Clara
Rebeca
1ºC
Já entardecia quando
cheguei na porta da mansão, havia algo
naquele lugar que me despertava muita curiosidade, nunca entendi muito o
porque, mas acho que algumas histórias que encontrei perdidas no porão da minha
casa contribuiu para a minha curiosidade.
Aquele portão com as
inicias EW, aquelas correntes quebradas e o barulho que o portão fazia quando
abria, era como se eu estivesse sendo avisado para não entrar ali. Mas, a minha
vontade falava muito mais alto. Fui entrando, admirando o jardim, algumas
estatuas estranhas, eram gárgulas eu acho, alguns bancos, arvores e flores
secas, um balanço completamente abandonado.
Fui me aproximando da mansão, as luzes estavam apagadas, assim que me
aproximei da porta, ela se abriu lentamente, fazendo aquele barulho de filme de
terror. Confesso que me assustei, mas resolvi seguir e continuar explorando
aquela divina mansão. Ao entrar, velas foram se acendendo e fui percebendo o
quão escuro era aquele lugar. Sofá de cor escura, um roxo quase preto, cortinas
escuras e rasgadas, lareira com cinzas, isso me deixou assustado, pensei que o
lugar era abandonado. Me deparei com um quadro, talvez fosse um autorretrato,
um homem de cara pálida e pose de barão, o que me deixou mais curioso, cada vez
mais queria descobrir aquele mundo.
Haviam três escadas, uma no meio e duas nas laterais, a do meio subia, a
da lateral direita também, mas a da lateral esquerda descia. Resolvi subir
primeiro. Fui subindo pela escada do
centro, no chão um belo tapete vermelho empoeirado. Assim que terminou aquela
longa escadaria, me deparei com um corredor com centenas de portas, cada uma
com seu estilo rústico e único, resolvi começar pela primeira, seria mais
fácil, assim não teria o risco de me perder, eu acho. A primeira porta tinha um
olho mágico, era feita com uma madeira bem escura e tinha uma maçaneta dourada,
com um formato que nunca tinha visto antes, era uma mão, uma garra, não sei
explicar. Entrei, o quarto era bem arrumado, cama de casal, móveis chamativos e
espelhos por toda parte, o que me intrigou demais. Fui para a segunda porta,
era mais feminina, deu pra perceber pelos leves corações esculpidos na madeira
mais clara. Entrei, era realmente um quarto de menina, talvez de uma criança,
tinha boneca por todo canto e as paredes tinham os tons mais claros vistos
naquela casa até agora. Quando sai daquele quarto de menina, entrei na terceira
porta, ela era bem diferente das outras, tinham várias gravuras estranhas,
parecia que era um quarto muito antigo, quando dei meu primeiro passo, me
deparei com algumas aranhas, o que me fez sair correndo. A quarta porta era
completamente normal, parecia até a porta do meu quarto, mas quando abri notei
que era uma enorme biblioteca, resolvi passar adiante. A quinta porta, essa sim
me chamou atenção, tinha uma espécie de escultura de morcego e a maçaneta era
vermelha, nunca tinha visto uma assim. Abri, soltei um suspiro, me deparei com
um cachão, pensei em correr, mas a minha vontade de descobrir tudo aquilo me
fez continuar. Fui entrando
devagarzinho, fui olhando ao redor, velas e cortinas por toda parte, luz do sol
nenhuma se via ali. Não tinha cama, não tinha nenhum móvel além de uma mezinha
com uma pequena taça e uma garrafa vazia. Um lustre com lâmpadas apagadas e
quebradas estava sob a minha cabeça, pensei por alguns segundos que ele poderia
cair, mas quando vi a lareira fui a sua direção, nela algumas gárgulas e velas
completamente derretidas. Quando fui tirar o pó, para poder observar o rosto da
gárgula, uma passagem foi se abrindo dentro da lareira, entrei em pânico, mas
fui corajoso e quis seguir. Quando fui entrando naquela passagem, vi que era um
quarto meio assombrado, haviam teias de aranha por toda parte e notei que o
mesmo autorretrato que estava na sala, também estava aqui, mas não era só um e
sim vários, com poses e caras diferentes, mas sempre mostrando o quanto aquele
ser era importante.
Por algum momento me
senti familiar, mas pensei que isso não seria possível e fui explorando aquele
lugar. Me deparei com folhas, folhas iguais as minhas, folhas da minha
história, daquela história que me motivou a parar aqui. Fui me assustando, como
isso seria possível? Comecei a me questionar, mas não achei nenhuma resposta,
isso não saia da minha cabeça. Resolvi ler para ver se batia realmente com as
minhas histórias, ou se eu já estava vendo coisas. Quando comecei a ler,
percebi que eram realmente as páginas da história que meu pai escrevia, comecei
a entrar em desespero, já não sabia mais o que fazer, muito menos o que pensar.
Resolvi sair correndo
daquele lugar, preciso colocar a minha cabeça no lugar. Quando estou saindo
pela porta da lareira dou de cara com o barão pálido dos quadros.
