Maria Isabel
1ºC
No relógio
marcava 08h30min da manhã, quando eu estava descendo as escadas para ir acampar
com os meus amigos .Chegando lá a Júlia e a Lara começaram logo a brigar :
-- Eu disse que
deveríamos ir a praia não para esse “fim de mundo”! –disse Júlia. e como é
sempre do contra Lara respondeu:
-- Deixa de ser
fresca garota!
-- Mas aqui tem
espécies de mosquitos que a ciência desconhece! –disse Júlia já irritada.
Tentando
contê-las eu disse:
-- Parem vocês duas!
Pensem pelo lado positivo...
Lara me
interrompeu falando:
-- E tem um?!
-- Claro que
sim! Esse lugar é incrível! Olhe ,uma paisagem deslumbrante ,e ouça o barulho
das águas do rio. -Completei.
Finalmente consegui
que as duas ficassem calmas por um momento, então meu amigo Pedro e seu primo
João foram logo montando as barracas, pois estava parecendo que mais tarde iria
chover , claro que as meninas e eu ajudamos. Quando acabamos de montar o
acampamento ,Pedro propôs :
-- Galera !
vamos dar um mergulho?
-- Mas já são
17:30 da tarde ,está ficando escuro ! –disse Júlia tentando convencer Pedro,
então pela primeira vez Lara concordou com a irmã e falou:
-- isso mesmo, pois
até chegar ao rio temos que ir por uma trilha, e meu primo que já acampou aqui
disse que é uns vinte minutos de caminhada.
-- Deixem de serem
bobas vocês duas! Já vamos ir embora amanhã, vamos aproveitar... -Pedro fez uma
pausa em sua fala e concluiu-Espera aí vocês estão com medo! –disse Pedro dando
altas gargalhadas.
As meninas e eu
nos sentimos ofendidas por ter sido chamadas de medrosas e caímos na provocação
de Pedro dizendo:
-- Não é questão
de medo e sim de prevenção... –como sempre o mal educado do João me interrompeu:
-- Prevenção do
que? Dos mosquitinhos?
Já muito
irritadas resolvemos:
-- Vamos provar
para vocês que estão errados, espere cinco minutos, que vamos pôr o traje de
banho!
Enquanto isso os
meninos, satisfeitos, procuram a lanterna e algumas capas de chuva para alguma
emergência, se for o caso. E então todos vão mata adentro para chegar ao rio
conhecido por suas águas agitadas e escuras.
Chegando ao rio
nos divertimos como nunca, comecei a achar que os meninos estavam certos aliás
tínhamos que aproveitar o pouco tempo que restava, observei a lua cheia que
estava linda como nunca fiquei impressionada ,até que percebi que estava muito
tarde e gritei para que todos ouvissem :
-- Pessoal! Já
são 19h30min . Vamos embora!
Todos nós saímos
do rio apressados, e como se já não bastasse começou a cair uma forte chuva que
já tínhamos previsto desde cedo, mas como os meninos são teimosos tivemos que
vir. Eu, Lara e Júlia começamos a gritar com os meninos ,já que avisamos que
poderia ser perigoso.
-- Seus idiotas!
Nós não avisamos? –disse Júlia furiosa.
-- Calma meninas
é só uma chuva passageira. Trouxemos algumas capas e uma lanterna _disse João
na tentativa frustrada de nos acalmar.
-- Tá bom! Então
vamos logo!
Vestimos
rapidamente as roupas e as capas e fomos em direção à trilha. Quando entramos
na mata completamente úmida e sombria, João recuou alguns passos e o desespero
de todos nós estava nítido na expressão que cada um fazia a cada passo, ouvia-se
os cantos das corujas e das cigarras até que Lara interrompeu o silêncio entre
nós :
-- Gente já faz
uns trinta minutos que saímos do rio! Já era para estarmos no acampamento!
Foi neste
momento que tivemos conta que estávamos no caminho errado. Pedro já estava
percebendo que toda aquela situação de desespero era culpa dele e tentou se desculpar:
-- Galera foi
mal. Eu não imaginei que isso poderia acontecer.
Então Júlia
disse com certa ironia:
-- Agora vocês
estão com medo dos mosquitinhos?!
_Agora não é
hora para discussão! Vocês já perceberam que estamos perdidos? –Indaguei ,então
todos se calaram e foram caminhando lentamente pela mata tentando achar o
caminho de volta.
A Júlia que já
estava desesperada com a situação começou a ter uma crise de choro e Lara
tentou consola-la dizendo:
_calma, vai dar
tudo certo. –ela dizia com a voz pouco confiante e trêmula por causa do frio.
A noite estava
apavorante, o que começou com uma simples visita ao rio havia se tornado um
pesadelo. Mal sabíamos que as coisas iam ficar piores, como se já não bastasse
uma cobra apareceu em nossa frente. Eu e Lara corremos desesperadas e a Julia
ficou parada feito uma estátua olhando os meninos que tentavam matar a cobra a
qualquer custo, até que conseguiram mata-la a pauladas. Na tentativa de fuga
Lara torceu o pé e caiu da ribanceira batendo com a cabeça em uma pedra.
