sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Acampamento - Allicya Cristina e Maria Isabel 1º C

Allicya Cristina
Maria Isabel
1ºC

No relógio marcava 08h30min da manhã, quando eu estava descendo as escadas para ir acampar com os meus amigos .Chegando lá a Júlia e a Lara começaram logo a brigar :

-- Eu disse que deveríamos ir a praia não para esse “fim de mundo”! –disse Júlia. e como é sempre do contra Lara respondeu:

-- Deixa de ser fresca garota!

-- Mas aqui tem espécies de mosquitos que a ciência desconhece! –disse Júlia já irritada.

Tentando contê-las eu disse:

-- Parem vocês duas! Pensem pelo lado positivo...

Lara me interrompeu falando:

-- E tem um?!

-- Claro que sim! Esse lugar é incrível! Olhe ,uma paisagem deslumbrante ,e ouça o barulho das águas do rio. -Completei.

Finalmente consegui que as duas ficassem calmas por um momento, então meu amigo Pedro e seu primo João foram logo montando as barracas, pois estava parecendo que mais tarde iria chover , claro que as meninas e eu ajudamos. Quando acabamos de montar o acampamento ,Pedro propôs :

-- Galera ! vamos dar um mergulho?

-- Mas já são 17:30 da tarde ,está ficando escuro ! –disse Júlia tentando convencer Pedro, então pela primeira vez Lara concordou com a irmã e falou:

-- isso mesmo, pois até chegar ao rio temos que ir por uma trilha, e meu primo que já acampou aqui disse que é uns vinte minutos de caminhada.

-- Deixem de serem bobas vocês duas! Já vamos ir embora amanhã, vamos aproveitar... -Pedro fez uma pausa em sua fala e concluiu-Espera aí vocês estão com medo! –disse Pedro dando altas gargalhadas.

As meninas e eu nos sentimos ofendidas por ter sido chamadas de medrosas e caímos na provocação de Pedro dizendo:

-- Não é questão de medo e sim de prevenção... –como sempre o mal educado do João me interrompeu:

-- Prevenção do que? Dos mosquitinhos?

Já muito irritadas resolvemos:

-- Vamos provar para vocês que estão errados, espere cinco minutos, que vamos pôr o traje de banho!

Enquanto isso os meninos, satisfeitos, procuram a lanterna e algumas capas de chuva para alguma emergência, se for o caso. E então todos vão mata adentro para chegar ao rio conhecido por suas águas agitadas e escuras.

Chegando ao rio nos divertimos como nunca, comecei a achar que os meninos estavam certos aliás tínhamos que aproveitar o pouco tempo que restava, observei a lua cheia que estava linda como nunca fiquei impressionada ,até que percebi que estava muito tarde e gritei para que todos ouvissem :

-- Pessoal! Já são 19h30min . Vamos embora!

Todos nós saímos do rio apressados, e como se já não bastasse começou a cair uma forte chuva que já tínhamos previsto desde cedo, mas como os meninos são teimosos tivemos que vir. Eu, Lara e Júlia começamos a gritar com os meninos ,já que avisamos que poderia ser perigoso.

-- Seus idiotas! Nós não avisamos? –disse Júlia furiosa.

-- Calma meninas é só uma chuva passageira. Trouxemos algumas capas e uma lanterna _disse João na tentativa frustrada de nos acalmar.

-- Tá bom! Então vamos logo!

Vestimos rapidamente as roupas e as capas e fomos em direção à trilha. Quando entramos na mata completamente úmida e sombria, João recuou alguns passos e o desespero de todos nós estava nítido na expressão que cada um fazia a cada passo, ouvia-se os cantos das corujas e das cigarras até que Lara interrompeu o silêncio entre nós :

-- Gente já faz uns trinta minutos que saímos do rio! Já era para estarmos no acampamento!

Foi neste momento que tivemos conta que estávamos no caminho errado. Pedro já estava percebendo que toda aquela situação de desespero era culpa dele e tentou se desculpar:

-- Galera foi mal. Eu não imaginei que isso poderia acontecer.

Então Júlia disse com certa ironia:

-- Agora vocês estão com medo dos mosquitinhos?!

_Agora não é hora para discussão! Vocês já perceberam que estamos perdidos? –Indaguei ,então todos se calaram e foram caminhando lentamente pela mata tentando achar o caminho de volta.

A Júlia que já estava desesperada com a situação começou a ter uma crise de choro e Lara tentou consola-la dizendo:

_calma, vai dar tudo certo. –ela dizia com a voz pouco confiante e trêmula por causa do frio.

