sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Amedrontados- Gabriel Lima e Luan Lorenzo 1ºC

Gabriel Lima
Luan Lorenzo
1ºC

Era o princípio de um dia perfeito. Tudo o que irei contar agora, aconteceu no dia 23 de Junho de 1960, na cidade de Sevilla, na Espanha. Era uma manhã ensolarada de domingo. João e José estavam acampando em um bosque perto dessa cidade. Era um local harmonioso, com árvores e arbustos frondosos e com um silêncio magnífico, somente ouvia-se o canto dos pássaros. Todo o bosque era cortado por uma fina estrada de ladrilhos escuros que escorregavam como sabão com o orvalho de início de manhã. Neste bosque, João e José, que são meus primos, montaram uma barraca bem organizada, parcialmente segura, para acamparem durante três dias.

João era um homem inteligente que sempre possuía respostas para diversas questões pertinentes. Era franzino, usava óculos, tinha cabelos castanhos e olhos verdes. Já José era bem estressado, frio e calculista com tudo o que fazia. Era gordo, ruivo e tinha uma barba de meio metro. Ambos também eram primos.

    Quando saíram de casa pela última vez, chamando-me para ir com eles, fiquei receoso e decidi não ir, pois estava com um ressentimento de que algo ruim iria acontecer. Já estando lá, ás cinco da manhã, os primos campistas despertaram ao som dos pássaros para um grande dia conturbado. Ambos se cumprimentaram e fizeram planos para o dia. José foi imediatamente procurar lenha para montar uma fogueira e João ficou para preparar o café. Quando José estava voltando para o acampamento após ter pegado muita lenha, ouviu de repente um estrondo terrível; Olhou para o céu e viu: Era um trovão que vinha para informar o início de uma grande tempestade. Ele voltou correndo como uma lebre em apuros. Quando chegou, João viu seu primo muito nervoso e ofegante, e foi logo perguntando:

 __ José, o que aconteceu? Porque está nervoso?

 __ Está vindo uma grande tempestade por aí. Vamos nos preparar!

__ Deixe-me ver!__ João olha __ Meu Deus, você tem razão! O céu está escuro e está ventando muito. Nossa barraca é frágil. Vamos ajeitá-la!

Imediatamente os dois pregaram cunhas nas bordas das barracas e ficaram dentro da mesma, com muito medo.

De súbito, começou a chover! Chovia muito! Era uma torrente aquosa muito forte, com raios, relâmpagos e muito vento. Num piscar de olhos, um vendaval passa pela barraca e remexe-se toda. João fala:

 __ Vamos José!!! Segure a barraca, senão ela voa, ou iremos morrer! Não quero morrer aqui!

 __ Certo! Vamos segurar! __ Porém, a chuva ao invés de se acalmar ficou mais forte, árvores começaram a cair e os rios próximos transbordaram, parecia que era o fim do mundo. O céu estava em trevas e havia o perigo dos raios atingirem os dois. Infelizmente outro vendaval passa levando a barraca, que saiu voando. José desesperado disse:

 __Não!!! E agora João, o que vamos fazer?

 __ Não se desespere! Calma! Temos que arranjar um local seguro para esperar a tempestade passar!

__Mas aqui só tem árvores e elas atraem raios!

Os dois saíram de árvore em árvore, se segurando por causa dos ventos fortes, estavam completamente encharcados. De repente José pisa numa cobra e sai correndo assustado:

 __ Sai cobra!!! Meu Deus, vamos morrer aqui João!!! Está tudo dando errado!!!

 __ Calma José! Vamos sair dessa!

 __ Tá tudo dando errado!! __ E repetiu isso várias vezes!

Para o pior dos fatos, um raio cai sobre uma árvore bem próxima dos dois. A árvore tinha quase 4 metros e durante sua queda, estava indo na direção dos mesmos. Eles correram muito e só ouviram um grande estrondo. Felizmente, eles não se machucaram.   Andaram mais depressa. Desesperados, ficaram procurando um abrigo ou uma caverna para poderem esperar a chuva passar e saírem daquele pesadelo!

