sexta-feira, 10 de agosto de 2012

As escuras lembranças de Vermont - Caliana, Luiza e Andreza 1ºC

Caliana, Luiza e Andreza
1ºC

Tórridas lembranças relutavam em reaparecer nos seus pensamentos, distraída olhando pela janela da carruagem que a levaria para a sua nova morada, suas madeixas douradas eram chicoteadas pela brisa suave que ali estava presente. E as lembranças apareceram, seus pais a olhando firmemente quando deram a noticia de que se casaria com um homem de oitenta e cinco anos, que era proprietário de muitas terras e que financiava grandes navegações para as índias sendo um dos nobres que possuía maior poder aquisitivo da costa europeia. Seus olhos se arregalaram numa expressão apavorante e se tornou mais nítida a juventude de seu formoso rosto de apenas dezesseis anos. Depois de recebida a noticia pensara ela em se suicidar ou até mudar-se para um convento, a segunda opção era mais reconfortante, arrumara as malas e se preparara para rumar-se ao convento escondida na calada da noite, seus pensamentos foram interrompidos por uma voz suave:

Cocheiro – Mileide Sanchez chegamos à cidade de Vermont.

Logo avistei as lindas ruas calçadas, uma pequena praça no centro da cidadezinha e casas monumentais construídas pelo requinte de nobres e burgueses, a carruagem ia rumo ao castelo que ao contrario das modernas arquiteturas ali presente, era um clássico que alimentava a graciosa vista daquele lugarzinho, o meu olhar abrangia tudo que podia daquele local, quando foi rumo ao encontro de um belo homem que me fitava, estava vestido com um fraque preto e uma cartola, seus olhos verdes esmeralda li proporcionava um ar de sedutor, o modo como sorria passava a impressão de um homem gentil e decidido, suas golas bem alinhadas designavam que sua personalidade era recheada com inteligência e experiência, depois de desviar o olhar observei que a carruagem já havia chegado ao meu castelo.

Cocheiro – Mileide Sanchez pegarei suas malas e as colocarei no quarto.

Mileide Sanchez – agradecida deve estar cansado, depois de levar as malas vá descansar, isto é uma ordem, retruquei e soltei um doce sorriso.

Logo transpassei a porta do imenso castelo, a governanta veio me cumprimentar, eu a observava minuciosamente, sua face era comprometida por um imenso ar de cansaço que parecia ter lhe acumulado ao decorrer de sua vida, seus cabelos eram brancos e seu olhar vago como o de alguém que já não espera nada de bom que a vida o traga, ela se apresentou como sinhá Leopoldina:

Sinhá Leopoldina: sou sua criada mileide, estou as suas ordens.

Mileide Sanchez: muito obrigada Leopoldina agora irei me deitar

Deitei-me sobre a cama e como um ato inconsciente as memorias novamente me tomaram, lembrei-me da minha fuga mal sucedida ao convento. Depois de ter sido pega por um dos mordomos do meu pai, dois dias depois fui obrigada a subir ao altar, o casamento foi adiantado por conta da minha fuga desesperadora, em prantos olhava para o rosto enrugado do velho, que um ano depois veio a orbito, e ali estava eu uma viúva de imensa fortuna que decidira morar em Vermont, a escuridão da noite me invadira e dessa forma eu me submeto ao sono.

Amanhecera e o céu estava esplendidamente lindo com pequenas nuvens desenhadas acima de um imenso sol dourado, informei ao meu mordomo que preparasse a carruagem, pois sairia, gostaria de conhecer melhor a cidade.

Cocheiro – Mileide esta tudo em perfeita ordem já podemos partir. A carruagem desapareceu no breu da estrada, quando cheguei à praça da cidade eu solicitei que parasse, desci da carruagem e pedi para que voltasse daqui a mais ou menos uma hora, decidi entrar em uma confeitaria para tomar um chá levei a pequena xicara aos meus lábios rosados, o liquido tinha um gosto adocicado um tanto leve e requintado, minha degustação foi interrompida por um homem de verdes olhos penetrante.

