sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Paranoia na Sexta-feira 13-Paulo Roberto Junior 1ºA

Paulo Roberto Junior 1ºA


Numa noite assustadora de sexta-feira 13, espalhavam-se boatos de que bruxas haviam invadido a cidade de Ilhéus, a fim de cometer assassinatos dolorosos.
Eu estava passeando pela avenida com dois amigos, Ricardo e Diego, quando vimos algo passar por cima de nós soltando gargalhadas, logo, Ricardo tão medroso que era, começou a tremer e sussurrou:
           — Cara eu estou com medo, você não ouviu falar da tal invasão de Bruxas?

— Ricardo, essas coisas não existem, para de pensar nisso por um instante! - Reclamou Diego.
Nós continuamos andando, íamos à direção do parque, era grande, estava cheio, pois era a sua primeira noite na cidade. Chegamos muito ansiosos, queríamos entrar em todos os brinquedos, logo avistamos o famoso e assustador Trem Fantasmas.
Fomos nos aproximando do Trem Fantasmas e percebemos que seria muito difícil entrar no brinquedo, pois a fila era enorme.
— Manos vocês acham que devemos ficar e esperar a nossa vez? - Eu perguntei.
— Cara isso vai demorar muito, é melhor irmos procurar um com menos pessoas na espera...
— Você só está falando disso, porque é medroso, qual a sua sugestão, o carrossel?! – Diego interrompeu Ricardo.
Então após quase meia hora finalmente estava chegando a nossa vez. O carrinho com certos três lugares parou na nossa frente e nós todos, com os corações acelerados, sentamos nos bancos, eram dois na frente e um atrás, Ricardo como foi o último a sentar ficou no de trás, o que aumentou ainda mais o desespero dele.
— Está tudo bem com você? - Diego perguntou rindo.
— Por que não estaria? - Ricardo tentando disfarçar o que estava sentindo.
A conversa foi interrompida pelo rapaz que controla o brinquedo, que rapidamente acionou o carrinho. Lá dentro estava tudo muito escuro, não conseguíamos enxergar nada, só ouvíamos o barulho irritante do trenzinho passando nos trilhos, tac tac, que era de dar medo.
O trenzinho estava devagar, quando de repende ao nosso lado aparece uma luz vermelha, a qual mostrava um vampiro dando risadas assombrosas, depois na nossa frente passaram dois fantasmas, tudo seguido de muitos gritos, um pouco adiante o carrinho se dirigia para um lobisomem que fazia muito barulho e ficava se balançando como se fosse nos pegar, eram tantos gritos que dávamos que estávamos ficando rocos. Quando ficamos de frente com o lobisomem o trenzinho deu uma virada brusca nos desviando do bicho.
Se aproximando do final, um raio bem forte de luz impediu que nós enxergássemos alguma coisa, só conseguíamos ouvir a mesma gargalhada de um tempo atrás.
— O que é que está acontecendo? - perguntei.
— Eu não sei, não vejo nada! - gritou Diego.
— Ahhhh, socorro!!!! - gritos de Ricardo.
O feixe de luz foi desaparecendo, logo percebemos que o trenzinho estava parado. Assustados, eu e Diego vimos um vulto seguido de gemidos de Ricardo, era uma bruxa que estava o carregando em sua vassoura.
— Espere, não o leve sua maldita!! - Diego gritou desesperado.
Do nada o carrinho voltou a funcionar e estava mais rápido que o normal, logo chegamos ao fim do circuito. Do lado de fora as pessoas que estavam esperando a vez delas entrarem, viram a bruxa com o nosso amigo sendo levado e ficaram espantadas e algumas começaram a gritar, então eu perguntei:
— Alguém aqui viu pra onde ela o levou?
— Eu a vi indo na direção da Roda Gigante. - disse uma mulher.
Nós fomos correndo para poder alcança-la, mas quando chegamos algo de estranho estava acontecendo, pois todas as pessoas que estavam na Roda Gigante e também as que estavam observando de fora ficaram gritando, pois o brinquedo havia parado e o banquinho que estava lá no topo ficou de cabeça para baixo, tinha uma pessoa segurando na barra de proteção, quase caindo pedindo ajuda, era o Ricardo.
Eu corri em direção à cabine que controla a Roda Gigante para pedir ajuda ao senhor que comanda ela.
— Senhor tem um menino caindo lá de cima e o brinquedo está parado, ele vai morrer se não ajudar!!
— Desculpe, mas eu não consigo mexer nada aqui, parece que tudo quebrou de uma hora para outra. - ele disse.
Então a única coisa que podíamos fazer é esperar a polícia, a ambulância, o bombeiro, qualquer coisa que pudesse ajudá-lo. Alguns minutos depois, os bombeiros chegaram e logo vão tentando subir e tirar de algum jeito o Ricardo.
Era tanto desespero por parte de todas as pessoas, Ricardo tentava lutar por sua vida que dependia de sua força em aguentar segurar a barra de ferro. Os bombeiros estavam agindo com rapidez, um dava a instrução para que ocorresse tudo bem, três escalavam o brinquedo para chegar até Ricardo, enquanto o resto estava lá em baixo esperando algum pedido de reforço.
— Garoto aguente firme, nós vamos te alcançar! - disse um dos bombeiros.
—Minha mão está suando, não vou conseguir, por favor, sejam rápidos! - respondeu Ricardo.
Ricardo estava prestes a ser salvo, mas a bruxa voltou para terminar o serviço, ela lançou um feitiço que fez a barra derreter, então o esforço de Ricardo foi em vão, ele caiu, tentou se segurar em alguma coisa, mas virou e bateu a cabeça em um ferro e se espatifou no chão.
A ambulância já havia chegado e tinham que agir muito rápido para tentar salvar a vida dele, uma multidão de pessoas se reuniu em segundos em volta de Ricardo que estava desacordado.
— Saiam da frente, saiam da frente!! - gritavam os enfermeiros.
Eles deram os primeiros socorros, colocaram Ricardo na maca e foram com ele para dentro da ambulância.
- Nós vamos com ele, somos amigos. - Diego disse.
Permitiram que entrássemos. Os enfermeiros usaram um aparelho de reanimação cardiorrespiratória, mas não tiverem um bom aproveitamento, o jeito era esperar que chegássemos ao hospital para melhorar o atendimento. Eu peguei na mão do meu amigo e com muita confiança falei:
— Aguenta firme mano, tudo vai terminar bem!
Pude ver no canto dos olhos dele, lágrimas escorrerem, em poucos instantes o aparelho que mede os batimentos cardíacos começou a apitar com muita velocidade e de repente estabilizou, piiiiiiiii, este barulho era desagradável. Houve uma movimentação muito grande dentro da ambulância, pois os enfermeiros tentavam reanimar Ricardo de tudo quanto era jeito e do nada o motorista deu uma freada extremamente brusca, o que fez com que eu batesse a cabeça na porta do carro e desacordei.
— Cara acorda, acorda! - Ricardo gritando.
— Ahn? O que aconteceu? Você não tinha morrido? - eu perguntei sem entender nada.
— Deus me livre cara, vira essa boca pra lá.
Ele me levantou e claro eu continuava sem entender como isso poderia estar acontecendo.
           — Como você está aqui, ou melhor, onde nós estamos? Cadê o Diego?

