Acabo de chegar de uma visita que fiz
a minha mãe, podia jurar que seu tumulo estava com tulipas vermelhas, (as
prediletas dela) quando olhei de relance, mais quando olhei de novo já não
estavam mais por lá. Isso pode ser consequência do desgaste que tenho sofrido
com a correria que venho enfrentando ultimamente. Minha mãe havia desenvolvido certo
câncer pulmonar devido aos frequentes maços de cigarro que fumava
constantemente. Porem quando cheguei em casa, tive a impressão de ter visto as
mesmas tulipas vermelhas em cima de uma mesinha de centro que ficava na sala de
visitas. Fui tentar pega-las, mais quando estava chegando bem perto, a
campainha toca, e eu vou atender.
- Tia... chegou
tarde, pensei que não viria mais fazer companhia à mim.
- Que é isso
querida?! Como eu iria deixar de vir aqui em um momento tão delicado para nossa
família?
- Vamos... não
acredito que tenho que mandar a senhora entrar?!
Minha tia Bruna não parecia se
preocupar tanto assim com a morte da minha mãe, mais parecia se importar
comigo. Ela entrou, sentou-se, e quando dei por mim e olhei novamente para a
mesinha de centro, as tulipas já não estavam mais lá. Admito, fiquei um
pouquinho assustada com aquelas flores, já era a segunda vez que eu as via.
- Duda, você já
comeu alguma coisa menina?
- Não tia, estou
sem fome.
- Você não pode
ir para a faculdade amanhã sem ter jantado nada... Espera um pouco, vou fazer
algo para comermos.
Enquanto minha tia se dirigiu até a
cozinha, eu fui tomar banho, estava meio incomodada com o cheiro que havia se
estabelecido em minha roupa quando cheguei do cemitério. Ao sair do banho, fui
até meu quarto e encima da minha cama estava o meu pijama predileto, um de
estampa de vaquinha, com capuz, e orelhas nele. Pensei que tivesse sido a tia
Bruna que tinha posto o pijama lá, então fui pergunta-la.
- Tia Bruna ...
- Oi Duda, que
pijaminha lindo, não sabia que tinha esse (risos) uma gracinha!
Fiquei meio indagada com aquilo, eu
não havia posto ele ali, minha tinha não sabia se quer de sua existência; tudo
bem, estava atordoada de mais para ficar me questionando quem havia colocado o
pijama na minha cama.
Comemos, eu e minha tia, sem muita
conversa, ela parecia querer me deixar descansada. As vezes sentia uma pontinha
de preocupação em seus olhares para mim; porem achei natural, ela deveria estar
realmente preocupada, sua irmã mais velha acabará de morrer e havia me deixado
só, uma “garota” de 23 anos cursando medicina. Talvez sua preocupação fosse
mais com os gastos que teria comigo do que com os meus sentimentos, e o vazio
deixado por minha mãe em meu peito.
Depois de tudo, fomos dormir, eu
fiquei no quarto da minha mãe, enquanto minha tinha foi dormir no meu quarto.
Quando deitava na cama da minha mãe, sei lá, me sentia mais protegida, sentia
sua presença ainda sobre mim, como se ela estivesse ali, comigo, o tempo todo.
Quando estava quase desabando em sono, com minhas pálpebras quase grudadas uma
na outra, senti uma leve pressão gelada em meu rosto, como um beijo... Porem
estava cansada de mais para abrir os olhos e ver oque estava acontecendo.
Naquela mesma noite ao dormir, tive
alguns sonhos, como lembranças antigas: Havia um pequeno bebê, e uma mulher
loira muito bonita a balançar seu bercinho. Então de repente um cara aparece
muito rude abre a porta vorazmente. Aparentava estar alcoolizado, e de repente
ele tira uma arma do seu bolso e ameaça a moça que se punha a pegar a criança
rapidamente em seus braços, e como um instinto materno protege o frágil bebê e
leva um tiro.
Acordei assustada e um pouco
eufórica, assim que abri os olhos pensei estar vendo a mesma mulher loira dos
meus sonhos em minha frente, ali parada, como se estivesse esperando que eu
acordasse. Esfreguei os olhos assustada e rapidamente; quando tornei a abri-los
a moça à qual tinha visto já não estava mais lá. Então me levantei, e assim que
cheguei até a cozinha minha tia Bruna estava lá com uma linda mesa de café da
manhã, já posta.
- Bom dia
Eduarda, como passou a noite?
Perguntou minha
tia a mim, com um tom de quem só havia perguntado mesmo por educação.
