Luan Lorenzo
1ºC
Era
o princípio
de um dia perfeito. Tudo o que irei
contar agora, aconteceu no dia 23 de Junho de 1960, na cidade de Sevilla, na
Espanha. Era uma manhã ensolarada de domingo. João e José estavam acampando em
um bosque perto dessa cidade. Era um local harmonioso, com árvores e arbustos
frondosos e com um silêncio magnífico, somente ouvia-se o canto dos pássaros.
Todo o bosque era cortado por uma fina estrada de ladrilhos escuros que escorregavam
como sabão com o orvalho de início de manhã. Neste bosque, João e José, que são
meus primos, montaram uma barraca bem organizada, parcialmente segura, para
acamparem durante três dias.
João era um homem inteligente que sempre
possuía respostas para diversas questões pertinentes. Era franzino, usava
óculos, tinha cabelos castanhos e olhos verdes. Já José era bem estressado,
frio e calculista com tudo o que fazia. Era gordo, ruivo e tinha uma barba de
meio metro. Ambos também eram primos.
Quando saíram de casa pela última vez, chamando-me para ir com eles,
fiquei receoso e decidi não ir, pois estava com um ressentimento de que algo
ruim iria acontecer. Já estando lá, ás cinco da manhã, os primos campistas
despertaram ao som dos pássaros para um grande dia conturbado. Ambos se
cumprimentaram e fizeram planos para o dia. José foi imediatamente procurar
lenha para montar uma fogueira e João ficou para preparar o café. Quando José
estava voltando para o acampamento após ter pegado muita lenha, ouviu de
repente um estrondo terrível; Olhou para o céu e viu: Era um trovão que vinha
para informar o início de uma grande tempestade. Ele voltou correndo como uma
lebre em apuros. Quando chegou, João viu seu primo muito nervoso e ofegante, e
foi logo perguntando:
__ José, o que aconteceu? Porque está nervoso?
__ Está vindo uma grande tempestade por aí.
Vamos nos preparar!
__ Deixe-me ver!__ João olha __ Meu Deus,
você tem razão! O céu está escuro e está ventando muito. Nossa barraca é
frágil. Vamos ajeitá-la!
Imediatamente os dois pregaram cunhas
nas bordas das barracas e ficaram dentro da mesma, com muito medo.
De súbito, começou a chover! Chovia
muito! Era uma torrente aquosa muito forte, com raios, relâmpagos e muito
vento. Num piscar de olhos, um vendaval passa pela barraca e remexe-se toda.
João fala:
__ Vamos José!!! Segure a barraca, senão ela
voa, ou iremos morrer! Não quero morrer aqui!
__ Certo! Vamos segurar! __ Porém, a chuva ao
invés de se acalmar ficou mais forte, árvores começaram a cair e os rios
próximos transbordaram, parecia que era o fim do mundo. O céu estava em trevas
e havia o perigo dos raios atingirem os dois. Infelizmente outro vendaval passa
levando a barraca, que saiu voando. José desesperado disse:
__Não!!! E agora João, o que vamos fazer?
__ Não se desespere! Calma! Temos que arranjar
um local seguro para esperar a tempestade passar!
__Mas aqui só tem árvores e elas atraem
raios!
Os dois saíram de árvore em árvore, se
segurando por causa dos ventos fortes, estavam completamente encharcados. De
repente José pisa numa cobra e sai correndo assustado:
__ Sai cobra!!! Meu Deus, vamos morrer aqui
João!!! Está tudo dando errado!!!
__ Calma José! Vamos sair dessa!
__ Tá tudo dando errado!! __ E repetiu isso
várias vezes!
Para o pior dos fatos, um raio cai sobre
uma árvore bem próxima dos dois. A árvore tinha quase 4 metros e durante sua
queda, estava indo na direção dos mesmos. Eles correram muito e só ouviram um
grande estrondo. Felizmente, eles não se machucaram. Andaram mais depressa. Desesperados, ficaram
procurando um abrigo ou uma caverna para poderem esperar a chuva passar e
saírem daquele pesadelo!
Após muito tempo de caminhada, finalmente acharam uma caverna. Era um
lugar sombrio, com pouca luminosidade e um odor desagradável. Entretanto era o
único abrigo que tinham encontrado até então.
