Caliana, Luiza e Andreza
1ºC
Tórridas
lembranças relutavam em reaparecer nos seus pensamentos, distraída olhando pela
janela da carruagem que a levaria para a sua nova morada, suas madeixas
douradas eram chicoteadas pela brisa suave que ali estava presente. E as
lembranças apareceram, seus pais a olhando firmemente quando deram a noticia de
que se casaria com um homem de oitenta e cinco anos, que era proprietário de
muitas terras e que financiava grandes navegações para as índias sendo um dos
nobres que possuía maior poder aquisitivo da costa europeia. Seus olhos se
arregalaram numa expressão apavorante e se tornou mais nítida a juventude de
seu formoso rosto de apenas dezesseis anos. Depois de recebida a noticia
pensara ela em se suicidar ou até mudar-se para um convento, a segunda opção
era mais reconfortante, arrumara as malas e se preparara para rumar-se ao
convento escondida na calada da noite, seus pensamentos foram interrompidos por
uma voz suave:
Cocheiro –
Mileide Sanchez chegamos à cidade de Vermont.
Logo avistei as
lindas ruas calçadas, uma pequena praça no centro da cidadezinha e casas
monumentais construídas pelo requinte de nobres e burgueses, a carruagem ia
rumo ao castelo que ao contrario das modernas arquiteturas ali presente, era um
clássico que alimentava a graciosa vista daquele lugarzinho, o meu olhar
abrangia tudo que podia daquele local, quando foi rumo ao encontro de um belo
homem que me fitava, estava vestido com um fraque preto e uma cartola, seus
olhos verdes esmeralda li proporcionava um ar de sedutor, o modo como sorria
passava a impressão de um homem gentil e decidido, suas golas bem alinhadas
designavam que sua personalidade era recheada com inteligência e experiência,
depois de desviar o olhar observei que a carruagem já havia chegado ao meu castelo.
Cocheiro –
Mileide Sanchez pegarei suas malas e as colocarei no quarto.
Mileide Sanchez
– agradecida deve estar cansado, depois de levar as malas vá descansar, isto é
uma ordem, retruquei e soltei um doce sorriso.
Logo transpassei
a porta do imenso castelo, a governanta veio me cumprimentar, eu a observava
minuciosamente, sua face era comprometida por um imenso ar de cansaço que
parecia ter lhe acumulado ao decorrer de sua vida, seus cabelos eram brancos e
seu olhar vago como o de alguém que já não espera nada de bom que a vida o
traga, ela se apresentou como sinhá Leopoldina:
Sinhá
Leopoldina: sou sua criada mileide, estou as suas ordens.
Mileide Sanchez:
muito obrigada Leopoldina agora irei me deitar
Deitei-me sobre
a cama e como um ato inconsciente as memorias novamente me tomaram, lembrei-me
da minha fuga mal sucedida ao convento. Depois de ter sido pega por um dos
mordomos do meu pai, dois dias depois fui obrigada a subir ao altar, o
casamento foi adiantado por conta da minha fuga desesperadora, em prantos
olhava para o rosto enrugado do velho, que um ano depois veio a orbito, e ali
estava eu uma viúva de imensa fortuna que decidira morar em Vermont, a
escuridão da noite me invadira e dessa forma eu me submeto ao sono.
Amanhecera e o
céu estava esplendidamente lindo com pequenas nuvens desenhadas acima de um
imenso sol dourado, informei ao meu mordomo que preparasse a carruagem, pois
sairia, gostaria de conhecer melhor a cidade.
Cocheiro –
Mileide esta tudo em perfeita ordem já podemos partir. A carruagem desapareceu
no breu da estrada, quando cheguei à praça da cidade eu solicitei que parasse,
desci da carruagem e pedi para que voltasse daqui a mais ou menos uma hora,
decidi entrar em uma confeitaria para tomar um chá levei a pequena xicara aos
meus lábios rosados, o liquido tinha um gosto adocicado um tanto leve e
requintado, minha degustação foi interrompida por um homem de verdes olhos
penetrante.
Don Alejandro –
seria um ultraje se deixasse uma dama de sorriso tão delicado e olhos tão intensos,
desacompanhada.