- Bem, obrigada
por perguntar!
Quando olhei para o relógio cucu que
estava na cozinha, vi que já passava do meio dia.
- Tia porque
você não me acordou antes? Eu estou mais que atrasada pra faculdade!
- Desculpa Duda,
mais eu não queria te acordar, você teve uma semana muito puxada, e mesmo com a
morte da Larissa, você continuou indo pra faculdade. Acabei de ligar para lá e
disse que você não estava em condições de ir. Vai ficar em casa descansando por
uma semana; acho que é o suficiente.
- A senhora está
de fato ficando maluca. Eu não posso faltar por uma semana, isso é loucura.
- Calma Duda, é
para o seu próprio bem.
Não conseguia acreditar que a Bruna
tinha feito aquilo, porem fui até o quarto da minha mãe e fiquei lá mexendo nas
coisas dela durante um bom tempo. Creio que devo ter olhado quase todos os
álbuns de fotos, coisa que eu nunca tinha feito antes, minha mãe não deixava,
costumava dizer que: no passado não se deve mexer. Até que certa foto me
intrigou... Eram 3 garotas sendo que duas delas pareciam ser gemias e a outra
apesar de não idêntica as duas era também super semelhante. No verso da fotografia
estava escrito:
Minhas lindas
filhas, Larissa, Lara e Bruna. 1965.
Demorei um pouco para entender oque
estava se passando ali, Larissa e Bruna eram minha mãe e tia, porem não sabia
quem era Lara, sei que era uma criança idêntica a minha mãe, acho que minha avó
devia ter escrito as palavras por traz da foto; eu não cheguei a conhece-la,
ela morreu pouco antes d’eu nascer. Intrigada com o que estava acontecendo, fui
perguntar a minha tia quem era essa Lara que se parecia tanto a minha mãe.
- Tia, quem é
essa criança da foto que se parece tanto com minha mãe?
Perguntei com um ar discursivo.
- Acho que já
está na hora de você saber toda a verdade.
Disse minha tia
Bruna.
- Duda,
sente-se, nós iremos ter uma conversa muito séria agora. Quando eu e sua mãe
éramos mais jovens tínhamos uma outra irmã. E sua mãe, tinha uma irmã gemia, se
chamava Lara, com o passar do tempo, nós crescemos como toda criança comum
cresce, as gemias se casaram respectivamente; porem Lara ficou gravida
primeiro, e você não sabe o quanto sua mãe queria ter uma filha, só que não
podia, sua mãe era estéreo. Vendo que a Lara estava gravida, Larissa não
suportou o fato de não poder ter filhos... (lagrimas)
Enquanto minha tia me contava aquela
história assombrosa, uma mulher, assustadoramente, apareceu de repente ou seu
lado. Era branca, loira, como a moça dos meus sonhos, só que mais velha e
estava com uma aparência um tanto cansada.
- Duda, sua mãe
é a Lara.
- OQUE? Como
assim? Não pode ser, isso é impossível! Como?
- A Larissa,
disse a seu marido que não poderia ter filhos, e pediu que ele matasse sua
gemia e seu marido, e pegasse você deles, enquanto sua mãe te punha para dormir
em um pequeno berço, o marido da Larissa chegou com uma arma já depois de matar
seu pai, entrou no quarto brutalmente; sua mãe como em um ato materno a tomou
nos braços e o seu ‘’pai’’ a matou com um único tiro na testa.
Eu estava em prantos, já desesperada,
enquanto aquela mulher dos meus sonhos estava ali a minha frente, como se
estivesse velando por mim todo o tempo, como se sempre estivesse ali ao meu
lado, ela já não me assustava mais, tinha uma aparência angelical, mais já não
se parecia em nada com minha ‘mãe’.
- Tia, quem é
essa mulher do seu lado?
Tia Bruna olhou pro lado desconfiada,
como quem procura uma pessoa no vazio.
- Oque? Duda,
não há ninguém ao meu lado!
Na hora eu soube. Era minha mãe, quem
tinha posto as flores no tumulo da irmã, quem tinha posto o meu pijama
predileto encima da cama, a moça dos meus sonhos, a mulher que havia morrido
para me proteger, quando eu pensei que estava sem ninguém ao meu lado, ela
estava lá.
De repente, então, veio em minha
direção, como quem pede um abraço, e se desfez em minha frente, como quem diz
ADEUS.
A história é bem interessante e criativa, a autora conseguiu abordar em seu conto fatos que estão em grandes repercussões na realidade, que são os problemas relacionados à maternidade!
ResponderExcluir