito
tempo, me lembro de estar aqui, sonhando com o meu dia tão esperado -andei em direção ao noivo- e por conta do
destino, esse dia nunca chegou. Por que o seu vai se realizar se o meu não?
–olhei atentamente para a noiva, com o desejo de desfazer o seu sonho, assim
como o meu foi desfeito, eu sabia que havia voltado por algum propósito, e
estou decidida a realizá-lo.
- Saia daqui,
sua horrorosa! -gritou a noiva-
- Horrorosa?
–peguei a faca, empurrando o mais forte possível contra sua barriga, enquanto
todos corriam.
- Ninguém se
casará nessa cidade! Ou irão morrer! –gritei vendo o desespero-
Vi que o noivo
estava apavorado, tentando se esconder, andei rápido para alcançá-lo, o virei
pra mim e dei uma risada.
- E que a morte
os separe! –falei rindo-
- Não, por
favor! Eu te dou tudo o que você quiser, eu juro! –disse ele apavorado-
- Tarde demais,
meu amor. – falei ao cortar seu pescoço, fazendo-o sentir dor, até revirar os
olhos e apagar.
- As coisas
poderiam ter sido melhores, Ruan –sussurrei-
Notei que a
igreja tinha sido completamente vazia e que eu acabara de destruir não só um
casamento, mas a vida de duas pessoas. Não nego que isso não me incomodava, eu
mudei muito depois de ter sido abandonada, de ter sido tratada como um nada, e
agora, estava incrivelmente mais forte do que nunca. Não só por a raiva ter me
dado forças para destruir vidas, mas também por eu não ter mais vida para me
sentir culpada por meus atos.
Tudo em que um
dia acreditara, no amor, na fidelidade, tudo tinha ido por água a baixo, e
tomei isso como um dever de matar as pessoas antes que elas acreditassem nisso.
Melhor, comecei a matar somente os noivos, acho que a culpa era bem mais deles
do que delas, que só acreditavam nas suas promessas.
Fiz isso
diversas vezes, em todas as igrejas da cidade, era até conhecida como a “noiva
cadáver”. Destruía todos os casamentos e todos os noivos, independente de
qualquer coisa, meu desejo de vingança era maior a cada dia, e não ia descansar
até o último noivo ser morto por mim.
Numa sexta-feira
13 de 1950, vi uma coisa estranha, eram preparativos pra um casamento, um mega
casamento.
- Como essas
pessoas ainda ousam? Elas acham que eu não vou destruir esse casamento? Esperem
só. –falei comigo mesma-
Foi um dia
inteiro de preparativos, quando chegou no dia do casamento, fiquei lá, a espera
de algum sinal de início da cerimônia. Foi então que ela surgiu, num vestido
branco até o pé, com uma enorme calda e um véu que cobria todo o seu rosto. Não
acreditava que eles ainda queriam ir em frente com aquela história, mas tudo
bem seria divertido pra mim, destruir mais um sonho.
Esperei para
fazer minha entrada triunfal no meio do casamento, na fala em que o padre
pergunta se tem alguém que é contra o casamento, achei que seria mais
emocionante, então deixei prosseguir. Fiquei em um canto onde ninguém estava me
notando, e fiquei de lá só olhando, a alegria, a música, os sorrisos das
pessoas que viam aquilo, tudo, tudo me incomodava, nem esperei o padre começar
a falar e fui direto ao altar para acabar com aquela palhaçada.
- O que pensam
que estão fazendo? Eu já não avisei que ninguém mais pode se casar?
- O que VOCÊ
pensa que está fazendo? Não está vendo as coisas que está fazendo? Destruindo
simplesmente todos os casamentos, está estragando o sonho das pessoas se unirem
e passarem o resto da vida juntas, e ainda matando todos os noivos que desejam
se casar, porque isso? Só não entendo e... –antes que falasse mais alguma
coisa, a interrompi de imediato-.
- Eu estou
fazendo um favor a todas vocês, estou poupando vocês de cair na besteira de
acreditar nesses homens que fazem promessas em cima de promessas e no final de
tudo te deixam plantada, na frente de todo mundo, feito uma idiota, totalmente
desprezada e desonrada, em um dia que era pra ser o mais lindo e especial da
sua vida, e de repente tudo acaba, toda aquela ideia de passar uma vida juntos,
de ter filhos, e ter um “felizes para sempre” - queria continuar a falar, mas
percebi que estava chorando tanto que nem conseguia falar mais nada-
Todos ficaram em
silêncio por um tempo, fitando-me, até que a noiva falou:
- Eu... Eu sinto
muito. Entendo como você deve estar se sentindo agora, mas pense bem moça, já
que o seu não deu certo, não é melhor você fazer com que os outros deem do que
destruí-los? Entendo que você está magoada, que está com raiva do que seu noivo
fez com você, mas não significa que vamos passar pela mesma coisa que você
passou. As pessoas são diferente, cada um age de um jeito e faz suas próprias
escolhas, e nem todos os homens vão agir como seu noivo agiu... Pense bem, não
tem sentido a senhora estar fazendo isso.
Fiquei em
silêncio, só refletindo tudo em que ela havia falado, pensando que talvez eu
tivesse deixado a raiva me consumir, e percebi que não estava só morta em
corpo, mas morta por dentro também. Não consegui falar mais nada, nem sequer
olhar pra ela e pra aquelas pessoas que estavam ali, somente sai, deixando pra
trás aquela igreja, aquela cidade e principalmente aquele louco desejo de vingança,
tudo o que ainda me prendia aqui, e fazia com que minha alma vagasse todo esse
tempo em busca de saciar a minha sede de destruição. Foi quando encontrei o meu
caminho de volta, uma “luz no fim do túnel” que levou minha alma para onde
agora era meu lugar. Antes disso, pensei na noiva, pensei que se ela não
tivesse tido a coragem de me enfrentar, onde eu estaria? Destruindo todos os
sonhos das pessoas de se unirem umas as outras, e por quê? Por eu simplesmente
ter sido magoada... Aquilo realmente não fazia sentido algum, eu ter feito isso
todo esse tempo, matando por estar morta por dentro. Por mais que não estivesse
mais na Terra em corpo, me sentia mais viva do que nunca. E então, resolvi
aceitar minha morte de fato, pelo simples motivo de não poder viver alegria,
amor e fraternidade como os vivos estavam vivendo.
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