    Após muito tempo de caminhada, finalmente acharam uma caverna. Era um lugar sombrio, com pouca luminosidade e um odor desagradável. Entretanto era o único abrigo que tinham encontrado até então.

__ João, é melhor procurarmos outro lugar! Não sabemos o que podemos encontrar ai dentro...

__ Já caminhamos muito e está escurecendo! Foi o único lugar que encontramos até agora... Vamos ficar por aqui! Ao amanhecer decidimos o que faremos!__ diz João encorajando seu amigo, mesmo ele receando o que tinha lá dentro.

Estavam pensando a respeito do que fariam, quando escutaram um grande ruído. Ficaram assustados e imediatamente entraram na caverna. À medida que entravam, o cheiro ficava mais insuportável, quando de repente, debateram-se com um cadáver de um animal. José levou um grande susto e deu um grito, fazendo um grande eco na caverna:

__ Ah!! __ José berrou.__ Temos que sair daqui imediatamente!

Para assustá-los ainda mais, um ruído ensurdecedor vindo de fora ecoa na caverna.

João tapou a boca de José com sua mão para ele não falar mais e não atrair o que poderia ter feito aquele barulho.

__ Acalme-se. O barulho que você está fazendo pode chamar a atenção daquilo que rugiu lá fora... __ disse João sussurrando.

__Vamos fazer silencio e esperar outro ruído.__ Disse José.

 De repente outro barulho ensurdecedor ressurge. Os primos vão para fora da caverna, com as pernas trêmulas, olhar o que era. Quando chegaram tiveram um grande susto: Se tratava de um urso, bem grande e assustador.

Era um urso horrendo. Com suas garras afiadas e a boca grande salivante, e bem gordo. Aparentava estar faminto.

    Ao avistá-los, o urso parou de rugir e ficou mirando-os. Os primos perceberam e saíram correndo desesperados com medo do ataque da fera. O urso avançou numa caçada contra eles. João com sua inteligência percebeu um buraco na parede da caverna que dava pra se esconder, então falou:

__José, corra mais rápido! Vamos nos esconder ali naquele buraco.

__Mas ele é muito pequeno!

__Não se preocupe, vai dar tudo certo!

__Toda vez que você diz que vai dar tudo certo, dá tudo errado!

E os dois se enfiaram naquela cratera. Quando eles entraram perceberam que era a extensão da caverna anterior ao qual eles haviam entrado para esperar a chuva passar. Havia infinitos vestígios de cadáveres, parecendo até um campo de concentração. Para desespero dos dois, o urso começou a tentar entrar onde os mesmos estavam. Perceberam então que aquele local funcionava como matadouro exclusivo do urso, um local estratégico, onde ele se alimentava de outros animais e até seres humanos. O urso insistia em entrar no buraco, porém estava muito gordo e não conseguia para entrar pela passagem, ficando preso. Ao mesmo tempo em que ficaram felizes por a fera ficar presa, perceberam que não havia outro lugar para sair dali, a única fora fechada pelo urso. João então disse:

__A única solução é matarmos o urso ou esperá-lo morrer, o que pode demorar bastante...

__Vamos usar aquela pedra ali João!!

__ Pode ser!!

Prepararam-se para atacar o animal, planejaram jogar a pedra certeira na cabeça, deixando-o desacordado para a fuga. Só não imaginavam que o urso estava prestes a se soltar e quando chegaram perto, o urso se livrou daquele apertado buraco. Ficaram sem reação, arremessaram a pedra, mas não foi o suficiente. A fera os atacou impiedosamente, acertando fortemente a cabeça de José, decepando-a. João tentou correr, mas a fera o alcançou e deu uma grande mordida em sua costela, deixando-o imóvel.

    Foi então ali o fim da jornada dos dois aventureiros. Após 50 anos de investigação, foi finalmente revelado o que aconteceu com os meus primos, que saíram de casa para acampar naquele dia ensolarado de Domingo. Demorou muito, pois o caso era difícil. Infelizmente o destino foi trágico.  Há várias hipóteses para o que possa ter ocorrido com os dois, porém essa que eu relatei foi a mais aceita. A polícia ainda investiga o caso.

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