sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A mãe no cemitério- Rafaela Darthy e Manuella Xavier 1ºC


Rafaela Darthy
Manuella Xavier
1º ano C.

     Era uma noite fria, a lua era cheia e a rua escura e vazia. Os morcegos cortavam o vento, as rajadas assoviavam forte e os galhos das arvores eram arrastados. Dava para escutar a uivada dos cachorros e os passos curtos dos gatos. E nesta rua, estava seu Zé, com seus cabelos grisalhos, sua roupa surrada e seu aspecto cansado de um longo dia de trabalho nas ruas de São Paulo. Ele era catador de lixo e agora seu turno já havia acabado. O que seu Zé mais desejava agora era a sua cama quentinha e macia.
     Foi ai que ele passou pelo cemitério, exatamente o cemitério que sua mãe estava enterrada. Bateu uma saudade da sua velha, que havia falecido há 10 anos, e desde então ele nunca foi visitá-la. Pois então Zé resolveu entrar e fazer uma visita ao túmulo da falecida. Mas ele percebeu, ao passar sua mão pelas fechaduras, que os portões estavam trancados por um enorme cadeado. Ele viu que o muro era baixo, então resolveu pular para poder entrar no cemitério.
      Quando conseguiu passar para o outro lado, foi caminhando a passos curtos procurando pelo túmulo da sua amada mãe. Ficou um pouco perdido, afinal nunca tinha estado ali antes. Foi olhando na parede grande, as letras que indicavam onde cada morto estava. A, B, C, D, E, F... S. Era a fila da sua mãe, a Soraia. Foi passando de túmulo em túmulo, Sandra, Salomão, Samanta, Simaria... Nada de chegar o túmulo da sua velha.        
       Então percebeu um vulto bem na sua frente. No primeiro momento, pensou estar delirando, pois teve um dia muito cansativo e agora não estava raciocinando direito, e não se abalou aparentemente, mas no fundo o seu coração palpitava aceleradamente e sua respiração ficou mais rápida.

Desta vez, com passos mais longos, ele continuou sua caminhada ate que de longe avistou uma senhora com a aparência semelhante a de sua querida mãe. Então seu Zé foi se aproximando para conhecê-la ou para perguntar o que ela afazia no cemitério tão tarde. Mas quanto mais ele andava, mais longe ficava a figura da senhora.  Zé então começou a correr e pedia para que ela não saísse dali.
       Finalmente, quando ele estava prestes a tocá-la, ele percebeu que era realmente a sua mãe! Ele imediatamente se assustou e deu passos rápidos para trás e por conseqüência disso, seu Zé tropeçou em um pedra e caiu, batendo sua cabeça e o tronco em uma árvore. O impacto foi tão grande, que a árvore acabou perdendo um dos seus galhos que caíram rapidamente na sua cabeça e o fez desmaiar.
        A imagem era realmente da sua mãe, que mesmo morta foi ajudar o seu filho. Ela reuniu os seus amigos mortos e juntos, foram fazendo Zé acordar. Quando o sujeito abriu os olhos, e viu vários espíritos juntos, quase caiu no desmaio de novo. Mas a velha Soraia o acalmou, com seu toque quase despercebido sobre o cabelo do filho. Seu Zé foi se acostumando com aquilo tudo, e depois de umas horas já estava conversando e sendo amigo dos espíritos. Sua mãe ficou extremamente orgulhosa, e muito feliz de ter seu filho ao seu lado.
       Com o passar do tempo, todos os dias, Zé aparecia no cemitério para ver sua mãe e seus novos amigos espíritos. Mas é claro, com o segredo absoluto, sem contar a ninguém. E ele sabia que quando morresse, queria ser enterrado ali mesmo, naquele cemitério, pois ficaria eternamente ao lado de sua mãe e dos seus amigos.

      Moral da história: A curiosidade (quase) matou o Zé.·.

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