Prólogo
Finalmente
chegou sexta-feira depois de uma semana conturbada. Eu caminhava apressadamente
até o prédio em que eu morava com a intenção de chegar lá o mais rápido
possível, o único barulho que eu ouvia era o do meu salto e seu contato com o
chão que estava molhado devido a chuva que estava caindo. Ao analisar o meu
redor pude perceber as arvores que se localizavam ali se movimentando
bruscamente por conta do vento forte e frio que pairava na rua.
Logo senti a
brisa em minha pele gerando um leve arrepio, nesse momento tive uma sensação
estranha, aqueles que meus pacientes com esquizofrenia me descreviam, aquela
sensação de estar sento seguida, vigiada.
Acelerei meus
passos, a cada segundo que passava a sensação aumentava juntamente com o meu
desespero, olho ao redor e não vejo nada alem da escuridão daquela rua sombria,
com seus estabelecimentos fechados e apenas um poste de luz aceso, infelizmente
o mesmo se encontrava em más condições tendo sua luz piscando de segundo em
segundo.
Em um súbito
de adrenalina fiz algo que nunca imaginei fazer em uma ocasião como esta,
repentinamente virei pata trás. E me vi encarando apenas a rua analisada
anteriormente, sem ninguém alem da mim. Nesse momento soltei um suspiro de
alivio decidindo assim seguir meu caminho, foi ai que me deparei com o que me
assombrava.
Capitulo 1-
Meu nome é Amy
e hoje era o meu primeiro dia de trabalho, estava muito animada por finalmente
poder exercer minha profissão. O St. Marcus Institute era um lugar esquecido e
desconhecido pelo mundo. O isolamento ali era algo bom. De outro modo, obviamente, não se poderia manter uma
instituição que cuida de criminosos com problemas mentais e psicológicos. Os
piores dentre os piores. Aqueles tão profundamente dominados pela psicose, perdidos
em suas mentes alucinadas, dominados pela insanidade, que não havia outra
alternativa, senão trancafiá-los ali. A pequena vila de Sun Valley,
aproximadamente 400 habitantes, fora meticulosamente escolhida para dar sede a
tal instituição.
Quanto menos pessoas ao redor, melhor. E,
de fato, sabendo ou não o que aquele pequeno vilarejo de construções medievais
guardava aos seus arredores, quase ninguém se aproximava. Aqueles que sabiam,
faziam mesmo questão de se manter o máximo de quilômetros distante. Era perigoso.
Ainda me lembrava do olhar de pânico da
mãe quando contei que seu primeiro emprego, aquele que ela demorara meses para
finalmente encontrar – afinal de contas, os primeiros atingidos com a crise
econômica eram os recém-formados – era um cargo de psiquiatra do St. Marcus
Institute.
Dylan tinha feito a gentileza de me dar
uma carona até o meu trabalho. Chegando lá, primeiramente tratei de pegar a
ficha dos meus pacientes e como havia chegado mais cedo que o necessário estava
conversando com a minha secretaria, Jane.
- Então, Amy, o
que te trouxe até o St. Marcus Institute? – Jane perguntou em um momento,
quando eu estava particularmente
perdida na análise do padrão de ranhuras que formava a fórmica da mesa branca.
- Todos precisamos de um primeiro emprego, não é mesmo?
- Não acha que pode ficar traumatizada com a psiquiatria
começando logo aqui.
- Espero que não.
- Eu também espero. – Jane sorriu para mim maternalmente –
Boa sorte com os pacientes. Ouvi dizer que ficou deixou com os nossos rebeldes
sem causa.
- O que há de errado com eles? – perguntei, tentando disfarçar o temor
com curiosidade.
- Acho todos os médicos daqui já tentaram algum tratamento com eles. – ela suspirou, dando um gole em seu
chá.
- Quantos deram certo? – dei
um gole nervoso no meu café.
Minhas mãos estavam começando a suar, isso não era nada
agradável.
- Não muitos. – Jane sorriu amarelo.
Passava um pouco das oito horas da manha
quando Jane me guiou até o meu novo consultório. Era pequeno,do lado da porta
de madeira negra, tinham duas poltronas de veludo vermelho. No teto, a
iluminação era morbidamente precária, otimizada pela luz que vinha da grande
janela de vidro que cobria a parede toda.
A mesa ficava bem no centro do consultório. Sobre ela, tinha um telefone, uma luminária de aço, um bloco de papel e um potinho com várias canetas. A cadeira atrás da mesa parecia confortável. A persiana de tom bege fechada deixava a sala com a mesma má iluminação de todo o resto daquele lugar. Eu daria um jeito nela depois. Na frente de minha mais nova mesa, havia duas cadeiras que não pareciam nem um pouco confortáveis. A um canto, encostado na parede branca, um pequeno arquivo cinza.
A mesa ficava bem no centro do consultório. Sobre ela, tinha um telefone, uma luminária de aço, um bloco de papel e um potinho com várias canetas. A cadeira atrás da mesa parecia confortável. A persiana de tom bege fechada deixava a sala com a mesma má iluminação de todo o resto daquele lugar. Eu daria um jeito nela depois. Na frente de minha mais nova mesa, havia duas cadeiras que não pareciam nem um pouco confortáveis. A um canto, encostado na parede branca, um pequeno arquivo cinza.
Meu primeiro paciente, segundo o horário
marcado na agenda, era um tal de Jake Maison
então procurei a pasta com o seu nome. Era a última, a mais pesada e
volumosa. E aquilo me causou um leve arrepio e a sensação do medo e suor nas
mãos voltou com força total. Li
com bastante atenção cada uma das linhas da ficha que trazia seus dados
pessoais. A primeira coisa que chamou a minha atenção foi um recorte de jornal
com a manchete ”O assassino de Sun Valley”. Outra dizia ”Garota é morta
friamente por namorado ciumento”. E os recortes eram muitos, as manchetes
seguiam um mesmo padrão.
Em uma noite de festival, a tal garota foi
encontrada pendurada pelo pescoço em uma das árvores do jardim. A corda que lhe
enforcara ainda girava seu corpo no ritmo calmo do vento. Ela estava com o
corpo todo esfaqueado sem piedade. Senti medo e horror ao ver aquela fotografia
em anexo, agradeci por não estar muito bem detalhada. Aquilo era terrível e eu
estava realmente chocada. Jake foi o primeiro suspeito, já que a última vez em
que a garota foi vista, foi ao lado dele, em uma discussão que chamou
particularmente bastante atenção.
Ele jurou pra quem quisesse ouvir, que era
inocente. Mas, duas testemunhas também juraram pra quem quisesse ouvir que
ouviram gritos e barulhos vindos do dormitório de naquela noite. A faca, que a perícia
constatou ser a responsável pelos ferimentos profundos no corpo dela, foi
encontrada sob uma madeira solta do assoalho do dormitório. Então foi preso. A defesa alegou insanidade
mental, causada pelo ciúme e estado depressivo por que o rapaz passava naquela
época.
De fato, no relatório, estava o nome de
três antidepressivos fortíssimos que ele tomava. Seu destino foi então o St.
Marcus Institute. O mais estranho de tudo é que, durante os três anos em que
esteve preso, não disse uma palavra em qualquer sessão de análise ou terapia de
grupo.
Perdi a noção do tempo e, quando me dei
conta, o relógio já marcava 08h30min da manhã, horário da consulta do assassino. Então uma batida na porta chamou a minha
atenção. Levantei os olhos sobressaltados, encarando meio atônita a madeira
negra que lhe separava do mundo lá fora. Então juntei depressa os arquivos,
jogando-os de qualquer jeito na primeira gaveta que vi, e pigarreei limpando a
voz que certamente soaria fraca antes de falar:
- Pode entrar.
A porta rangeu inconvenientemente em um
suspense desnecessário antes de finalmente abrir e revelar duas pessoas. Uma
era quem eu esperava com certo receio, já a outra, um dos guardas que ficavam a
cada cinco metros nas redondezas do lugar. A simpatia de sua voz, entretanto,
não tinha nada a ver com a brutalidade que sua aparência.
- Bom dia. Doutora?
– perguntou o homem.
- Sim.
- Trouxe seu paciente. – ele sorriu acho que querendo ser
simpático.
- Ah, sim, você pode... –
falei enquanto levantava da minha cadeira
O guarda fez o que pedi, empurrando o
rapaz ao seu lado sem muita delicadeza pra dentro da sala.