Comecei a gritar feito uma louca vendo que minha amiga estava sangrando.
Quando os outros
chegaram e viram aquela cena terrível, João queria tira-la imediatamente
daquela situação e gritava o seu nome com esperanças de que ela acordasse, mas
nada aconteceu. Ela continuava inconsciente.
Pedro pegou a
corda que carregava em sua mochila, a amarrou em uma árvore e em sua cintura para
descer e resgata-la. Para não continuar me sentindo impotente disse:
_Deixa que eu
seguro a lanterna!
Assim ele desceu
e trouxe a Lara para cima da ribanceira onde realizamos os primeiros socorros.
Julia desesperada pelo estado da irmã que se encontrava, arrancou um pedaço da
sua blusa e fez uma “atadura” para o corte na cabeça de Lara.
Após isso João a
pegou no colo e a carregou por alguns minutos ate que encontramos uma caverna
para passarmos a noite, era um lugar escuro e úmido, porém não tínhamos escolha
com Lara naquela situação. O tempo estava passando cada vez mais devagar, enquanto
nossa ansiedade e tenção aumentava cada vez mais ,no relógio de João já marcava
23:30 da noite ,a chuva não dava trégua.
Com o passar de algumas horas Lara acordou
para a alegria de todos ,claro que estava muito machucada e fraca mas aquele
simples gesto de abrir os olhos e nos reconhecer foi o bastante para nos
tranquilizar. Júlia abraçou num gesto de carinho a irmã dizendo:
_Desculpas por
tudo... Prometo que vou fazer de tudo para nunca mais brigarmos. –o singelo
sorriso de Lara mostrou que a perdoava.
Após uma longa
noite, quando saímos da caverna a chuva tinha cessado ,o sol ainda estava ao
nascer, era preciso chegar ao acampamento o quanto antes e levar Lara muito
debilitada, a um hospital, então voltamos a procurar a trilha ,com João e Pedro
ajudando Lara a caminhar. Assumi a liderança e resolvi retornar ao rio para
tentar recuperar a trilha de volta, e passei a ideia adiante:
_Galera é melhor
retornarmos ao rio, para isso vou precisar da ajuda de todos ,vamos seguir em
silêncio para ouvir melhor o rio.
Não queria
demonstrar cansaço mas as dores estavam por todo o corpo ,não apenas no meu mas
em todos meus amigos ,quanto mais em Lara que chorava em silêncio. João tentava
incentivar dizendo:
_Vamos! Estamos
quase lá o barulho do rio está aumentando cada vez mais!
Mas o silêncio
continuava até que encontramos o rio ,é verdade que estávamos um pouco abaixo
do local porém isto não se tornou um grande problema ,o sorriso de confiança
voltou as nossas faces repletas de olheiras.
_Conseguimos!
–falou Pedro com um sopro de vitória.
Subimos pela
margem do rio até que reconheci o caminho que dava acesso ao acampamento
aceleramos os passos mesmo com muitas bolhas nos pés. Quando chegamos comecei a
chorar mas por alegria apesar do acampamento ter sido destruído completamente
pela força da tempestade do dia anterior .Todos nós nos abraçamos percebendo
que havia um laço de amizade mais forte do que se imaginava ,apesar do mal
feito dos meninos eles continuaram sendo mais fortes do que se imaginava sendo
de grande importância principalmente nos incentivando para não desistir.
Pedro foi logo
recolhendo as coisas para por no carro, colocamos Lara que não aguentava mais
de dor no banco de traz ,quando pegamos a estrada de volta já era oito horas da
manhã a primeira parada seria no hospital que se localizava na entrada da
cidade.
Faltando uns
quinze minutos para chegar ao hospital o carro parou de funcionar para
desespero de todos mas felizmente já tinha sinal no local ,então Júlia ligou
para o resgate informando nossa situação:
_Gente, eles
disseram que em dez minutos chega aqui.
_Tudo bem
,alguns minutos não são nada comparado ao tempo que ficamos perdidos! –disse
Pedro.
Quando o resgate
e o reboque chegou ,a alegria contagiou a todos ,a equipe medica deu prioridade
a Lara mas insistiu que todos nós fossemos para realizar alguns exames pois
estávamos muito abatidos.
Contando nossa
história aos médicos eles ficaram surpresos com tanta coragem ,tivemos que
tomar algumas medicações por prevenção, mas tudo acabou bem Júlia avisou às
famílias que vieram rapidamente para
prestar apoio.
Depois desta
“aventura” prometemos que nunca mais iriamos acampar tão distante da cidade.
Gente, adorei o conto. Pois eu adoro acampar e agora ficarei mais atenta, porque essa é uma história bem possível. Parabéns !
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