A noite estava apavorante, o que começou com uma simples visita ao rio havia se tornado um pesadelo. Mal sabíamos que as coisas iam ficar piores, como se já não bastasse uma cobra apareceu em nossa frente. Eu e Lara corremos desesperadas e a Julia ficou parada feito uma estátua olhando os meninos que tentavam matar a cobra a qualquer custo, até que conseguiram mata-la a pauladas. Na tentativa de fuga Lara torceu o pé e caiu da ribanceira batendo com a cabeça em uma pedra. Comecei a gritar feito uma louca vendo que minha amiga estava sangrando.

Quando os outros chegaram e viram aquela cena terrível, João queria tira-la imediatamente daquela situação e gritava o seu nome com esperanças de que ela acordasse, mas nada aconteceu. Ela continuava inconsciente.

Pedro pegou a corda que carregava em sua mochila, a amarrou em uma árvore e em sua cintura para descer e resgata-la. Para não continuar me sentindo impotente disse:

_Deixa que eu seguro a lanterna!

Assim ele desceu e trouxe a Lara para cima da ribanceira onde realizamos os primeiros socorros. Julia desesperada pelo estado da irmã que se encontrava, arrancou um pedaço da sua blusa e fez uma “atadura” para o corte na cabeça de Lara.

Após isso João a pegou no colo e a carregou por alguns minutos ate que encontramos uma caverna para passarmos a noite, era um lugar escuro e úmido, porém não tínhamos escolha com Lara naquela situação. O tempo estava passando cada vez mais devagar, enquanto nossa ansiedade e tenção aumentava cada vez mais ,no relógio de João já marcava 23:30 da noite ,a chuva não dava trégua.

 Com o passar de algumas horas Lara acordou para a alegria de todos ,claro que estava muito machucada e fraca mas aquele simples gesto de abrir os olhos e nos reconhecer foi o bastante para nos tranquilizar. Júlia abraçou num gesto de carinho a irmã dizendo:

_Desculpas por tudo... Prometo que vou fazer de tudo para nunca mais brigarmos. –o singelo sorriso de Lara mostrou que a perdoava.

Após uma longa noite, quando saímos da caverna a chuva tinha cessado ,o sol ainda estava ao nascer, era preciso chegar ao acampamento o quanto antes e levar Lara muito debilitada, a um hospital, então voltamos a procurar a trilha ,com João e Pedro ajudando Lara a caminhar. Assumi a liderança e resolvi retornar ao rio para tentar recuperar a trilha de volta, e passei a ideia adiante:

_Galera é melhor retornarmos ao rio, para isso vou precisar da ajuda de todos ,vamos seguir em silêncio para ouvir melhor o rio.

Não queria demonstrar cansaço mas as dores estavam por todo o corpo ,não apenas no meu mas em todos meus amigos ,quanto mais em Lara que chorava em silêncio. João tentava incentivar dizendo:

_Vamos! Estamos quase lá o barulho do rio está aumentando cada vez mais!

Mas o silêncio continuava até que encontramos o rio ,é verdade que estávamos um pouco abaixo do local porém isto não se tornou um grande problema ,o sorriso de confiança voltou as nossas faces repletas de olheiras. 

_Conseguimos! –falou Pedro com um sopro de vitória.

Subimos pela margem do rio até que reconheci o caminho que dava acesso ao acampamento aceleramos os passos mesmo com muitas bolhas nos pés. Quando chegamos comecei a chorar mas por alegria apesar do acampamento ter sido destruído completamente pela força da tempestade do dia anterior .Todos nós nos abraçamos percebendo que havia um laço de amizade mais forte do que se imaginava ,apesar do mal feito dos meninos eles continuaram sendo mais fortes do que se imaginava sendo de grande importância principalmente nos incentivando para não desistir.

Pedro foi logo recolhendo as coisas para por no carro, colocamos Lara que não aguentava mais de dor no banco de traz ,quando pegamos a estrada de volta já era oito horas da manhã a primeira parada seria no hospital que se localizava na entrada da cidade.

Faltando uns quinze minutos para chegar ao hospital o carro parou de funcionar para desespero de todos mas felizmente já tinha sinal no local ,então Júlia ligou para o resgate informando nossa situação:

_Gente, eles disseram que em dez minutos chega aqui.

_Tudo bem ,alguns minutos não são nada comparado ao tempo que ficamos perdidos! –disse Pedro.

Quando o resgate e o reboque chegou ,a alegria contagiou a todos ,a equipe medica deu prioridade a Lara mas insistiu que todos nós fossemos para realizar alguns exames pois estávamos muito abatidos.

Contando nossa história aos médicos eles ficaram surpresos com tanta coragem ,tivemos que tomar algumas medicações por prevenção, mas tudo acabou bem Júlia avisou às famílias que vieram  rapidamente para prestar apoio.

Depois desta “aventura” prometemos que nunca mais iriamos acampar tão distante da cidade.

Um comentário:

  1. Gente, adorei o conto. Pois eu adoro acampar e agora ficarei mais atenta, porque essa é uma história bem possível. Parabéns !

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