- A doutora prefere que eu fique aqui dentro ou espere lá
fora?
Pensei por alguns instantes. O discreto sorriso misteriosamente sarcástico que brincava no canto dos lábios do assassino não me ajudava a racionar com clareza. Talvez fosse mais sensato sentir medo. Mas não senti, só um estranho frio na barriga e a necessidade de ficar a sós com ele. Talvez o ambiente estivesse começando a ficar com um parafuso a menos. Só pode.
- Pode esperar lá fora. – ela sorriu amigável – Vai dar tudo certo, não é mesmo? – voltou seu olhar o meu paciente, que pareceu surpreso por eu estar se dirigindo a ele. E então, o sorriso sarcástico voltou ao lugar em que estava antes. Ele não disse nada, só ficou me encarando com um brilho maníaco no olhar.
Pensei por alguns instantes. O discreto sorriso misteriosamente sarcástico que brincava no canto dos lábios do assassino não me ajudava a racionar com clareza. Talvez fosse mais sensato sentir medo. Mas não senti, só um estranho frio na barriga e a necessidade de ficar a sós com ele. Talvez o ambiente estivesse começando a ficar com um parafuso a menos. Só pode.
- Pode esperar lá fora. – ela sorriu amigável – Vai dar tudo certo, não é mesmo? – voltou seu olhar o meu paciente, que pareceu surpreso por eu estar se dirigindo a ele. E então, o sorriso sarcástico voltou ao lugar em que estava antes. Ele não disse nada, só ficou me encarando com um brilho maníaco no olhar.
O segurança pareceu surpreso com aminha
decisão, pelo que parece poucos já tiveram contato com o Jake na frente dele
fizeram o mesmo que eu, talvez por isso que ele nunca tenha se aberto com
ninguém, por apenas sempre estar com o seu segurança do lado. Mesmo tendo essa
reação sobre minha decisão ele saiu e ao fechar a porta atrás dele eu me
adiantei e disse ao meu primeiro paciente que continuara imóvel todo esse
tempo.
- Pode chegar mais perto, eu não
mordo- forço um sorriso amigável.
Ele por sua
vez continuou exatamente como estava. Suas sobrancelhas se arquearam em um
divertimento alternativo, a testa aumentou e o seu sorriso pareceu aumentar.
Talvez aquela não fosse à melhor abordagem.
- Sou Amy Medley, sua nova
medica. Mas acho que já deve saber disso.
O rapaz cerrou os olhos e me
analisou por alguns instantes, de modo que eu achei quase torturante A cabeça virou levemente para o lado, como
se ele pensasse em ser sociável ou não com a nova médica, e então finalmente se
aproximou.
- Pode se sentar. – indiquei
uma das cadeiras desconfortáveis.
Jake sentou-se sem ainda fazer qualquer som. Era agonizante. Sentei-me também, e tive a
brilhante idéia de estender a mão em um cumprimento.
- Prazer em conhecê-lo. – disse, enquanto tentava encará-lo
nos olhos verdes.
Minha
mão ficou parada no ar por certo tempo até que desisti. Apoiei meus braços sobre a mesa para poder
observar o rosto a minha frente. Algo naqueles traços me atraia de forma
inexplicável. Desde a barba por fazer, o cabelo desarrumado de um jeito
estiloso, o olhar misterioso, tudo.
- Estava
lendo a sua ficha um pouco antes de você chegar. - falei naturalmente, como se
fossemos amigos de longa data.
Ele
continuou me olhando com a mesma intensidade, isso não estava me agradando nem
um pouco. Mas não ia perder a paciência. Não mesmo. Pensava bem antes de
continuar, escolhendo bem as palavras que sairiam da minha boca, para que
soassem amigáveis.
- Me
falaram que você não fala nas sessões. -tentei novamente.
Isso não
ia dar em nada... Passei as mãos nervosamente pelos cabelos e massageei
suavemente a minha nuca. Respirei fundo e decidi então continuar.
-
Então... Você está aqui há três anos não?- perguntei sem a esperança de obter
uma resposta.
Jake em
uma reação totalmente inesperada para mim deu os ombros de maneira casual,
estalando os lábios, como quem diz “o que eu posso fazer?”.
