Finalmente esse dia chegou 13 de julho de, o
aniversário do Tadeu – meu melhor amigo. Eu e nossos outros amigos planejamos
uma festa surpresa e como essa data “caiu” coincidentemente em uma sexta-feira,
resolvemos festejar em um local inusitado.
Como está
ficando tarde, estou indo para a casa do Tadeu para colocar o plano em prática.
E de lá ele e outros amigos partimos para a festa – porém colocamos uma venda
no aniversariante para que ele não pudesse ver o lugar onde estávamos indo. E
assim prosseguimos entre a floresta, até chegar à cabana (uma casinha de
madeira, muito antiga e desgastada com o tempo), e lá estava tudo preparado
bolo, bebida, jogos e etc. Estávamos todos se divertindo muito, jogando vídeo
game, enquanto resolvi usar o banheiro, e nisso encontrei uma suíte. Ao sair do
banheiro dou de cara com uma assombração, bom, assombração é pouco para aquela
criatura, aquilo mais parecia um demônio. E assim essa criatura horrível me
morde e sai pela janela.
Depois do
ocorrido, eu sinto uma fome insaciável, e algo completamente estranho em meu
interior. E com isso voltei para o local onde estavam os meus amigos pra contar
o que aconteceu comigo. Porém quando vi um deles, algo mais forte do que eu,
fez com que eu “voasse” em seu pescoço e como consequência ocorreu a sua morte,
logo minha fome cessou, e assim descobri o porquê de minha fome, era sede. Sede
de Sangue.
Cai de meus
braços o corpo de meu amigo, seco e já sem vida, e ao olhar ao redor todos os
outros de olhos arregalados, e fico parado feito estátua, pois não consigo
parar de pensar que eu, que eu havia matado. E ainda por cima de forma fria,
fora um ato cruel e sem escrúpulos. Eu já não me reconhecia.
Ali, parados
em minha frente, meus amigos sem ação até que um deles começou a me elogiar, e
elogiou também o amigo que estava no chão, (creio eu, que ele pensara que esta
cena fora pura em encenação) mais ao perceber que ele estava morto; ele gritou.
Todos olhavam para mim, e assustados saíram correndo pela floresta. Estava confuso
e não sabia o que fazer. Pois o que seria da minha vida agora? E o que sou? Uma
criatura horrível? Um demônio?
Para
esclarecer minha mente, arrumei a casa, tudo aquilo que era pra ser divertido
terminara dessa forma... Enterrei o corpo. Logo depois me senti muito forte
parecia que o sangue era um superpoder, pensei em correr atrás dos meus amigos
para tentar esclarecer o porquê de ter feito aquilo, que não era pra ficarem
preocupados porque não o faria novamente e que eu fiz aquilo por impulso e não
pela razão. Comecei a andar, mas quando me dei conta eu conseguia correr muito
alto e saltar através pelos galhos, como se fosse algo normal; era o tal
“superpoder” que eu pensei. Não sabia onde procurá-los, porque a floresta era
enorme, mas no ar eu senti um cheio, e esse era de um dos meus amigos, descobri
que também tinha o olfato muito aguçado, comecei a seguir o cheiro e então o vi
correr cansado e desesperado, pulei em sua frente e pedi para que não tivesse
medo e que não corresse mais, ele não me ouviu, pensei o que seria de mim se
alguém além deles soubesse do mostro em que eu havia me tornado e uma voz em
minha cabeça dizia “Não deixe testemunhas, MATE-OS!”, eu não queria fazer isso
de forma alguma, são meus amigos e eu não podia deixa-los escapar sem ao menos
conversar com ele. Minha vida estava passando pela minha cabeça e tomei uma
decisão, corri e consegui alcança-lo, olhei nos olhos deles e pedi desculpas e
com só uma mordida em seu pescoço o destracei, eu sentia que era eu, com
certeza não era, mas minhas mãos o mataram me senti mal e cada vez mais forte,
senti o cheiro do meu outro amigo; ao todo éramos cinco e só havia agora três,
eu o Tadeu e o Pedro, comecei a seguir o rastro desse cheiro, ao conseguir
alcança-lo tentei novamente explicar a ele o que tinha acontecido e ele
entendeu, tentou-se mante calmo. Pedi a ele que me seguisse para procurar o
Tadeu, e assim ele fez andou uns 5 minutos, pois eu não poder correr por causa
do Pedro que não me alcançaria continuamos andando, de repente senti algo bater
muito forte em minha cabeça, só senti o impacto, mas não senti dor quando
percebi o Pedro havia me batido com um pedaço de pau e assim esperava que eu
desmaiasse, mas não cai. Sem pensar meu corpo reage a ofensiva e voou o corpo
de Pedro e com as enormes garras que apareceram em minhas mãos, ele fora
cortado e em poucos minutos morrera,
ajoelhei por cima de seu corpo e chorei, e não desejei que aquilo realmente
estivesse realmente acontecendo. O enterrei e triste fui procurar o Tadeu...