Don Alejandro – seria um ultraje se deixasse uma dama de sorriso tão delicado e olhos tão intensos, desacompanhada.

Acabei envolvida com tantos elogios que soltei um belo sorriso, ele sentou ao meu lado e pediu que trouxessem um chá.

Don Alejandro – hora perdoe-me por não me apresentar, me chamo Don Alejandro.

Mileide - Me chamo mileide Sanchez de Motié. Aqueles olhos não me eram estranhos e logo me recordo que era o homem de fraque e cartola preta que havia visto no dia anterior, em seguida começamos a conversar e ele me envolveu de tal formacom suas belas palavras e sua imensa inteligência que sentir-mereconfortada e compreendidapela primeira vez, ele havia ganhado minha total confiança em poucos segundos, contei-lhe sobre o meu casamento forçado, sobre as riquezas que havia herdadoe de como o meu falecido marido me tratava mal, e descobri que compartilhávamos gostos semelhantes, liamos os mesmos romances, tocávamospiano, o tempo passou tão rapidamente igualmente a um piscar de cílios e tive que me retirar, depois de nos despedirmos fui convidada para um piquenique na floresta, ele me apanharia cedinho ,hesitei por um momento mas aceitei a proposta, ele abriu a porta da confeitaria para que eu saísse primeiro, um perfeito ato de cavalheirismo, entrei  na carruagem radiante, uma confusa mistura de sentimentos bombardeou meu coração estava alegre e encantada, a melhor palavra a se encaixar é felicidade fazia muito tempo que não há sentia.

Entrei no castelo saltitante e me dirigi à cozinha lá encontrei Leopoldina, a cumprimenteiela perguntou se eu queria algo para comer que ela prepararia, responde que não, mas fui tomada por uma imensa curiosidade de saber mais sobre o cavalheiro que conheci apesar da nossa longa conversa eu sabia muito pouco sobre ele assim perguntei.

- sinhá Leopoldina tu já escutastes falar ou até conheceste Don Alejandro um homem alto de olhos verdes cabelos negros?

Tive a súbita impressão de que ela ficou assustada quando mencionei o nome do belo homem, virou-se de costas para mim e disse:

Sinhá Leopoldina- Não Mileide nunca escutei, mal saio desse castelo não conheço quase ninguém.

Quando se virou para mim estava com a face pálida e os olhos um pouco marejados de lagrimas, logo deduzi que sua reação só podia ser daquela forma, pois quase nunca saíra daquele castelo devia estar cansada sobrecarregada, fatigada. Então resolvi a convidar para participar do piquenique e disse que ela deveria se divertir, pois trabalhava muito, Leopoldina aceitou, e fui tomada por uma enorme esperança de trazer vida para aqueles olhos mortos, que parecia ser coberto de infelizes lembranças de um passado perturbado. Amanheceu rapidamente, pois no verão as noites são mais curtas, o sol brilhava acima das montanhas, o dia estava fresco e com um leve aroma de rosas, e eu me sentia excessivamente feliz, quando desci o primeiro lance de escada passei no quarto da sinhá Leopoldina , ela também já estava preparada, logo Don Alejandro chegou, informei a ele que havia convidado uma amiga para nos acompanhar, ele sorriu cordialmente e disse que estava muito curioso para conhecê-la. Leopoldina desceu as escadas eu a tomei pela mão e a apresentei para Alejandro, ele a cumprimentou ela retribuiu seus comprimentos, ambos pareciam perturbados, os dois exibiam um olhar de diferentes sentimentos, a sinhá o olhava transmitindo pena e saudade, e ele a olhava parecendo estar carregado de ódio e ressentimento, não entende bem o que se passava talvez  eu é que estivesse tendo impressões erradas, mais fiquei contente dele a cumprimentar, pois atualmente havia uma grande diferença hierárquica, nunca adotei essa ideologia ao contrario dos meus pais que exibiam seu poder submetendo os servos a constantes humilhações, prometi a mim mesma que nunca seria igual a eles.

