sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Conto de terror... Julia Pedreira e Mikael 1ºC

Júlia Pedreria
Mikael
1ºC


No final de uma rua suja e escura, havia um cemitério abandonado. O pequeno portão de ferro estava tão velho e enferrujado que ficava pendurado na coluna de cimento, já verde de musgo. Os túmulos estavam abertos e alguns ossos dos corpos que ali foram enterrados, amontoavam-se pelo chão. Era possível sentir o cheiro da morte e do medo saindo de lá, sons de correntes arrastando no chão e gritos apavorados também. O cemitério não estava tão abandonado assim, o coveiro que ali trabalhava ainda residia aquele lugar assustador. Muitos diziam que ele enlouqueceu quando o cemitério fechou deixando-o sem trabalho e por isso atraia vitimas para enterrá-las ainda com vida.

 Meu relógio marcava 00h00m e eu voltava andando pra casa, havia perdido o ônibus. Meus cabelos negros e longos voavam por causa do vento forte e frio que soprava, meu corpo estremecia a cada sopro. A chuva começou a cair e uns gritos estranhos ecoavam pela rua vazia. Eu sabia exatamente de onde os gritos saiam. Minha casa ficava uma rua depois da rua do cemitério e a cada passo que eu dava o frio e a chuva aumentava. Eu tremia de medo, ninguém estava na rua. Eu estava sozinha. Abria a bolsa pra pegar minhas chaves, faltava pouco pra chegar em casa. Respirei fundo. Estava passando em frente a rua  do cemitério. Minhas chaves escaparam de minha mão e a chuva aumentou, levando minhas chaves para o meio de uma poça de lama. O único poste aceso da rua apagou, mas eu conseguia ver o brilho das minhas chaves na escuridão e corri para pegá-las. Um ponto de luz iluminava uma parte da rua escura e vinha em minha direção. Foi ai que eu me dei conta que eu estava em frente ao cemitério. O coveiro carregava uma lanterna e se aproximava de mim. Eu precisava sair dali, mas por algum motivo eu não consegui me mover. O coveiro atravessava o portão velho do cemitério com um sorriso assustador. Tentei correr, mas a rua estava molhada e acabei escorregando, ele me alcançou e me arrastou para dentro do cemitério. Comecei a gritar pela ajuda de alguém, tentava escapar, mas ele era muito mais forte que eu. Ele ria e repetia “ninguém vai te ouvir”, eu chorava e implorava para ele parar. Ele me jogou em um buraco e empurrava terra para dentro do buraco.

 Acordei com o som dos meus gritos. Estava suada e meu coração acelerado. Olhei no relógio, eram 4:45 da manhã. Não consegui mais dormir. O sonho me pareceu muito real. Eu acabara de me mudar de casa para ficar mais perto da faculdade, antes precisava pegar dois ônibus para chegar, agora eu podia ir andando. Só era preciso passar por duas ruas e descer uma ladeira. Não conseguia parar de pensar no sonho que tive. Tudo bem tem um cemitério na rua ao lado, mas, eu nunca ouvi ninguém comentar de um coveiro psicopata. Foi coisa da minha cabeça.

 Sai de casa as 08:00, minha aula começava em meia hora. O professor passou um trabalho em grupo e eu fui fazer na casa de uma amiga que mora na mesma rua da faculdade. Chegamos lá e fizemos tudo menos o que o professor pediu. Começamos a fazer o trabalho tarde. Saí de lá as 00:00, perdi meu ônibus e voltava andando pra casa. O vento soprava forte e a chuva caia, meu corpo estremecia a cada sopro do vento, havia esquecido meu casaco na casa da minha amiga. Parecia que tudo se repetia. Ouvia gritos e sons de correntes arrastando pelo chão, um cheiro forte saia de uma rua que se aproximava. Era a rua do cemitério. Eu sabia exatamente o que ia acontecer em seguida, eu ia pegar minha chave na bolsa, ela ia cair da minha mão em direção ao cemitério e eu ia ser enterrada viva. Ponto final. Esse era meu terrível destino. Eu parei e a chuva aumentou, não sabia o que fazer, não podia pegar as chaves. Alguém chamou meu nome. Eu me apavorei e sai correndo, escorreguei e rolei até uma poça de lama, tudo ficou escuro, o único poste de luz apagara. Alguém vinha em minha direção, era o coveiro só poderia ser ele. Chamaram meu nome de novo, tentei levantar e sair correndo, mas não consegui a rua estava enlameada e escorregadia. A pessoa se aproximava cada vez mais e eu gritava por ajuda. O poste acendeu de novo. Eu pude ver minha amiga olhando para mim com meu casaco na mão olhando para mim assustada, “você esqueceu lá em casa, está acontecendo alguma coisa?” eu respirei fundo. Meu coração estava começando a desacelerar. Tudo estava bem.


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