- O que você está
fazendo na minha casa? – Perguntou o barão.
- Eu vi a porta aberta
e resolvi entrar, sempre quis. – Respondi.
- Como assim? Sempre
quis entrar na minha casa? Mas que absurdo. – Gritou o barão.
- É que eu encontrei
umas histórias no porão da minha casa que contavam sobre essa mansão, fiquei
curioso. Me desculpe. – Já não sabia mais o que eu deveria dizer.
- Todos que entram
nessa casa são punidos, você entrou sem a minha permissão e vai pagar por isso.
– Ameaçou o barão.
Eu sai correndo, mas em
um piscar de olhos o barão já estava ali na minha frente. Não sabia mais o que
fazer, não sabia se corria, se gritava, se me escondia, então fiz tudo de uma
vez só, mas onde eu entrava, onde eu me escondia ele aparecia. Comecei a
desconfiar e achar que aquele barão não era nem um pouco normal. Como um ser
humano, um homem, pode ter uma habilidade assim? Não isso não é normal.
- Não adianta você se
esconder, eu sei todos os cantos dessa casa e você não vai sair daqui. Daqui a
pouco a minha família está chegando e vai me ajudar com a sua punição. –
Afirmou o barão.
- Para de me ameaçar
senhor barão, isso não é justo, isso que estou fazendo é um sonho de criança.
Sempre quis entrar nessa casa, sempre quis saber se o que o meu pai escrevia
era verdadeiro. – Tentei amenizar a situação.
- Regras são regras.
Qualquer pessoa que invade a propriedade Edd Wildem deve ser punida. –
Reafirmou o barão.
- Mas o que o senhor
vai fazer comigo? – Perguntei.
Mas antes que pudesse
ouvir a resposta escuto passos, risadas, falas, a família havia acabado de
chegar. Comecei a pensar se esse seria o meu fim. Ao observar a família, notei
que apesar de todos serem pálidos, cada um tinha um traço diferente, cada um
tinha uma personalidade forte, uma cor de cabelo, uma cor de olhos, uma cor de
boca. Me senti um ET no meio de todos eles, mesmo sabendo que deveria ser o
inverso.
- Família, aproveitando
que todos estão aqui, preciso dizer algo. – Gritou o barão, com um tom de
soberano.
- Ai, o que foi dessa
vez? – Perguntou um garotinho, com roupas escuras e boca avermelhada.
- Esse garoto, ah, como
é mesmo o seu nome? – Perguntou.
- Elias Wilson, senhor.
– Respondi.
- Esse garoto, Elias,
entrou na nossa propriedade na nossa ausência, vasculhou a casa e leu o que não
devia. – Afirmou o barão.
- Como assim o que não
devia? – Perguntei. – Eu só li o que é de autoria do meu pai, histórias sobre
essa casa, mas com a ficção de que vampiros moravam aqui. – Foi quando comecei
a pensar, cara pálida, tons de cabelos, olhos e bocas diferentes,
personalidades distintas, casa super escura, caixão. –
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, vocês são vampiros. – Sai correndo.
- Você não vai fugir,
eu avisei que teria a sua punição. – Retomou o barão.
- Barão, por favor, não
faça nada comigo, não me mata, não me mata. – Comei a implorar.
- Em primeiro lugar,
meu nome é Edd e não me chame mais de barão. Em segundo, não vou te matar, vou
fazer você pagar o preço. – Afirmou o barão.
- Papai, faça do sonho dele,
o seu maior pesadelo! – Disse a menina mais linda que eu já vi em toda a minha
vida, que tinha por nome Alice.
- O que vocês sugerem?
– Perguntou o barão.
Nesse momento, eu já tinha perdido a cor, o
ar, a força, já estava me preparando para a morte, quando a linda Alice diz:
- Faça com que ele seja
um de nós!
- Um de vocês? Não! –
Gritei.
As velas se apagaram,
um vento do nada começou a soprar, tudo estava ficando cada vez mais sombrio,
cada vez mais barulhento, cada vez mais estranho. Do nada uma dor no pescoço
toma conta de mim, fui mordido, estou perdendo os sentidos, estou ficando
tonto, estou com medo, só queria poder voltar pra casa. Gritos tomavam conta da
minha cabeça, conforme ele ia me mordendo, eu ia imaginando uma cara pálida,
uma cor de cabelo. As coisas foram ficando escuras, mas do nada vinha um
clarão, eu estava com vontade de gritar, mas aquela dor estava tomando conta de
mim, estava tomando conta do meu ser. Estou começando a achar que, eu não sei o
que vai ser de mim, só espero que eu não faça mal a ninguém e que eu consiga
descobrir o porque disso tudo ter feito parte da vida do meu pai. Alias a única
coisa que eu sei agora é:
EU SOU UM VAMPIRO!
Ah, tem mais uma
coisa, o meu sonho, acabou se tornando o meu maior pesadelo.
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