— Cara eu não sei do que você está falando, mas estamos no parque e o Diego foi comprar água para a gente. - Ricardo respondeu.
— Eu estou sentindo uma dor na cabeça terrível, não consigo me lembrar muito bem do que aconteceu, só lembro da ambulância, nossa que dor!!
— Que ambulância? Você ta ficando doido! É o seguinte vou te contar o que aconteceu.
— Está bem. - concordei com Ricardo.
— Bem, nós estávamos no Trem Fantasmas, numa parte que nos aproximávamos de um lobisomem, o trensinho nos levava na direção dele, quando deu uma virada brusca e você levou um tombo e caiu desarcodado.
— Ah, sim! Mas eu apenas me lembro do lobisomem.
— Agora me conte essa história deu ter morrido. - falou Ricardo com uma cara de preocupado.
— Agora está explicada esta imaginação bizarra que eu tive. Você tinha sido levado por uma bruxa, colocado no topo da Roda Gigante, depois você caiu, foi socorrido, mas faleceu dentro da ambulância a caminho do hospital. - expliquei.
Depois disso tudo Diego chegou, trocamos ideias sobre tudo que havia ocorrido e caímos na gargalhada. Descansamos um pouco, logo, decidimos voltar para nossas casas.
— Manos essa sexta-feira 13 prometeu mesmo, foi uma loucura! - eu disse.
— Foi sim. - eles responderam.
— Até amanhã! - eu.
— Tchau! - Diego.
— Boa noite! - Ricardo.
Cheguei à minha casa tomei banho, tratei do meu machucado na cabeça, deitei na cama e imaginei como seria se toda semana houvesse “sexta-feira 13”.

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