Thamilis Costa Andrade
1º C
Já estava quase anoitecendo quando
meu irmão teve a ideia de brincarmos de esconde-esconde na velha casa do lago.
Admito que fiquei com receio, afinal a casa era assustadora e fazia ruídos
atormentadores. Ela estava abandonada já havia vinte anos, ninguém quer morar
lá depois da “grande tragédia”. Esse assunto é proibido por aqui, as pessoas
não gostam de lembrar o ocorrido. Preferem o silêncio, e fazem de conta que
nada aconteceu, assim podem continuar suas vidas em paz.
Meu nome é Laura, tenho oito anos e sete meses. Meu irmão diz que é besteira contar os meses, mas eu não acho. Ele é mais velho que eu, tem dez anos e se chama Du. Se acha esperto demais e por isso brigamos o tempo todo. A mamãe disse que precisávamos de mais tempo juntos, como irmãos. Por isso nos mandou pra casa da vovó. Eu gosto da nossa vó. Ela sempre diz que meus cabelos loiros são radiantes como a luz do sol, pra variar o Du discorda e diz que a vovó só diz essas coisas pra me fazer sorrir.
Enquanto decidíamos do que brincar foi possível ver da varanda do quarto da vovó o sol se pondo, e, do outro lado ainda que com dificuldade víamos a velha casa do lago, tornando ainda mais assustadora a sua forma sob o pôr do sol. Só de olhar aquela casa e imaginar o que há ali dentro o meu corpo estremece todo e uma sensação horrível toma conta de mim. Mas é obvio que nem se me oferecessem dinheiro eu entraria lá. Em meio a esses pensamentos escuto uma voz. Uma voz irritante, com ar de descoberta. Era o Du:
Meu nome é Laura, tenho oito anos e sete meses. Meu irmão diz que é besteira contar os meses, mas eu não acho. Ele é mais velho que eu, tem dez anos e se chama Du. Se acha esperto demais e por isso brigamos o tempo todo. A mamãe disse que precisávamos de mais tempo juntos, como irmãos. Por isso nos mandou pra casa da vovó. Eu gosto da nossa vó. Ela sempre diz que meus cabelos loiros são radiantes como a luz do sol, pra variar o Du discorda e diz que a vovó só diz essas coisas pra me fazer sorrir.
Enquanto decidíamos do que brincar foi possível ver da varanda do quarto da vovó o sol se pondo, e, do outro lado ainda que com dificuldade víamos a velha casa do lago, tornando ainda mais assustadora a sua forma sob o pôr do sol. Só de olhar aquela casa e imaginar o que há ali dentro o meu corpo estremece todo e uma sensação horrível toma conta de mim. Mas é obvio que nem se me oferecessem dinheiro eu entraria lá. Em meio a esses pensamentos escuto uma voz. Uma voz irritante, com ar de descoberta. Era o Du:
__Já sei Laura!
__ Do que vamos brincar, dãããã!
__ Então dá pra você me falar logo porque não sou advinha?
__ Do que vamos brincar, dãããã!
__ Então dá pra você me falar logo porque não sou advinha?
Como eu disse, a minha relação com meu irmão
não é muito carinhosa. Não conseguimos ficar muito tempo sem discutir ou
insultar um ao outro. A mamãe fica furiosa com isso e sempre pede para o papai
resolver, mas o papai não consegue falar serio com agente, ele ate que tenta
coitado, mas depois cai na gargalhada e tudo termina em brincadeira.
__ Nós vamos brincar de esconde-esconde
cabeça de bagre
__ Esconde-esconde? É essa a sua grande ideia?Ah lembrei, sua cabeça é muito pequena pra ter grandes ideias...
__ Esconde-esconde? É essa a sua grande ideia?Ah lembrei, sua cabeça é muito pequena pra ter grandes ideias...
__ Claro que não, me deixa terminar
de explicar!
__ Além do mais a casa da vovó não tem espaço
suficiente para brincarmos e...
__ Dá pra você parar de falar e me ouvir um
pouco? Nós vamos brincar na casa velha do
lago... A não ser que...
__ A não ser o que?
__ Que você esteja com medo.
Como assim eu não estava com medo ¿!
Para falar a verdade só a ideia de chegar perto daquela casa me deixava
apavorada. Mas eu não podia dizer isso, não podia dar a deixa pra ele me chamar
de covarde. E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa ele me olhou bem nos
meus olhos e disse:
__ Eu entendo se você estiver. Todos por aqui morrem de medo de ir ate aquela casa ou ate mesmo falar sobre ela. Depois da “grande tragédia” nada é a mesma coisa por aqui. Os pais não deixam as crianças brincarem na rua e quando o relógio marca seis horas em ponto, todos correm para suas casas e trancam as portas. Permanecem lá, em silêncio, ouvisse apenas sussurros.
__ Eu entendo se você estiver. Todos por aqui morrem de medo de ir ate aquela casa ou ate mesmo falar sobre ela. Depois da “grande tragédia” nada é a mesma coisa por aqui. Os pais não deixam as crianças brincarem na rua e quando o relógio marca seis horas em ponto, todos correm para suas casas e trancam as portas. Permanecem lá, em silêncio, ouvisse apenas sussurros.