__ João, é melhor procurarmos outro
lugar! Não sabemos o que podemos encontrar ai dentro...
__ Já caminhamos muito e está
escurecendo! Foi o único lugar que encontramos até agora... Vamos ficar por
aqui! Ao amanhecer decidimos o que faremos!__ diz João encorajando seu amigo,
mesmo ele receando o que tinha lá dentro.
Estavam pensando a respeito do que
fariam, quando escutaram um grande ruído. Ficaram assustados e imediatamente
entraram na caverna. À medida que entravam, o cheiro ficava mais insuportável,
quando de repente, debateram-se com um cadáver de um animal. José levou um
grande susto e deu um grito, fazendo um grande eco na caverna:
__ Ah!! __ José berrou.__ Temos que sair
daqui imediatamente!
Para assustá-los ainda mais, um ruído
ensurdecedor vindo de fora ecoa na caverna.
João tapou a boca de José com sua mão
para ele não falar mais e não atrair o que poderia ter feito aquele barulho.
__ Acalme-se. O barulho que você está
fazendo pode chamar a atenção daquilo que rugiu lá fora... __ disse João
sussurrando.
__Vamos fazer silencio e esperar outro
ruído.__ Disse José.
De repente outro barulho ensurdecedor
ressurge. Os primos vão para fora da caverna, com as pernas trêmulas, olhar o
que era. Quando chegaram tiveram um grande susto: Se tratava de um urso, bem
grande e assustador.
Era um urso horrendo. Com suas garras
afiadas e a boca grande salivante, e bem gordo. Aparentava estar faminto.
Ao avistá-los, o urso parou de rugir e ficou mirando-os. Os primos perceberam
e saíram correndo desesperados com medo do ataque da fera. O urso avançou numa
caçada contra eles. João com sua inteligência percebeu um buraco na parede da
caverna que dava pra se esconder, então falou:
__José, corra mais rápido! Vamos nos
esconder ali naquele buraco.
__Mas ele é muito pequeno!
__Não se preocupe, vai dar tudo certo!
__Toda vez que você diz que vai dar tudo
certo, dá tudo errado!
E os dois se enfiaram naquela cratera.
Quando eles entraram perceberam que era a extensão da caverna anterior ao qual
eles haviam entrado para esperar a chuva passar. Havia infinitos vestígios de
cadáveres, parecendo até um campo de concentração. Para desespero dos dois, o
urso começou a tentar entrar onde os mesmos estavam. Perceberam então que
aquele local funcionava como matadouro exclusivo do urso, um local estratégico,
onde ele se alimentava de outros animais e até seres humanos. O urso insistia
em entrar no buraco, porém estava muito gordo e não conseguia para entrar pela
passagem, ficando preso. Ao mesmo tempo em que ficaram felizes por a fera ficar
presa, perceberam que não havia outro lugar para sair dali, a única fora
fechada pelo urso. João então disse:
__A única solução é matarmos o urso ou
esperá-lo morrer, o que pode demorar bastante...
__Vamos usar aquela pedra ali João!!
__ Pode ser!!
Prepararam-se para atacar o animal,
planejaram jogar a pedra certeira na cabeça, deixando-o desacordado para a
fuga. Só não imaginavam que o urso estava prestes a se soltar e quando chegaram
perto, o urso se livrou daquele apertado buraco. Ficaram sem reação,
arremessaram a pedra, mas não foi o suficiente. A fera os atacou impiedosamente,
acertando fortemente a cabeça de José, decepando-a. João tentou correr, mas a
fera o alcançou e deu uma grande mordida em sua costela, deixando-o imóvel.
Foi então ali o fim da jornada dos dois aventureiros. Após 50 anos de
investigação, foi finalmente revelado o que aconteceu com os meus primos, que
saíram de casa para acampar naquele dia ensolarado de Domingo. Demorou muito,
pois o caso era difícil. Infelizmente o destino foi trágico. Há várias hipóteses para o que possa ter
ocorrido com os dois, porém essa que eu relatei foi a mais aceita. A polícia ainda
investiga o caso.
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