Dirigimo-nos a floresta, fomos caminhando, ao chegarmos preparamos o local onde iriamos nos sentar, logo começamos a degustar tudo que havíamos levado, eu e Don conversávamos muito ele já não apresentava o mesmo olhar de ódio e ressentimento, Leopoldina permanecia calada mas em uma hora ou outra apresentava um sorriso forçado e permanecia com o mesmo olhar de minutos atrás , quando terminamos Alejandro nos acompanhou até o castelo, me  despedi do gentil homem , quando transpassei a porta do  burgo ele esticou levemente o meu braço eu virei e o fitei , ele me deu uma rosa branca e disse:

Don Alejandro – tua alma é tão pura e tão delicada quanto ela. Concederia-me a honra de ser minha acompanhante no baile de mascaras que ocorrerá no palácio do burguês Gaspar?

Minha alma foi preenchida por um imenso sentimento de amor, eu estava completamente rendida pelo jeito encantador e misterioso daquele lindo homem. Os dias passavam rapidamente cobertos pela alegria das flores que surgiam, a primavera havia chegado e com ela o majestoso baile. Aquela noite estava coberta por refrescantes brisas, o céu estava estrelado, e eu já estava pronta, com um lindo vestido azul e grande azas branca, havia me caracterizado de anjo, encomendei uma linda mascara vinda de paris era branca e ao redor dos olhos dourada.

Sinhá Leopoldina- Don Alejandro chegou Mileide Sanchez. Descias escadas Alejandro tomou- me pelo braço e me guiou até a carruagem, ele estava divinamente lindo, uma mascara negra cobria o teu rosto, seria impossível de o conhecer a não ser pelos seus lindos olhos verde esmeralda. Quando chegamos ao baile todos os cumprimentavam paramos perto das estatuas que embelezavam  aquele imenso palácio, então ele me disse que precisava falar com um amigo e pediu para que eu o esperasse ali.

Horas se passavame Alejandro  não voltou resolvi ir para casa, transpassei a porta do palácio e olhei para trás tomada por uma imensa duvida se ficava ou partia, senti alguém puxando meu braço bruscamente, esse alguém me levava em direção a floresta fiquei apavorada tentei gritar mais  ninguém me escutava, esse alguém era um homem ,pois podia sentir a força dos seus braços esbofeteando meu rosto, apesar de estar escuro pude ver atrás da mascara apenas seus cativantes olhos verde esmeralda.

Por um longo período de tempo continuei a ser esbofeteada, tentei manter minhas mãos firmes ao chão para tentar me levantar quando toquei em uma enorme pedra, reuni todas as minhas forças e a segurei firme e rumei contra teu rosto, ele ficou atordoado aproveitei este momento e corri o mais depressa que pude floresta adentro, parei um momentoe retomei o folego me apoiando em uma grande arvore, escutei passos rápidos vindo em minha direção e continuei a correr. Quando vi os portões do castelo fui tomada por um alivio imediato e já não escutava passos atrás de mim, transpassei o portão abri as enormes portas e subi rumo ao meu quarto. A sinháLeopoldina  viu que eu havia chegado e foi em direção ao meu quarto para ver se eu precisava de algo.

Sinhá Leopoldina- chegou cedo Mileide Sanchez, quando ela levantou o olhar e viu meu rosto foi tomada por uma expressão horrorizada.

Sinhá Leopoldina- hoo céus, meu deus o que houve?

Contei a ela tudo o que havia sucedido e apesar de tudo acontecer tão rapidamente suspeitava de alguém, ou melhor, uma parte de mim suspeitava a outra a amava. Quando mencionei o nome do suspeito esperava que elaapresentasse surpresa, mas não foi essa a expressão que a invadira, a sinhá   começou a me contar varias historias de casos como o meu , que haviam  acontecido em Vermont , de mulheres que haviam sido violentadas e espancadas depois mortas por um psicopata que estava a solta fazia dois anos, cometendo aquelas atrocidades, ela também me revelou naquela noite sombria que conhecia Don Alejandro, pois morava próximo a suas casa no mesmo feudo, e era  melhor amiga da mãe dele, segredos obscuros foram revelados naquela conturbada noite.