-
Gostaria de falar um pouco sobre isso?
Observei
o seu sorriso se alargar.
- Não.
Ele
falou. Já era um começo. Um grande começo eu diria. Ajeitei-me na cadeira
enquanto ele apenas somente e postou a olhar para o chão, como se fosse à coisa
mais interessante do mundo. O tique-taque do relógio era o único barulho que
podia se ouvir no escritório.
- Tudo
bem Jake Maison. – falei calmamente.
- Só
Jake, por favor. - pediu fingindo uma expressão de desespero o que me fez
soltar uma risada divertida. – Maison me lembra a época do colégio quando os
professores brigavam comigo, e o nome todo me lembra da minha mãe brigando comigo.
- revirou os olhos- Então Jake está de bom tamanho.
-Se
prefere assim... - tamborilei meus dedos sobre a mesa.- Por que resolveu falar
comigo?- aquilo era algo que havia me deixado com certa curiosidade.
- Passo.
- foi o que ele disse sorrindo brevemente de lado.
- Por
que não fala com os outros então?- perguntei meio impaciente com aquela
naturalidade que ele passava como se não estivesse nem ai se o mundo
explodisse.
O olhar
que me foi lançado deixava claro que eu não deveria seguir insistindo naquele
assunto. Então pela segunda vez eu suspirei pesadamente. Hesitei por um segundo
antes de tentar fazer uma perguntar que me levaria a um ponto crucial. O porquê
de Jake está aqui.
- Você é um adepto da traição em relacionamentos, Maison? – eu não soube como minha voz
soou tão irônica e provocativa.
- Prefiro acreditar na fidelidade. – afirmou e adotou uma
expressão confusa quando sua cabeça pendeu levemente para o lado – Por quê?
- Seu arquivo diz que sua namorada vinha desde a infância.
Jake Maison
soltou uma risada fria e sem vida, porém contida. Nada que se parecesse com um
assassino cruel de um filme de terror. Talvez ele só estivesse rindo do modo
como cheguei finalmente naquele assunto. No assunto que eu tanto buscava. Pelo
menos era o que eu queria pensar. E fiquei aliviada quando as palavras
seguintes dele confirmaram minha suspeita.
- Sabia que você ia acabar chegando aqui. – Maison balançou a cabeça, em negação.
- E qual seria meu propósito se não esse? – soltei um sorriso esperto e vitorioso
– Ora, vamos, Jake! Por favor.
Maison levou as mãos até seus cabelos
curtos e embrenhou seus dedos por ali. Quando um suspiro pesado escapou de seus
pulmões, ele voltou a baixar as mãos, fazendo com que a casual rebeldia de seus
cabelos lhe deixasse com um ar muito mais atrativo do que de costume. Eu quis
saber como é que podia prestar atenção em um detalhe desses quando tinha uma
conversa muito mais importante acontecendo por ali.
Jake apenas sorriu irônico e frio, balançando a cabeça em negação. A ansiedade cresceu enquanto ela esperava pelo próximo passo de seu paciente
Jake apenas sorriu irônico e frio, balançando a cabeça em negação. A ansiedade cresceu enquanto ela esperava pelo próximo passo de seu paciente
- Veja você, doutora, o tipo de relação em
que eu estava metido naquela época. Meu pai e o pai dela são sócios desde antes
mesmo de termos nascidos. Então fomos criados juntos, crescemos juntos,
amadurecemos juntos. Antes que me desse conta, ela e eu estávamos namorando
desde... Bem, desde sempre. – Maison
abriu outro sorriso triste – Mas quando chegou à época de colegial e nós
começamos a conhecer outras pessoas bem mais interessantes do que nós mesmos, a
relação entrou em colapso, obviamente. Descobri que ela andava se encontrando
às escondidas com outro sujeito pelas salas vazias.
- Então ela começou a te trair?
- Sim
- E o que você fez?
- Fiquei meio triste mais não me importei muito de fato– Maison deu de ombros casualmente.
- Sobre o que discutiam na noite em que ela foi morta?
- Sobre o tal cara com quem ela andava se encontrando.
- Por quê? – franzi
as sobrancelhas – Ciúmes? – arrisquei.
- Não! – Maison
negou prontamente, quase sorrindo, como se ela tivesse dito a maior besteira do
mundo – Eu estava muito mais preocupado com a minha reputação que andava
manchada porque ela não conseguia mais ser discreta sobre o que fazia com ele.
Fama de traído era a última coisa que eu precisava se quisesse continuar
bancando o senhor conquistador
- O que aconteceu, então?
- Eu não a matei.
– Maison afirmou, convictamente.
Tão convicto que acreditei quase que
de imediato. Ele tinha um grande poder de persuasão, eu tinha que admitir. –Eu
não teria coragem de fazer isso com ela.
Ainda fico mal por saber que ela foi embora daquela maneira tão brutal.
Ela não merecia aquilo.
Fiquei pensativa por
longos minutos, sem desgrudar seus olhos dos dele, apenas assimilando tudo o
que ele havia dito até agora. Cada uma das expressões sofridas em seus traços
perfeitos a confundiam. Estava tentando lutar contra a voz que gritava na sua
cabeça que a inocência de Jake Maison,
talvez, pudesse ser verdadeira.
Mas não era possível, era?
Mas não era possível, era?
- Você não acredita em mim, não é mesmo? – foi à voz de Maison que voltou a soar me tirando de
meus devaneios. Ele sorria triste de um modo decepcionado, não frio, como
transparecia antes.
- Eu... – falei,
vendo que sua voz não tinha força necessária – Eu acho melhor... Encerrarmos
por hoje. – e comecei a juntar as folhas do arquivo dele que estavam sobre a
mesa ao invés de voltar a fitá-lo.
Não vi quando ele acenou com a cabeça,
adotando a expressão de decepção mais intensa desde que viera parar ali e então
se levantou da cadeira.
- Eu ainda vou fazer você acreditar em mim! – foi à última
coisa que Jake me disse antes de
ser arrastado para fora do consultório pelo guarda.
Levantei a cabeça a tempo de ver o último vestígio
de tristeza em seu rosto misterioso, que no segundo seguinte já havia sumido.
Tudo o que eu
tinha certeza naquele momento era do quanto odiava ter uma pergunta martelando
em minha cabeça, incomodando, como uma pedra no sapato. “Será que ele não matou
a ex-namorada?”
Era tudo o conseguia pensar desde que Jake
se fora. Nem percebi o tempo passar.
Capitulo 2-
Depois do meu primeiro dia na clinica, um dia que posso
considerar muito lucrativo já que fiz o Jake falar um pouco apesar de ainda
estar meio intrigada pelo fato dele não ter me dito tudo o que devia, eu estava
indo para casa de carona com o Dylan, ele estava meio diferente, quieto sem
dizer apenas uma palavra, quando de repente ele diz:
- Soube que você é a nova médica do Jake... Sabe isso é uma péssima idéia, esse cara é
- Soube que você é a nova médica do Jake... Sabe isso é uma péssima idéia, esse cara é
meio conturbado,
você já deve ter percebido isso.
- Na verdade acho que ele não é
como vocês o descrevem.
- NÃO É O QUE? UM ASSASSINO? SIM
ELE É EU O CONHECIA E CONHECIA A MENINA QUE FOI MORTA POR ELE. - gritou ele
repentinamente, deixando-me surpresa.
- Ainda não foi comprovado que
foi ele, como você pode ter tanta certeza, além do mais ele é meu paciente e eu
vou continuar a ajuda-ló, não importa o que diga.
Foi então que percebi que já havíamos chegado a nosso prédio e então disse rapidamente.
Foi então que percebi que já havíamos chegado a nosso prédio e então disse rapidamente.
- Obrigada e boa noite.
-Não fica chateada comigo, por
favor, eu só não quero que nada de ruim aconteça com você.
- Não estou, mas tenho que ir.
Boa noite.
- Vem jantar comigo então. Você
aceita?
Aceitei para ele não
pensar que eu estava irritada, fomos a um restaurante chinês e tenho que
admitir que foi uma noite muito agradável, conversamos e rimos bastante e o
melhor é que em nenhum momento ele me disse nada que lembrasse o Jake e essa
foi a única vez no dia em que consegui esquecê-lo, mas naquela mesma noite tive
um sonho com o mesmo. No meu sonho tudo se passava em uma noite que tudo tinha
para ser perfeito, com uma festa, mas que por fim acabou em um assassinato que
abalou a cidade, o assassinato da pobre Megan, a ex-namorada do Jake, e lá
estava ele esfaqueando a pobre menina até que os últimos vestígios de vida de
seu corpo não tivesse, mas ao que se agarrar. Foi quando acordei e passei as
ultimas horas que eu tinha livre, ponderando o fato de acreditar ou não na
inocência do Jake.
Quando vi que não podia mais me
apegar a tais pensamentos, me levantei e fui ao trabalho, na esperança de poder
vê-lo, apesar de sua sessão não estar agendada para hoje.
Acabei
chegando ao trabalho mais cedo aquele dia, e agora caminha distraidamente pelos
jardins do St. Marcus Institute. Até que o avistei, Jake Maison. Ele caminhou
calmamente na minha direção e paralisei sem saber exatamente o que fazer
naquele momento. Pensei em recuar, mas quando dei por mim já estava falando:
- Tudo bem com você? – perguntei
sem muita certeza.
- Por que não haveria de estar? –
fez pouco caso.
Cocei a nuca incerta, pensando em
mais algo para falar.
- Me disseram que você teve uma
crise.- afundei minhas mãos nos bolsos frontais do jaleco que usava.
- Isso não é da sua conta. – Bom,
eu não esperava esta reação da parte dele, mas resolvi insistir.
- Mas é claro que é. – fiz um
gesto afirmativo com a cabeça.- É da minha conta sim.
Pois sei que
você não sai por ai falando com qualquer um sobre a ex-namorada que matou.
- Você não me conhece doutora.
Melhor medir as suas palavras.- disse seco.
-Tem razão, não conheço, mas eu
quero. E quero te ajudar.- um tom de suplico soou da minha voz.
- Não preciso da sua ajuda.-
cuspiu Jake com indiferença.
- Está sendo covarde Maison.-
balancei a cabeça em reprovação- Não esperava isso de você.
Tive certeza
que não devia ter aberto a minha boca quando senti meu corpo se chocar de
maneira brusca no tronco de um carvalho que existia ali. Foi tudo tão rápido
que mal pude processar o que estava acontecendo. Jake olhou-me nos olhos que um
jeito que me fez sentir medo antes de falar:
- Sua opinião não me importa.
Você não significa nada para mim, então o simples fato de quebrar o seu pescoço
agora não me afetaria em nada.-levantou sua mão fria e a colocou sobre o meu
pescoço, apertando-o de uma forma cruelmente leve. Senti o desespero apossar-se
do meu corpo. Fiquei pálida e respirava rapidamente- Seria mais fácil que
quebrar uma galho seco.- concluiu e afastou-se com grande rapidez, que não foi
voluntaria.
Ele foi puxado
por Dylan que encarregou de lhe empregar um soco forte em seu olho direto. Logo
após, Jake foi levado por alguns seguranças enquanto eu tentava me acalmar de
alguma forma.
Mas tarde fui levada para a
recepção do lugar, onde bebi um copo de água com açúcar e finalmente pude sair
do estado de choque no qual me encontrava. Dylan só sabia falar no meu ouvido
sobre como o Jake era perigoso, em como eu não deveria confiar nele e disse até
que era mais propicio que nós nos afastássemos, assim terminando as nossas
sessões. Mas ele estava muito enganado e pensando que eu desistiria assim tão
fácil. Eu iria naquela história até o fim. Iria descobrir tudo o que realmente aconteceu.
Depois do acontecido, fiquei com
o resto do dia de folga, para recuperar-me. Então sem muitas opções, optei por
ir a minha casa e chegando lá até que tentei relaxar ,mas minha cabeça me
contrariava e a todo momento martela na mesma questão. Será que Jake Maison
matou mesmo a ex-namorada?
Aquela duvida
estava me consumindo , então decidi tomar um banho dormir, pois me parecia que
este era o único jeito no qual eu descansaria verdadeiramente.
O dia amanheceu e acordei
sentindo-me renovada. Rapidamente me arrumei e então eu celular soou. Era o
Dylan, avisando-me que estava me
esperando no estacionamento do prédio para me levar ao trabalho. Segui até lá o encontrei e sorri ao entrar no
carro e encarar o seu rosto de traços suaves.
- Bom dia.- ajeitei uma mecha de
cabelo atrás da minha orelha.- Tudo bem?
- Queria muito dizer que sim.- em
seu rosto se formou uma expressão indecifrável.
- O que aconteceu?- perguntei
preocupada.
- Ontem a noite ocorreu um
incêndio no St. Marcus- ele fitava o horizonte, como um forma de retardar o que
vinha a seguir. – Alguns pacientes fugiram - virou seu rosto em minha direção e
terminou a frase.- Jake Maison fugiu.
Não sabia o
que sentir com esta noticia. Talvez devesse sentir medo, mas não isso o que se
ocorreu. Na verdade, senti uma sensação de alivio por não ter que me encontra
com ele novamente. Acho que eu não saberia como agir.
- Ninguém sabe, mas há indícios
de que se iniciou justamente no quarto do Maison. – ele me fitava, talvez
esperando uma reação de surpresa da minha parte. Mas isso não aconteceu.
- Ah sim.- suspirei e ajeitei-me
na cadeira do carro.- E os consultórios? Foram atingidos?
- Não, e antes que me pergunte-
fez uma pausa e revirou os olhos. Soltei uma risada abafada. - Sim, temos
plenas condições de trabalhar.
- Então o que estamos esperando?-
perguntei em um tom brincalhão.
Dylan fez
sinal de continência e fomos ao St.
Marcus. Chegando lá, pudemos perceber logo de primeira que uma pequena parte do
lugar estava isolada por faixas amarelas. Passei o resto do dia normalmente,
atendendo os meus pacientes.
Como ontem eu tinha saído mais cedo, hoje tive que ficar até
mais tarde, deste modo no final do dia quando larguei o expediente recusei a
carona do Dylan, achando melhor ir andando.
Eu
caminhava apressadamente até o prédio em que eu morava com a intenção de chegar
lá o mais rápido possível, o único barulho que eu ouvia era o do meu salto e
seu contato com o chão que estava molhado devido a chuva que estava caindo. Ao
analisar o meu redor pude perceber as arvores que se localizavam ali se
movimentando bruscamente por conta do vento forte e frio que pairava na rua.
Logo senti a
brisa em minha pele gerando um leve arrepio, nesse momento tive uma sensação
estranha, aqueles que meus pacientes com esquizofrenia me descreviam, aquela
sensação de estar sento seguida, vigiada.
Acelerei meus
passos, a cada segundo que passava a sensação aumentava juntamente com o meu
desespero, olho ao redor e não vejo nada alem da escuridão daquela rua sombria,
com seus estabelecimentos fechados e apenas um poste de luz aceso, infelizmente
o mesmo se encontrava em más condições tendo sua luz piscando de segundo em
segundo.
Em um súbito
de adrenalina fiz algo que nunca imaginei fazer em uma ocasião como esta,
repentinamente virei pata trás. E me vi encarando apenas a rua analisada
anteriormente, sem ninguém alem da mim. Nesse momento soltei um suspiro de
alivio decidindo assim seguir meu caminho, foi ai que me deparei com o que me
assombrava.
Era ele o
Jake. Deixei escapar um grito pelo susto que levei erguendo a minha mão e
apoiando-a sobre o meu peito, onde pude sentir o meu coração bater
aceleradamente. Dei um passo para trás ainda meio perdida e agora
necessariamente muito confusa.
- Jake?- minha voz falhou ao
pronunciar o seu nome, foi quase que um sussurro.
- Amy – aproximou-se , e a cada
passo que ele dava para frente, eu dava para trás.-
Calma, eu não
vou te fazer mal.- havia sinceridade em voz de certa forma, isso me acalmou. O
que não deveria ter acontecido, pois ele poderia muito bem estar mentindo e
tentando me enganar.
- O que você quer?- perguntei.
- Te explicar o que realmente
aconteceu. - Eu deveria sair correndo agora, mas minha curiosidade era maior
que o medo. Olhei firmemente o incentivando a continuar. - Com já lhe disse,
não matei a Megan.
-E eu acredito em você. –o
interrompi e ele esboçou um sorriso.- Sabe quem o fez?
- Sim.
