Thainá
Santos Redenção
Maria Arlete Savylla
1º C
Era
uma noite fria, silenciosa, ninguém passava por ali. Não havia pessoas andando
pelas ruas, como se soubessem de algo, ou que alguma coisa poderia acontecer,
por isso ficavam com medo de sair das suas casas. Como se já não bastasse,
estava tudo muito escuro, os postes não funcionavam, e as luzes não mais
acendiam. E ficava difícil de enxergar alguma coisa.
Eu devia ser a única pessoa andando por esta vila, até as
calmas estavam calmas e não havia moradores lá dentro. Até que eu liguei pra
uma amiga, a qual ficou de me ligar a muito tempo e me encontrar a algumas
horas:
–
Sah? – falei
–
Oi, desculpa a demora amiga é que fiquei presa no trânsito, mas assim que as
coisas melhorarem por aqui eu chego ai pode ser?
–
Tudo certo então, eu estou em frente a minha nova, chegue rápido! - respondi
mais tranqüila.
–
Estou ansiosa, mas então está combinado, me espere beijos!
Até alguns minutos atrás, eu estava atordoada, aflita e
desconfiada com qualquer coisa que acontecesse, além de muito atormentada se
havia feito a escolha certa de me mudar pra aquele bairro tão deserto. Ouvi
passos, logo estremeci...
– Que, que quem está aí? – ninguém respondeu, minha voz
estava tremula e logo gaguejei, tentei mais uma vez:
– Tem alguém aí? – perguntei.
Senti mãos em meus ombros, atrás de mim havia alguém, mas
meu medo não me deixou virar pra ver e...
–
Buuuuuuuuh! Sua boba ficou com medo foi? – disse Sah rindo
–
Ai meu Deus, você quase me matou de susto! – respondi, e respirei
profundamente.
–
Você precisava ver sua cara, na verdade eu deveria era ter filmado! Pense se eu
coloco no “Youtube” iriam ter milhões de acessos, aposto. – ela falava, ainda
rindo
– Enfim, vamos logo entrar, me ajudar com a mudança, já
não agüentava mais ficar aqui sozinha e parada feito uma lesma...
Entramos em casa, acendemos as luzes e começamos a
arrumar os cômodos da minha pequena casa, até que ouvimos um barulho.
– Chega de gracinha amiga, já ficou chata essa
brincadeirinha de mau gosto – falei irritada.
– Juro que dessa vez não foi eu, eu também ouvi e estou
tão nervosa quanto você! Vamos ver o que aconteceu primeiro pra depois tirar
conclusões. – respondeu com uma respiração ofegante.
Começamos a andar e nos assustamos bastante com a
quantidade de sangue que havia no chão, gotas caudalosas espalhadas por todos
os corredores, indo em direção ao banheiro.
– Quem fez isso meu Deus? – perguntei assustada
– Não sei, mas não quero ficar aqui pra ver. Isso tudo já
está ficando muito sério. Não é melhor a gente chamar alguém, a polícia... – Sah
falava
Não havia nada no banheiro e quando virei de costas, Sah
já havia ido embora, me deixara sozinha naquela situação terrível. Se eu já
estava aflita com companhia, sozinha eu mal conseguia andar.
Parei, sentei no sofá pra raciocinar. Se tudo aquilo era alucinação
ou realidade, nem importava mais, o fato era que eu não sabia o que fazer como
agir, porém quando pensei que já tinha acabado, ouvi um barulho na cozinha, mas
dessa vez resolvi enfrentar, e fui lá conferir...
– Quem és tu? -
perguntei a um estranho homem de olhos negros, era silencioso, perdido entre
insônia, e males ruins, um ser assustador.
– Meu nome não importa. – sussurrou
– Claro que importa você está na minha casa! Responda o
que faz aqui? – dessa vez já falava com outro tom de voz, minhas pernas
tremiam, e ele vinha em minha direção, se aproximando...
– Não chegue perto ou eu grito! – mas nada fez aquela
criatura parar, cada vez mais perto de mim, até que resolveu falar alguma
coisa:
– Sua amiga era realmente muito medrosa, por isso esperei
o momento certo pra ficar com você. – ele dizia
– Como é? Já sei isso tudo é uma cena de novela. Estou na
TV e estão todos rindo da minha cara, aposto!
– Gosto do seu senso de humor, mas daqui a pouco você irá
perdê-lo, o que você se tornará não fará você se sentir tão alegre e sorridente
assim como estás agora. – Falou o moço sombrio.
Corri pela casa, subir as escadas, mas nada adiantava,
ele era muito mais rápido do que eu, não corria, voava.
Aquela “coisa” vinha atrás de mim feito um
cachorro esfomeado. Parou me prendeu e tocava a minha pele de forma tão
estranha. Senti uma dor absurda, mas suportável no meu pescoço, e havia sangue
escorrendo por mim. Ele sugava levemente, mas podia ver com clareza que era um
ser demoníaco.
Pela
manhã, acordei. De princípio, pensei que tudo não passara de um sonho, na
verdade pesadelo. Mas as lembranças em mim eram nítidas, meu estômago
embrulhava, estava com sede e desesperada. Até que ouvi batidas na porta, mas
quando cheguei da janela pra ver quem era o sol queimava minha pele provocando
marcas na minha pele, além de uma dor tremenda.
–
Olá amiga, como foi a mudança? – Sah falava. O que ela fazia aqui?
–
Sim, foi ótima! Lembra da noite passada?
–
Logo depois que você me ligou, fui pra casa e dormir. Desculpa por não vir te
ajudar, estou te devendo uma! – As coisas não faziam sentido, Sah não se
lembrava de nada, e eu não sabia se isso era bom ou ruim.
–
Tudo bem, deixa pra próxima. – falei
–
Nossa não pude perceber o quão pálida você esta, está tudo bem mesmo com você?
- cada vez que ela mais eu sentia o cheiro de seu sangue. Eu queria mordê-la,
mas não podia, era minha melhor amiga na minha frente. E por mais que eu
tentasse resistir, não consegui evitar:
–
Quer entrar amiga? – perguntei
–
Claro. Aliás, que bagunça é essa aqui, deu uma festa foi? – ela falou
ironicamente
–
Se eu te contasse você não iria acreditar... – Não hesitei nada era mais o
suficiente. Peguei uma faca na cozinha sem que ela visse e quando ela menos
esperou, eu a joguei no chão e a matei lentamente. O que eu estava me tornando?
O sofrimento dela me confortava aquilo me dava prazer e satisfazia meus
desejos. Eu era um monstro? Uma estripadora? Ou coisa pior?
Não
sabia o rumo que minha vida iria tomar, porém percebi que daquele dia em
diante, e talvez fosse melhor eu aceitar o fato de eu me tornara uma vampira, e
que minha vida não seria a mesma coisa de antes, mas que eu precisaria me
controlar e agir de forma ágil e discreta...
Uau, nossa . Acho que essa foi a história que realmente me deu um medão. Porque histórias de vampiros todos conhecemos, mas essa teve um ar a mais de suspense trazendo uma curiosidade onde você quer ir até o fim mesmo que isso custe sua coragem! Parabéns.
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