Sinhá Leopoldina- Mileide, Don foi violentado pelo seu próprio pai durante toda a sua infância, além de ser espancado e humilhado. E sua mãe, pobre coitada também sofria o marido a espancava constantemente, na adolescência Alejandro resolveu ir embora, apesar da sua mãe não ter culpa ele guardava um imenso ódio dela, depois de muito tempoAlejandro voltou como um homem rico, sua mãerevelou-me antes de morrer que ele foi pro oriente e matou um homem com grande poder aquisitivo, tomou seu titulo e sua fortuna, quando o vi não o reconheci aquele frágil menino se tornou um homem cruel, um psicopata! Tenho vergonha por sua própria mãe, posso lhe afirma Sanchez que ela não contribuiu para Alejandro se tornar o monstro que se tornou, e a sinhá começou a chorar, um lamento agoniado e desesperado, eu a abracei e ficamos ali  por longos minutos, perguntei a ela onde se encontrava o pai dele, ela disse que havia morrido dois anos depois  que Don partira. Encarando-me com os seus imensos olhos vagos ela suplicou para que eu partisse, pois ele voltaria para me matar.

Passaram-se duas semanas e o alienado não deu sinal de vida, resolvi ir a igreja rezar por ele, pois apesar de odiá-lo ainda restavam respingos de pena e amor no meu coração, para onde quer que eu fosse à sinhá me acompanhava.

Certa noite a qual estava coberta por um vento frio, depois de ler um dos meus inúmeros romances e tocar um pouco de piano resolvi me deitar, me despedi de Leopoldina que havia ficado na sala fazendo tricô, entrei no quarto e fechei as janelas, pois o vento frio impedia que a vela continuasse acesa, depois acendi todas as lamparinas, quando fui interrompida por uma voz grave e sarcástica.

Don Alejandro- Boa noite Sanchez, espero que tenha sentido minha falta querida, Minha face ficou embranquecida tanto quanto um papel.

Don Alejandro- me concederia uma dança?

Sanchez- saia daqui agora! Berrava e gritava

Don Alejandro-por favor, queridafale mais baixo, não gosto que grite comigo, agora venha vamos dançar. Tomou-me pelo braço e começou a cantarolar uma valsa lenta , eu o implorava para que parasse então ele disse:

Don Alejandro- psiu, fique quieta amor, aproveite atesdeu lhe matar, o grande problema da vida é que as pessoas não sabem aproveitaros belos momentos, mas tem pessoas que nem belos momentos têm na vida, então pare de reclamar!

Em fim Leopoldina apareceu na porta, e soltou uma frase que se difundiu no vácuo do imenso castelo.

Sinhá Leopoldina-por favor, filho pare com isso!

Sanchez- como assim? Você é a mãe dele! Berrei tomada por um imenso espanto.

 Sinhá Leopoldina- sim ele é o meu filho, Alejandro como pode se tornar isso?

Alejandro- cale-se mãequem é você para falar assim, nunca me defendeu dosabusos que eu sofria.

Sinhá Leopoldina- pare de mentir eu sempre o defendi e sofria também por isso.

Alejandro- bom vejamos Mileide, hoje vai ter plateia para prestigiar a sua morte, e ria um riso sarcástico.

Leopoldina suspendeu a espingarda e mirou para Don, - se não solta-la eu o matarei. Ele me soltou e eu corri para perto da sinhá, então ela disse com lagrimas nos olhos:

Leopoldina- eu o amo meu filho, mas terei que matar o monstro que foi despertado dentro de você e o tiro soou estrondoso.

Naquela noite não era o menino Alejandro que morrera, pois este já havia morrido, mas sim Don Alejandro, o homem alienado e sem sentimentos que havia se tornado, por fim vi os seus olhos verdes esmeralda se fecharem.

Um comentário:

  1. A história é muito interessante, além de possuir um conteúdo maduro! Excelente!!

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