Achar o Tadeu
foi fácil com meus poderes. Ao encontrá-lo desconsolado, olhei em seus olhos, e
lhe falei do fundo de minha alma “Confie em mim”. Ele olhou mais uma vez para
mim (provavelmente percebera minhas roupas ensanguentadas), sentou e disse:
Conte-me tudo. Sentei-me ao seu lado e fiz o que ele disse: Contei. Falei-lhe
tudo, desde o início.
E assim
estávamos eu e ele, sentados encostados em uma árvore e de tal forma – por mais
que fosse ridículo pensar nisso em uma hora dessas – percebi que o amava, era um
amor fraternal, por isso tomei uma decisão que jamais em hipótese alguma, por
mais que eu esteja em meu maior estado de descontrole, eu iria matá-lo.
Concluímos
que deveríamos seguir nossas vidas normalmente, porém eu devia avisá-lo de
qualquer transtorno. Então seguíamos de volta para a cidade, e assim partimos
para nossas casas, mas antes lhe pedi que me desse um conjunto de roupas.
Ao chegar em
casa fui direto para o meu quarto, e passei a noite em claro, pois isso não
saia da minha cabeça, assim resolvi pesquisar sobre o meu caso, isso não me
ajudou em nada, pois percebi que não havia nada de positivo e que me pudesse
ajudar. Frustrado, me joguei na cama e não parei de chorar, de tamanho o
desespero, chorei até adormecer.
Os primeiros
raios de sol passaram pela janela e bateu em meu rosto. Despertado, levantei
fui lavar o rosto, era somente 5 horas da manhã, estava inquieto. Como seria
minha vida daqui pra frente? E se eu senti sede de novo? Como eu iria conseguir
esconder isso das outras pessoas? E se eu não conseguir?
Fui tomar
café (pelo menos com isso fiquei feliz, pois pelo menos eu posso comer comida
de verdade!) e saio minha bicicleta pra ver se me acalmo. Depois de uma hora
passeando pela cidade, estava de volta a minha casa. Tomei banho e fui para a
escola (que ainda tinha que enfrentar), como havia chegado muito cedo, tive
muito tempo pra pensar... Vi as pessoas chegando, até que começou a aula –
Tadeu acabara de chegar e se sentara. Foram os 50 minutos completamente
absorvido em profundos pensamentos, até que a sirene toca e fui rapidamente (na
velocidade humana) até a carteira onde estava sentado o Tadeu, e falei: Como
iremos explicar a morte dos outros? Pois suas famílias devem ter sentido a
ausência em seus lares, e também na escola. Logo concluímos de que deveriam
fingir de que nada havia acontecido, e de que não fazíamos ideia de onde
estavam.
Passaram-se
uns dias eu ainda não havia sentido a sede novamente. E todos estavam atrás dos
meninos que haviam sumido, sendo que apareceram novos casos para serem
investigados. Eu parei pra pensar que poderia se possível que seja aquele outro
mostro – o que me transformara nessa aberração - que esteja trazendo tal
transtorno para a região. Então resolvi
tentar encontra-lo.
Assim, hoje
eu resolvi voltar a cabana para que eu pudesse achar alguma pista, fui até o
quarto, percebi que na janela havia uma pedaço de tecido, cheirei e comecei a
seguir o rastro que dava até uma lixeira no centro da cidade. Sentindo-me
inútil fui para casa. Depois de um tempo ainda completamente frustrado,
deprimido e com medo de que eu possa matar outra vez, então vou em direção a
casa de Tadeu para que ele pudesse me matar. Ao chegar lá vejo o outro mostro
matando o meu amigo, logo o ódio subiu pela minha cabeça, e começamos a brigar.
Quando eu vi estava totalmente ensanguentado, o Tadeu morto e seus pais na
porta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário