sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sexta- feira 13 – A maldição da noiva cadáver-Alice Luna e Bruna Maria 1ºA

Alice Luna e Bruna Maria 1ºA

Hoje, dia 13 de abril de 1928, sexta-feira, é consideravelmente o melhor dia da minha vida, pois irei me casar com o homem mais perfeito de todos, o meu querido Ruan Arnaldo.

- Ester, você já está atrasada para seu casamento, se arrume logo! – disse minha mãe –

- Calma mãe, é normal a noiva se atrasar no próprio casamento.

A cerimônia estava marcada para as 14 horas, porém só cheguei por volta das 14h40min. Enquanto estrava na igreja percebi os olhares dos meus convidados, mas não eram olhares de alegria, e sim de desespero. Foi quando percebi que o altar estava vazio.

- O que houve? Onde está meu noivo?  –disse eu quase chorando-

- Ele fugiu com outra! –gritou alguém do fundo da igreja.

Saí correndo sem pensar pra onde iria, o medo e o ódio tomavam conta de mim, e todo o meu mundo tinha desmoronado.

Não pensei duas vezes em ir a um penhasco que tem no final da cidade, e ao chegar lá o meu único pensamento era o quão duro era ser deixada no dia mais esperado da sua vida, então fechei os olhos e deixei a dor falar mais alto, e quando percebi já estava caindo.

Exatamente 13 anos se passaram até que eu acordei, com o mesmo vestido de noiva que eu havia morrido e com o mesmo ódio e dor que sentia antes.

- Tenho que fazer algo. Tenho que me vingar.

Vaguei pela cidade procurando o que fazer para diminuir essa dor dentro de mim, foi então que avistei uma igreja, a mesma em que iria me casar um dia, e tive uma vontade enorme de entrar lá e destruir um sonho, assim como o meu fora destruído. Fui entrando e lembrando o dia do meu casamento, um ódio maior que eu. Peguei uma faca que encontrei no lugar onde teria morrido, pois se o penhasco não me matasse, cortaria meus pulsos. Dava pra ouvir a música, a alegria, como eu sentia inveja daquilo, como eu queria todos mortos, mais do que tudo. Sem pensar mais, entrei.

- Se alguém está contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre.  –disse o padre-

- Espere! –falei com firmeza-

 - O que? –gritou a noiva desesperada-

- Há muito tempo, me lembro de estar aqui, sonhando com o meu dia tão esperado  -andei em direção ao noivo- e por conta do destino, esse dia nunca chegou. Por que o seu vai se realizar se o meu não? –olhei atentamente para a noiva, com o desejo de desfazer o seu sonho, assim como o meu foi desfeito, eu sabia que havia voltado por algum propósito, e estou decidida a realizá-lo.

- Saia daqui, sua horrorosa!  -gritou a noiva-

- Horrorosa? –peguei a faca, empurrando o mais forte possível contra sua barriga, enquanto todos corriam.

- Ninguém se casará nessa cidade! Ou irão morrer! –gritei vendo o desespero-

Vi que o noivo estava apavorado, tentando se esconder, andei rápido para alcançá-lo, o virei pra mim e dei uma risada.

- E que a morte os separe! –falei rindo-

- Não, por favor! Eu te dou tudo o que você quiser, eu juro! –disse ele apavorado-

- Tarde demais, meu amor. – falei ao cortar seu pescoço, fazendo-o sentir dor, até revirar os olhos e apagar.

- As coisas poderiam ter sido melhores, Ruan –sussurrei-

Notei que a igreja tinha sido completamente vazia e que eu acabara de destruir não só um casamento, mas a vida de duas pessoas. Não nego que isso não me incomodava, eu mudei muito depois de ter sido abandonada, de ter sido tratada como um nada, e agora, estava incrivelmente mais forte do que nunca. Não só por a raiva ter me dado forças para destruir vidas, mas também por eu não ter mais vida para me sentir culpada por meus atos.

Tudo em que um dia acreditara, no amor, na fidelidade, tudo tinha ido por água a baixo, e tomei isso como um dever de matar as pessoas antes que elas acreditassem nisso. Melhor, comecei a matar somente os noivos, acho que a culpa era bem mais deles do que delas, que só acreditavam nas suas promessas.

Fiz isso diversas vezes, em todas as igrejas da cidade, era até conhecida como a “noiva cadáver”. Destruía todos os casamentos e todos os noivos, independente de qualquer coisa, meu desejo de vingança era maior a cada dia, e não ia descansar até o último noivo ser morto por mim.

Numa sexta-feira 13 de 1950, vi uma coisa estranha, eram preparativos pra um casamento, um mega casamento.

- Como essas pessoas ainda ousam? Elas acham que eu não vou destruir esse casamento? Esperem só. –falei comigo mesma-

Foi um dia inteiro de preparativos, quando chegou no dia do casamento, fiquei lá, a espera de algum sinal de início da cerimônia. Foi então que ela surgiu, num vestido branco até o pé, com uma enorme calda e um véu que cobria todo o seu rosto. Não acreditava que eles ainda queriam ir em frente com aquela história, mas tudo bem seria divertido pra mim, destruir mais um sonho.

Esperei para fazer minha entrada triunfal no meio do casamento, na fala em que o padre pergunta se tem alguém que é contra o casamento, achei que seria mais emocionante, então deixei prosseguir. Fiquei em um canto onde ninguém estava me notando, e fiquei de lá só olhando, a alegria, a música, os sorrisos das pessoas que viam aquilo, tudo, tudo me incomodava, nem esperei o padre começar a falar e fui direto ao altar para acabar com aquela palhaçada.

- O que pensam que estão fazendo? Eu já não avisei que ninguém mais pode se casar?

- O que VOCÊ pensa que está fazendo? Não está vendo as coisas que está fazendo? Destruindo simplesmente todos os casamentos, está estragando o sonho das pessoas se unirem e passarem o resto da vida juntas, e ainda matando todos os noivos que desejam se casar, porque isso? Só não entendo e... –antes que falasse mais alguma coisa, a interrompi de imediato-.

- Eu estou fazendo um favor a todas vocês, estou poupando vocês de cair na besteira de acreditar nesses homens que fazem promessas em cima de promessas e no final de tudo te deixam plantada, na frente de todo mundo, feito uma idiota, totalmente desprezada e desonrada, em um dia que era pra ser o mais lindo e especial da sua vida, e de repente tudo acaba, toda aquela ideia de passar uma vida juntos, de ter filhos, e ter um “felizes para sempre” - queria continuar a falar, mas percebi que estava chorando tanto que nem conseguia falar mais nada-

Todos ficaram em silêncio por um tempo, fitando-me, até que a noiva falou:

- Eu... Eu sinto muito. Entendo como você deve estar se sentindo agora, mas pense bem moça, já que o seu não deu certo, não é melhor você fazer com que os outros deem do que destruí-los? Entendo que você está magoada, que está com raiva do que seu noivo fez com você, mas não significa que vamos passar pela mesma coisa que você passou. As pessoas são diferente, cada um age de um jeito e faz suas próprias escolhas, e nem todos os homens vão agir como seu noivo agiu... Pense bem, não tem sentido a senhora estar fazendo isso.

Fiquei em silêncio, só refletindo tudo em que ela havia falado, pensando que talvez eu tivesse deixado a raiva me consumir, e percebi que não estava só morta em corpo, mas morta por dentro também. Não consegui falar mais nada, nem sequer olhar pra ela e pra aquelas pessoas que estavam ali, somente sai, deixando pra trás aquela igreja, aquela cidade e principalmente aquele louco desejo de vingança, tudo o que ainda me prendia aqui, e fazia com que minha alma vagasse todo esse tempo em busca de saciar a minha sede de destruição. Foi quando encontrei o meu caminho de volta, uma “luz no fim do túnel” que levou minha alma para onde agora era meu lugar. Antes disso, pensei na noiva, pensei que se ela não tivesse tido a coragem de me enfrentar, onde eu estaria? Destruindo todos os sonhos das pessoas de se unirem umas as outras, e por quê? Por eu simplesmente ter sido magoada... Aquilo realmente não fazia sentido algum, eu ter feito isso todo esse tempo, matando por estar morta por dentro. Por mais que não estivesse mais na Terra em corpo, me sentia mais viva do que nunca. E então, resolvi aceitar minha morte de fato, pelo simples motivo de não poder viver alegria, amor e fraternidade como os vivos estavam vivendo.

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