Beatriz da Hora Barauna 1º A.
Como se explica
algo que seus olhos veem, mas a mente costuma duvidar? Como se explica o medo
que invade suas entranhas de uma forma incrivelmente assustadora? Meu nome é Sofia,
tenho 21 anos e não costumo acreditar em coisas que não posso ver e nem tocar e
acho que é por isso que eu fui escolhida para passar por tudo aquilo.
13 de julho de
2012, era aniversario de Carla uma amiga minha, e a galera decidiu comemorar em
uma casa de praia na zona sul da cidade, ia ser muito divertido, um final de
semana inteiro só de curtição. 10 horas da manhã, foi a hora em que estávamos
saindo todos de casa. Chegando lá, a Lucia reconheceu que a casa já havia sido
noticia em um jornal local que dizia que uma mulher e seu marido foram passar
um feriado lá e depois disso sumiram, e até hoje não se sabe noticia deles.
Como eu já disse, eu não acredito nessas coisas.
A casa era um
verdadeira bagunça, tinha diversas estatuas de cera, era escura e com muita
umidade. Nos quartos, as camas estavam com os colchões rasgados, infiltração e
o chão rosnava a cada passo que era dado. Como não havia mais tempo de alugar
outra casa, nós tivemos que ficar por ali mesmo. A noite estava chegando e
decidimos fazer uma fogueira, e ficar conversando. E assim fizemos... No meio
da conversa eu fui buscar um vinho. Ao entrar na casa, eu fui direto para a
cozinha, quando estava terminando de tirar o vinho da prateleira eu escuto um
barulho vindo do porão. Infelizmente eu sempre fui muito curiosa, e eu como não
acreditava em fantasmas ou algo do tipo, desci para ver o que era.
O Porão era
realmente uma bagunça, era escuro e cheio de coisas, mas apenas algumas delas
me chamaram atenção. No teto, tinha um objeto, muito parecido com um lustre onde
tinham sete velas de cores diferentes, na parede tinha estampado um símbolo com
um olho dentro de uma pirâmide. Achei tudo muito estranho, quando estava
observando tudo uma luz se acendeu e no centro tinha uma cadeira. Confesso que
achei estranho, mas eu já imaginava que era um dos meninos fazendo brincadeira
e subi as escadas, assim que cheguei ao topo a luz se apagou.
Quando eu
cheguei na fogueira, estava todo mundo conversando sobre as historias da casa e
aproveitando a oportunidade eu perguntei quem foi que fez a brincadeira sem
graça no porão, mas todo mundo disse que ninguém tinha saído dali. Fiquei um
pouco assustada, mas nada que me abalasse ao ponto de ficar com medo. Decidi pesquisar,
sobre as velas, os símbolos e as noticias sobre o caso do casal que desapareceu.
Na casa tinha uma biblioteca, era uma casa antiga, então havia registros da
casa e claro, o meu computador tinha internet então esse foi o meu material de
pesquisa.
Descobri que
antes a casa pertencia a uma família bastante rica e que a casa servia como
local de reunião para rituais que não eram citados no livro, esses rituais eram
sempre referido como as “reuniões para o mestre”. O símbolo significava “os
olhos que tudo vê”, pelo o que eu li, vi que era considerado um símbolo satânico.
Já estava ficando tarde, e estavam todo o indo dormir, e eu já estava fechando
os livros e desligando o computador até que eu ouvi novamente os barulhos vindo
do porão, decidi não descer mas quanto mais eu pensava em não descer a zoada ia
aumentando, como se algo tivesse sendo arrastado por todo o porão.
Eu já estava
subindo as escadas que dava para o quarto quando eu vi algo se arrastando em
minha direção, eu paralisei, eu sabia que não era nenhum dos meninos e nenhuma
das meninas. Era estranho, tinha o corpo deformado, não disse nada, apenas
apontou o dedo para uma direção, quando virei pra ver o pra onde, eu vi que ele
estava apontando pra a porta que dava no porão, me virei pra perguntar pra
aquele ser, o que ele seja, o porquê do porão, mas ele havia sumido. Eu não
desci pra ver o que era e fui me deitar.
Logo pela manhã
a galera toda foi pra praia, eu também fui, esqueci de contar que sou uma ótima
surfista. Peguei minha prancha e fui ver se tirava aquelas coisas da cabeça,
entrei no mar para curtir a sensação de estar mergulhada naquela imensidão.
