Janeiro 1934
Eu estava no quarto sozinho esperando pela volta dos
meus pais, uma vez que eles saíram para jantar fora. Embora meu irmão estivesse
no quarto ao lado, a porta estava trancada e como ele ouvia uma música no
volume máximo era suficiente para fazer com que me sentisse sozinho. Depois que
as luzes se apagaram era praticamente remota as minhas chances de ir até o
andar debaixo para fazer algo, mas a fome era quase insuportável o que me fez
mudar de ideia. Minha casa era enorme, antiga e, portanto assustadora e eram
exatamente esses quesitos que me faziam temê-la. Ao chegar à cozinha percebo
que meu irmão se encontrava nela, assustado perguntou:
-Você ouviu isso?
-Não. -Respondo eu não dando muita importância ao
espanto dele.
Simplesmente ignorei toda sua fisionomia de medo e
assumo que no momento achei até graça de toda situação. Fui até a geladeira
peguei o leite e enquanto procurava o achocolatado ouvi um barulho esquisito
vindo do porão. Eu nem pensava na possibilidade de ter que ver qual a causa do
barulho e francamente o estado de nervos que se encontrava meu irmão me
encorajou menos ainda a fazer isso. Ele era mais velho, mas via-se nitidamente
que ele estava para morrer de tanto medo.
-Agora não venha me dizer que não ouviu isso!
-Podem ter sido alguns ratos... –Falei isso, mas tinha
total certeza de que ratos não poderiam causar todo aquele barulho, mas foi a
única coisa em que pensei que não fosse necessariamente assustadora, afinal eu
tinha que acalmar meu irmão. Falei isso não só por ele, foi como se fosse uma
autoajuda, eu realmente queria que isso fosse verdade. Ele propôs que eu fosse
verificar se eram ratos e como eu disse, não era exatamente o que me sentia
seguro de fazer. Mas fui com a condição de que ele fosse atrás segurando uma
lanterna.
Chegando lá percebo que a porta que dava para a
escadaria estava entreaberta, o que não era de costume. Fui cuidadosamente
entrando, pisando com cuidado na madeira velha que cobria o piso para que não
fizesse tanto barulho, caso fosse um ladrão eu pegaria no flagra, mas pensando
bem se eu o visse sairia correndo sem hesitar. Seria uma cena no mínimo
ridícula, correr escadaria a cima aos gritos.
Quanto mais eu andava mais medo sentia, meu coração
batia rápido demais e minhas pernas tremiam como se eu tivesse prestes a ver a
morte. Lá estava claro, o que fez com eu não percebesse que já estava sozinho.
Meu irmão era definitivamente medroso, sem mas.
A escadaria parecia não ter mais fim, a madeira venha rangia a cada
passo que eu dava e de repente ouvi um grito quase ensurdecedor, na mesma hora
me segurei no corre mão e pedi com todas minhas forças pra não morrer naquele
momento. Reconheci rapidamente que a voz do grito era do meu irmão. Subi
desesperadamente as escadas, pulando de três em três degraus, quanto mais eu
subia mais longe eu me sentia, aquela escadaria era realmente grande
demais.
Quando finalmente chego lá tento ligar as luzes, mas
não consigo, a energia tinha desligada por alguém. Mas quem? Peguei então uma
vela e procurei meu irmão. Ele estava deitado no chão chorando como nunca.
Perguntei o que tinha acontecido mais ele estava assustado demais para contar.
Com o medo que estávamos era quase impossível sairmos para voltar a procurar a
cousa do barulho então nos trancamos no quarto por fim isso tudo fui bom para me
unir com meu irmão, hoje eu tenho 78 anos e meu irmão um pouco mais, e isso
tudo não passa de um boa recordação.
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