- Quem foi? Por favor diga-me.
- Sim, eu estava implorando. Já não
queria nem pensar como aquela atitude poderia parecer tão ridícula da minha
parte.
Jake respirou fundo, olhou para
os lados e chegou mas perto de mim, só que desta fez não recuei. Seu propósito
parecia ser com que fosse mantido sigilo sobre o que iria falar.
- Dylan. Dylan Strawell.
Mas o que ele estava falando? O
Dylan? Matar uma pessoa? Isso era impossível.
- Você só pode estar brincando. –
falei com resquícios de risada em minha voz.- Poupe-me, ele nunca faria uma
coisa destas.
- Tem certeza? E se eu te
dissesse que foi ele com quem a Megan estava me traindo?
Que a matou por que era óbvio que
o principal suspeito seria eu?
Fiquei em
silencio, ainda estava assimilando todas aquelas novas informações que me eram
ditas. Então era por isso que o Dylan queria que eu me afastasse do Jake, para
que eu não descobrisse a verdade. Mas eu ainda tinha as minhas duvidas.
- Por que colocou fogo no St.
Marcus?
- Pensei que fosse mais
inteligente doutora. – disse com ironia.-
Por que eu colocaria
fogo no meu próprio quarto?
Sinto-me ofendido por achar que eu seria tão controlado pela insanidade para
atentar contra a minha própria vida. Foi o próprio Dylan quem o fez. Não percebe?
Ele não queria que você soubesse, pois desta forma...
- Eu seria a próxima. - terminei
a frase por ele
Neste momento
um carro conhecido por mim veio rapidamente em nossa direção, e quando chegou
bem próximo freiou. De dentro dele saiu o Dylan que parecia emocionalmente
transtornado, neste momento o Jake puxou-me para trás de si com o intuito de me
proteger.
- O que você está fazendo aqui
com ele?- apontou para Jake. - Tinha me dito que iria voltar para casa sozinha.
- Sai daqui Strawell. Você não vai fazer nada com ela, eu já
deixei isso acontecer uma vez. Agora não irá se repetir.- senti uma ponta de
raiva e magoa em sua voz.
-
E o que você pode fazer contra mim? – sua risada soou um tanto quanto
assustadora.
Ele
colocou a mão no bolso da calça tirano de lá uma arma. - Sai da frente.- disse
impaciente.
Nunca pensei que isso realmente poderia estar
acontecendo. Tudo o que eu pensava ser o correto estava se distorcendo. Meu
sangue gelou, senti um arrepio na espinha. Dylan planejava me matar desde o
começo. Era dele quem eu deveria sentir medo, era dele de quem eu deveria me afastar.
Instintivamente meus músculos enrijeceram e fiquei para trás do Jake, sem
expressar nem uma reação, somente escutando e esperando ver como tudo isso iria
terminar.
-
Acha mesmo que vou fazer isso?- arqueou as sobrancelhas
-
Se prefere assim. - deu de ombros. - Matarei logo os dois de uma vez- Sim,
agora eu tinha certeza, o Dylan era psicologicamente perturbado.
Maison
virou a cabeça para o lado de sussurrou baixo para que somente eu pudesse
ouvir: “Abaixe-se” e me impulsionou para baixo quando escutei um disparo e pulo
para o lado. Quando ergui minha cabeça para ver o que esta acontecendo, só tive
tempo de observar Jake acertando Dylan.
Dylan
de cheio fazendo que ele ficasse meio que perdido e deixasse cair à arma no
chão.
Rapidamente pegou o revolver e quando ia novamente
disparar contra Jake, o mesmo abaixou-se segurou o braço dele virando-o para a
sua própria direção. Soltei um grito, horrorizada com aquela cena que
certamente ficaria para sempre guardada em minha mente.
Mesmo sabendo que Dylan era emocionalmente
desequilibrado não queria que tivesse aquele fim. Percebendo o estado em que eu
me encontrava Jake disse suavemente.
-
Está tudo bem agora. - abraçou-me – Se não fosse ele, seria eu e você.
Intensifiquei
o abraço percebendo que as lagrimas que rolavam no meu rosto agora molhavam a
blusa dele. Não disse nada, apenas continuei ali.
-
Vem, vamos para a sua casa.
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