Quando eu estava sentada na prancha veio a onda perfeita e eu não podia
perdê-la então eu nadei até a frente dela e fui pra a parede, estava quase
pegando o tubo mas me desconcentrei com a imagem daquele ser na minha frente e
fui parar na arrebentação. Quando acordei eu já estava na areia com todo mundo
perguntando se eu estava bem, me levantei e disse que estava tudo bem.
Eu sei que eu
deveria ter contado para os meus amigo o que estava acontecendo, mas eu não
podia, eu sei que eles iam me chamar de boba, e eu sempre fui a durona do
grupo, então eu não podia me deixar abater, vai que é uma brincadeira deles?
Então decidi ficar quieta e ver até onde eles iam. A noite ia chegando e com
ela, o medo. Medo, por eu não saber o que estava acontecendo. Aquela imagem me
assustou realmente. Só esperava que se fossem eles, que parassem logo.
A noite eu
decidi ficar na rede na varanda olhando a lua. Tudo estava tranquilo, já estava
quase pegando no sono, até que o barulho no porão novamente veio me perturbar.
Eu gelei novamente, eu me perguntava o porquê de tudo aquilo e o porquê de só
eu estar passando por tudo aquilo. Eu decidi ir fundo naquilo tudo, peguei uma
lanterna e decidi ir lá em baixo.
Tudo estava do
mesmo jeito que estava ontem, a luz novamente ligou. A diferença é que nela,
que antes estava vazia, agora tem uma menina sentada, aparentava ter oito anos
de idade. Suas roupas já diziam que ela estava na época errada. Ela me chamou,
e eu fui, ela segurou em minha mão, levantou da cadeira dizendo que agente
tinha que fugir dali o mais rápido possivel, eu perguntei o porquê e ela só
respondia, “porque ele esta vindo”. Quando eu me virei lá estava a criatura que
ontem me apontou a porta do porão. E ele dizia.
- Você não
deveria estar fugindo de seu pai. Você sabe o que acontece quando você é mal
criada não é?
Aquela voz gélida,
me arrepiou por completo.
- Mas eu não
acho certo o que você faz com as pessoas, elas não tem culpa de nada do que
acontecia aqui antes. Aquele casal... Eu não concordo pai.
- Você deve
concordar, porque é esse o destino de pessoas curiosas que resolvem mexer em
coisas que estava mais que guardadas... Ela vai ter o que merece, e você também.
Eu não estava
entendendo o que estava acontecendo ali, até que ele pegou a menina e prendeu
na cadeira, com ela gritando. A menina, parou de gritar, e começou a se
contorcer, e gritar coisas em uma língua que eu não entendo. Uns vultos pretos
começaram a aparecer e a entrar no corpo da menina e a cada vulto que entrava,
a menina gritava mais coisas.
Eu assistia
aquilo horrorizada, eu não sabia o que estava acontecendo. Foi quando eu decidi
sair dali, mas não conseguia, minhas pernas pareciam que estavam presas. Eu
tive que assistir tudo aquilo. De tantas coisas entrando no corpo, ouve um
momento que ela já estava toda contorcida no chão. Eu pensava que não podia
ficar pior e eu novamente me enganei. Ela virou a cabeça e olhou profundamente
em meus olhos, como se ela fosse outra pessoa, eu não reconhecia mais os olhos
pretos e meigos, agora o que eu via era uma pupila bem dilatada e pretas. Ela
dizia xingamentos, até que ela paralisou e seu corpo deitou no chão.
Eu tentei me
soltar pra fugir daquele horror, mas não dava. A criatura começou a me dizer
coisas.
- Você sabe
quem eu sou não é Sofia?
- Não, sei que
o senhor matou a sua própria filha, como tem coragem?
- Ela precisava
disso. Quanto a mim, eu sou os olhos que tudo vê, sou o mal, a discórdia, mais
conhecido como satanás.
Minha reação
foi de pleno terror, eu não sabia o que fazer. Tentava me soltar mas não
conseguia.
- Não Sofia,
você não devia ter seguido o barulho, todos que seguem o barulho não se dão bem
no final. É feio ser curioso, você não devia. Acho que merece o mesmo fim que
ela...
No mesmo
momento eu não sei de onde achei forças, e consegui sair dali, sai correndo e subi
as escadas, e como sempre, a luz se apagou.
Depois daquilo
eu decidi vim pra casa como os meus amigos e até hoje, quando escuto barulhos
no porão, eu não vou até lá. Nem que seja por um decreto.
Boa noite.
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