Enquanto estávamos indo em direção
à casa velha vimos às pessoas em suas casas. Elas estavam exatamente como o Du havia tido,
em silêncio, apenas observando. Ou melhor, dizendo, bisbilhotando pela janela. Pareciam
não entender o que ainda estávamos fazendo na rua, e pior, por que estávamos
indo naquela direção. Andamos mais ou menos meia hora ate chegarmos lá, e
durante todo o caminho não parei de falar nem por um segundo. Eu estava
visivelmente apavorada! Não queria ir, não queria mesmo, mas não podia voltar
atrás. Era tarde demais, já estávamos em frente aquela a casa. Era noite quando
chegamos, uma noite calma e silenciosa, a lua estava cheia e grande e iluminava
tudo ao nosso redor. Quebrando aquele silêncio atormentador o Du disse:
__ Pronta ?
__ Eu sempre estou pronta!
Eu não estava pronta coisíssima nenhuma. Eu estava era com medo, apavorada, nervosa, em pânico a ponto de ter um colapso! Mesmo assim fui em frente. Entramos na casa. E assim que entramos uma coisa chamou minha atenção. Um quadro. Nesse quadro estavam à pintura de duas garotinhas, todas duas de vestido rosa e sapatilha preta. Elas pareciam assustadas. Fiquei um tempo tentando entender aquele quadro e nem percebi quando o Du se afastou de mim.
__ Eu sempre estou pronta!
Eu não estava pronta coisíssima nenhuma. Eu estava era com medo, apavorada, nervosa, em pânico a ponto de ter um colapso! Mesmo assim fui em frente. Entramos na casa. E assim que entramos uma coisa chamou minha atenção. Um quadro. Nesse quadro estavam à pintura de duas garotinhas, todas duas de vestido rosa e sapatilha preta. Elas pareciam assustadas. Fiquei um tempo tentando entender aquele quadro e nem percebi quando o Du se afastou de mim.
__ Du?
Cadê você? Du? Isso não tem graça!
Gustavo Marques de Andrade, ou você aparece ou eu...
E antes que eu pudesse terminar de falar alguém aperta meu braço e grita
__ Boo!
__ Ei, você me assustou! Isso não tem
graça.
__ É claro que tem, foi para isso que vinhemos
aqui lembra? Vamos logo, você conta!
__ Está bem. 1...2...3... Lá vou eu!
Ainda que apavorada, procurei o meu
irmão por todas as partes daquela casa, mas não o encontrei. Já estava ficando
tarde e precisávamos voltar. Continuei a
procurar pelo Du, quando de repente ouvi um grito. Um grito apavorante, que
estremeceu minha alma. Não, não era o meu irmão. Era um grito de mulher e
parecia vir lá de cima. Subi as escadas, morrendo de medo. A cada degrau um
ruído. Tudo naquela casa parecia fazer barulho. Quando cheguei ao andar de cima
fui em direção ao maior quarto da casa, certamente o quarto do casal. Abri a
porta tremendo de medo. Não havia janelas no quarto, estava tudo completamente
escuro. Tive medo de seguir em frente, mas minha curiosidade foi mais forte que
eu.
Lembrei que estava com um isqueiro então rapidamente o ascendi. Não havia ninguém lá dentro o que foi estranho, pois tenho certeza que o grito veio de lá. Foi então que próximo à cama vi um retrato. Estava velho e acabado, mas ainda assim era possível ver uma mulher na foto. Ela era linda. Estava nua com os cabelos sob os seios, e na sua face uma expressão triste. Senti pena dela. Ela parecia infeliz, doente talvez. Perto do retrato um canivete. Nele estava escrito “J.M amor eterno”. Senti um frio na barriga e um arrepio atrás da nuca. Uma mão tocou meus cabelos. Tive medo de virar então olhei de canto de olho. Era o Du. Ele estava pálido e não conseguia falar direito. Parecia ter visto um fantasma.
Lembrei que estava com um isqueiro então rapidamente o ascendi. Não havia ninguém lá dentro o que foi estranho, pois tenho certeza que o grito veio de lá. Foi então que próximo à cama vi um retrato. Estava velho e acabado, mas ainda assim era possível ver uma mulher na foto. Ela era linda. Estava nua com os cabelos sob os seios, e na sua face uma expressão triste. Senti pena dela. Ela parecia infeliz, doente talvez. Perto do retrato um canivete. Nele estava escrito “J.M amor eterno”. Senti um frio na barriga e um arrepio atrás da nuca. Uma mão tocou meus cabelos. Tive medo de virar então olhei de canto de olho. Era o Du. Ele estava pálido e não conseguia falar direito. Parecia ter visto um fantasma.
__ Du? Fala comigo, o que
aconteceu ?
__ O lago! Temos... Temos que
sair daqui Laura, não é seguro.
__ O que tem no lago ?
__ Cadáveres Laura, cadáveres !
Foi
então que tudo começou a fazer sentido. “A grande tragédia”, o lago, as
fotografias, o canivete... Há vinte anos um casal se mudou para aquela casa.
Eles estavam apaixonados. A mulher se chamava Julie e ele Mark. Mark queria ter
filhos, mas Julie não. Julie sabia que se não desse um filho para Mark ele iria
deixa-la. Então ela engravidou de duas garotinhas. Mark era louco pelas
garotas, fazia tudo pelas suas filhas e aos poucos foi deixando Julie de lado.
Se sentindo sozinha e desatada, Julie entrou em surto e matou as filhas. Ela
colocou as meninas na cama e com um canivete cortou o pescoço das duas. Depois
as jogou no lago da casa. Mark procurou incansavelmente por dois meses pelas
garotas, mas não as encontrou. Desconfiando da mulher Mark decidiu ir embora,
mas Julie não permitiu que ele fosse. Ela tentou impedi-lo de todas as maneiras
possíveis. Ela o matou com o mesmo canivete que matara as filhas, o colocou no
lago e depois entrou nua nele. Ainda com o canivete na mão, Julie se
matou.
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