Acabei envolvida
com tantos elogios que soltei um belo sorriso, ele sentou ao meu lado e pediu
que trouxessem um chá.
Don Alejandro –
hora perdoe-me por não me apresentar, me chamo Don Alejandro.
Mileide - Me
chamo mileide Sanchez de Motié. Aqueles olhos não me eram estranhos e logo me
recordo que era o homem de fraque e cartola preta que havia visto no dia
anterior, em seguida começamos a conversar e ele me envolveu de tal formacom
suas belas palavras e sua imensa inteligência que sentir-mereconfortada e
compreendidapela primeira vez, ele havia ganhado minha total confiança em
poucos segundos, contei-lhe sobre o meu casamento forçado, sobre as riquezas
que havia herdadoe de como o meu falecido marido me tratava mal, e descobri que
compartilhávamos gostos semelhantes, liamos os mesmos romances, tocávamospiano,
o tempo passou tão rapidamente igualmente a um piscar de cílios e tive que me
retirar, depois de nos despedirmos fui convidada para um piquenique na
floresta, ele me apanharia cedinho ,hesitei por um momento mas aceitei a
proposta, ele abriu a porta da confeitaria para que eu saísse primeiro, um
perfeito ato de cavalheirismo, entrei na
carruagem radiante, uma confusa mistura de sentimentos bombardeou meu coração
estava alegre e encantada, a melhor palavra a se encaixar é felicidade fazia
muito tempo que não há sentia.
Entrei no
castelo saltitante e me dirigi à cozinha lá encontrei Leopoldina, a
cumprimenteiela perguntou se eu queria algo para comer que ela prepararia,
responde que não, mas fui tomada por uma imensa curiosidade de saber mais sobre
o cavalheiro que conheci apesar da nossa longa conversa eu sabia muito pouco
sobre ele assim perguntei.
- sinhá
Leopoldina tu já escutastes falar ou até conheceste Don Alejandro um homem alto
de olhos verdes cabelos negros?
Tive a súbita
impressão de que ela ficou assustada quando mencionei o nome do belo homem,
virou-se de costas para mim e disse:
Sinhá
Leopoldina- Não Mileide nunca escutei, mal saio desse castelo não conheço quase
ninguém.
Quando se virou
para mim estava com a face pálida e os olhos um pouco marejados de lagrimas,
logo deduzi que sua reação só podia ser daquela forma, pois quase nunca saíra
daquele castelo devia estar cansada sobrecarregada, fatigada. Então resolvi a
convidar para participar do piquenique e disse que ela deveria se divertir,
pois trabalhava muito, Leopoldina aceitou, e fui tomada por uma enorme
esperança de trazer vida para aqueles olhos mortos, que parecia ser coberto de
infelizes lembranças de um passado perturbado. Amanheceu rapidamente, pois no
verão as noites são mais curtas, o sol brilhava acima das montanhas, o dia
estava fresco e com um leve aroma de rosas, e eu me sentia excessivamente
feliz, quando desci o primeiro lance de escada passei no quarto da sinhá
Leopoldina , ela também já estava preparada, logo Don Alejandro chegou,
informei a ele que havia convidado uma amiga para nos acompanhar, ele sorriu
cordialmente e disse que estava muito curioso para conhecê-la. Leopoldina
desceu as escadas eu a tomei pela mão e a apresentei para Alejandro, ele a
cumprimentou ela retribuiu seus comprimentos, ambos pareciam perturbados, os
dois exibiam um olhar de diferentes sentimentos, a sinhá o olhava transmitindo
pena e saudade, e ele a olhava parecendo estar carregado de ódio e
ressentimento, não entende bem o que se passava talvez eu é que estivesse tendo impressões erradas,
mais fiquei contente dele a cumprimentar, pois atualmente havia uma grande
diferença hierárquica, nunca adotei essa ideologia ao contrario dos meus pais
que exibiam seu poder submetendo os servos a constantes humilhações, prometi a
mim mesma que nunca seria igual a eles.
Dirigimo-nos a
floresta, fomos caminhando, ao chegarmos preparamos o local onde iriamos nos
sentar, logo começamos a degustar tudo que havíamos levado, eu e Don
conversávamos muito ele já não apresentava o mesmo olhar de ódio e
ressentimento, Leopoldina permanecia calada mas em uma hora ou outra
apresentava um sorriso forçado e permanecia com o mesmo olhar de minutos atrás
, quando terminamos Alejandro nos acompanhou até o castelo, me despedi do gentil homem , quando transpassei
a porta do burgo ele esticou levemente o
meu braço eu virei e o fitei , ele me deu uma rosa branca e disse:
Don Alejandro –
tua alma é tão pura e tão delicada quanto ela. Concederia-me a honra de ser
minha acompanhante no baile de mascaras que ocorrerá no palácio do burguês
Gaspar?
Minha alma foi
preenchida por um imenso sentimento de amor, eu estava completamente rendida pelo
jeito encantador e misterioso daquele lindo homem. Os dias passavam rapidamente
cobertos pela alegria das flores que surgiam, a primavera havia chegado e com
ela o majestoso baile. Aquela noite estava coberta por refrescantes brisas, o
céu estava estrelado, e eu já estava pronta, com um lindo vestido azul e grande
azas branca, havia me caracterizado de anjo, encomendei uma linda mascara vinda
de paris era branca e ao redor dos olhos dourada.
Sinhá
Leopoldina- Don Alejandro chegou Mileide Sanchez. Descias escadas Alejandro
tomou- me pelo braço e me guiou até a carruagem, ele estava divinamente lindo,
uma mascara negra cobria o teu rosto, seria impossível de o conhecer a não ser
pelos seus lindos olhos verde esmeralda. Quando chegamos ao baile todos os cumprimentavam
paramos perto das estatuas que embelezavam
aquele imenso palácio, então ele me disse que precisava falar com um
amigo e pediu para que eu o esperasse ali.
Horas se
passavame Alejandro não voltou resolvi
ir para casa, transpassei a porta do palácio e olhei para trás tomada por uma
imensa duvida se ficava ou partia, senti alguém puxando meu braço bruscamente,
esse alguém me levava em direção a floresta fiquei apavorada tentei gritar
mais ninguém me escutava, esse alguém
era um homem ,pois podia sentir a força dos seus braços esbofeteando meu rosto,
apesar de estar escuro pude ver atrás da mascara apenas seus cativantes olhos
verde esmeralda.
Por um longo
período de tempo continuei a ser esbofeteada, tentei manter minhas mãos firmes
ao chão para tentar me levantar quando toquei em uma enorme pedra, reuni todas
as minhas forças e a segurei firme e rumei contra teu rosto, ele ficou
atordoado aproveitei este momento e corri o mais depressa que pude floresta adentro,
parei um momentoe retomei o folego me apoiando em uma grande arvore, escutei
passos rápidos vindo em minha direção e continuei a correr. Quando vi os
portões do castelo fui tomada por um alivio imediato e já não escutava passos
atrás de mim, transpassei o portão abri as enormes portas e subi rumo ao meu
quarto. A sinháLeopoldina viu que eu
havia chegado e foi em direção ao meu quarto para ver se eu precisava de algo.
Sinhá
Leopoldina- chegou cedo Mileide Sanchez, quando ela levantou o olhar e viu meu
rosto foi tomada por uma expressão horrorizada.
Sinhá
Leopoldina- hoo céus, meu deus o que houve?
Contei a ela
tudo o que havia sucedido e apesar de tudo acontecer tão rapidamente suspeitava
de alguém, ou melhor, uma parte de mim suspeitava a outra a amava. Quando
mencionei o nome do suspeito esperava que elaapresentasse surpresa, mas não foi
essa a expressão que a invadira, a sinhá
começou a me contar varias historias de casos como o meu , que
haviam acontecido em Vermont , de
mulheres que haviam sido violentadas e espancadas depois mortas por um
psicopata que estava a solta fazia dois anos, cometendo aquelas atrocidades,
ela também me revelou naquela noite sombria que conhecia Don Alejandro, pois
morava próximo a suas casa no mesmo feudo, e era melhor amiga da mãe dele, segredos obscuros foram
revelados naquela conturbada noite.
Sinhá
Leopoldina- Mileide, Don foi violentado pelo seu próprio pai durante toda a sua
infância, além de ser espancado e humilhado. E sua mãe, pobre coitada também
sofria o marido a espancava constantemente, na adolescência Alejandro resolveu
ir embora, apesar da sua mãe não ter culpa ele guardava um imenso ódio dela,
depois de muito tempoAlejandro voltou como um homem rico, sua mãerevelou-me
antes de morrer que ele foi pro oriente e matou um homem com grande poder aquisitivo,
tomou seu titulo e sua fortuna, quando o vi não o reconheci aquele frágil
menino se tornou um homem cruel, um psicopata! Tenho vergonha por sua própria
mãe, posso lhe afirma Sanchez que ela não contribuiu para Alejandro se tornar o
monstro que se tornou, e a sinhá começou a chorar, um lamento agoniado e
desesperado, eu a abracei e ficamos ali
por longos minutos, perguntei a ela onde se encontrava o pai dele, ela
disse que havia morrido dois anos depois
que Don partira. Encarando-me com os seus imensos olhos vagos ela
suplicou para que eu partisse, pois ele voltaria para me matar.
Passaram-se duas
semanas e o alienado não deu sinal de vida, resolvi ir a igreja rezar por ele,
pois apesar de odiá-lo ainda restavam respingos de pena e amor no meu coração,
para onde quer que eu fosse à sinhá me acompanhava.
Certa noite a
qual estava coberta por um vento frio, depois de ler um dos meus inúmeros
romances e tocar um pouco de piano resolvi me deitar, me despedi de Leopoldina
que havia ficado na sala fazendo tricô, entrei no quarto e fechei as janelas,
pois o vento frio impedia que a vela continuasse acesa, depois acendi todas as
lamparinas, quando fui interrompida por uma voz grave e sarcástica.
Don Alejandro-
Boa noite Sanchez, espero que tenha sentido minha falta querida, Minha face
ficou embranquecida tanto quanto um papel.
Don Alejandro-
me concederia uma dança?
Sanchez- saia
daqui agora! Berrava e gritava
Don
Alejandro-por favor, queridafale mais baixo, não gosto que grite comigo, agora
venha vamos dançar. Tomou-me pelo braço e começou a cantarolar uma valsa lenta
, eu o implorava para que parasse então ele disse:
Don Alejandro-
psiu, fique quieta amor, aproveite atesdeu lhe matar, o grande problema da vida
é que as pessoas não sabem aproveitaros belos momentos, mas tem pessoas que nem
belos momentos têm na vida, então pare de reclamar!
Em fim
Leopoldina apareceu na porta, e soltou uma frase que se difundiu no vácuo do
imenso castelo.
Sinhá
Leopoldina-por favor, filho pare com isso!
Sanchez- como
assim? Você é a mãe dele! Berrei tomada por um imenso espanto.
Sinhá Leopoldina- sim ele é o meu filho,
Alejandro como pode se tornar isso?
Alejandro-
cale-se mãequem é você para falar assim, nunca me defendeu dosabusos que eu
sofria.
Sinhá
Leopoldina- pare de mentir eu sempre o defendi e sofria também por isso.
Alejandro- bom
vejamos Mileide, hoje vai ter plateia para prestigiar a sua morte, e ria um
riso sarcástico.
Leopoldina
suspendeu a espingarda e mirou para Don, - se não solta-la eu o matarei. Ele me
soltou e eu corri para perto da sinhá, então ela disse com lagrimas nos olhos:
Leopoldina- eu o
amo meu filho, mas terei que matar o monstro que foi despertado dentro de você
e o tiro soou estrondoso.
Naquela noite
não era o menino Alejandro que morrera, pois este já havia morrido, mas sim Don
Alejandro, o homem alienado e sem sentimentos que havia se tornado, por fim vi
os seus olhos verdes esmeralda se fecharem.
A história é muito interessante, além de possuir um conteúdo maduro! Excelente!!
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