sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Sexta-feira 13 - João Felipe e Rafael Porto - 1ºB

João Felipe e Rafael Porto - 1ºB


    Era uma sexta feira normal, como qualquer outra. Eu, Alberto e Kulão (apelido para Kleber) saímos da escola por volta das cinco da tarde, direto para o clube social,e como de costume,pela orla do centro da cidade,falando com colegas que passavam comemorando o final de semana,todos com um ar de brincadeira.Foi quando eu notei a luz.

    Uma quadra antes do clube social, tinha uma casa de grandes proporções,mas que,ao que parece,o dono não teve dinheiro o suficiente para terminá-la ainda e largou a obra pelo meio,deixando apenas paredes sem reboco e os buracos onde deveria haver portas e janelas.Passamos como sempre,brincando,rindo,assoviando,mas algo dentro da casa me chamou atenção.

    Eu só consegui ver a coisa de relance,como se algo lá dentro houvesse refletido a luz da rua,e com a brincadeira já solta no ar,resolvi brincar um pouco para assustar Kulão,que sempre fora o mais assustado de toda a turma:

   -Ei,caras,acho que vi algo lá dentro.

   -Corta essa,não tem nada nessa casa,está vazia há tempos,já que essa obra nunca foi concluída e tals... - fala Alberto,descrente – mas vamos dar uma olhadinha,não vai tirar pedaço.

   -O que??Vocês querem entrar nessa casa?Quer dizer, gente,não deve ter nada aí,você estar vendo coisas,vamos logo para o clube – fala  Kulão,meio temeroso – além do mais,vocês sabem como fica minha mãe quando chego tarde em casa,vocês mesmo viram a confusão que deu aquele dia quando voltamos tarde da escola.

   -Relaxa cara,é só uma casa abandonada,o máximo que vamos encontrar aí é o Seu Jorge – (Seu Jorge é um morador de rua do centro)- vamos,vamos,quanto mais rápido formos,mais rápido vamos ao clube – termina Alberto,ao ver a expressão no rosto de Kulão.

    Pulamos a pequena mureta que cerca a casa,um aviso mais psicológico do que físico,já que não impedia ninguém de entrar lá.A casa era constantemente invadida por mendigos que não tinham onde passar a noite,e o cheiro de fezes e urina humana nos atingiu numa baforada nauseante.

    Ao passar da porta,tive uma sensação de que a temperatura caiu cerca de uns dez graus dentro da casa,algo não muito lógico,já que estávamos no verão,mas não dei importância a isso.Paro.Ouço o barulho de algo caindo,e um vulto sai correndo como que para salvar a vida de dentro da casa.Nós três,como em sincronia,pulamos para o lado assustados,mas ao vermos na claridade da rua,era apenas um gato.

   - Era só um gato idiota – fala Kulão,trêmulo – vamos logo para o clube gente,não tem realmente nada aqui.

   -Calma cara,mal chegamos no local,e você já está aí se borrando todo! – fala Alberto,às gargalhadas.

   -Não estou com medo nada,foi apenas um reflexo – fala um zangado Kulão.

   -Vamos caras,deixem de enrolação e vamos ver logo o que há nessa maldita casa!

    Seguimos,um pouco mais cautelosos,os três com as lanternas do celular a postos,vasculhando o sinal de qualquer objeto brilhante.Foi aí que as coisas realmente começaram a ficar estranhas.Estávamos no mesmo cômodo onde vi o objeto,aí o encontrei : algo parecido com um medalhão,bem lustroso,estava num caixa de veludo aberta no chão.Pego o estranho objeto,sentindo o peso,e avalio que aquilo parecia prata pura.O abro.Tem um papel nele em que está escrito:

    Você,se está vendo essa mensagem,entrou nos meus domínios,e leia com atenção o que irei lhe dizer,pois chegou aqui e tem duas opções : volte por onde você veio,estranho,e nada lhe acontecerá,mas se no fim de minha armadilha ao qual chamo de casa chegar,você terá algo que sempre sonhou em seu âmago.Muito bem estranho,minha mensagem eu deixei,mas o seu destino,está por sua conta e risco.”

   -Ei,caras,achei alguma coisa aqui,tem uma inscrição nele,parece desgastado,como se já estivesse aqui há algum tempo.

   -Sem chance,não pode estar há tanto tempo assim – fala Alberto – uma coisa assim,parecendo prata maciça,os mendigos já teriam achado há tempos.Sem falar nos viciados que às vezes usam esse lugar

   -Pode ser o que aquele gato derrubou,pensando bem,uma coisa desse tamanho não refletiria a luz tão forte como eu vi.Provavelmente o que eu vi refletindo foi aquele pedaço de papel alumínio no canto.

   -Tem razão – fala Alberto.

   -Pronto,consegui o que queria,cara,agora nós podemos finalmente ir pro clube social,não é?

   -Calma,Kulão,primeiro eu quero saber o que está escrito no papel – fala Alberto – a gente não pode ter vindo aqui para nada.

    Eles leram o que estava escrito no papel.Alberto votava em seguir em frente,mas Kulão queria voltar para fora da casa imediatamente.No final das contas,depois de muita discussão a até quase briga,ficou decidido que o Kulão iria nos acompanha,mas ele falou que se houvesse algo demais pra ele,os três voltariam.Eu e Alberto concordamos,pois esse era o único jeito de manter o grupo unido.

    Fomos em direção ao primeiro quarto do corredor que estava em nossa frente. Logo que abrimos, vimos o quarto totalmente vazio e com uma única cadeira com um outro bilhete em cima. Alberto pegou o bilhete e leu em voz alta:

“Se você está lendo esse segundo bilhete, é porque escolheu seguir em frente, de agora em diante não tem mais volta. Ao longo da casa, você irá descobrir 3 bilhetes como esse, e deverá se proteger do que irão dizer os bilhetes. E a primeira delas é agora: cuidado com seus pés, porque quase tudo que vem debaixo, te atinge ..”



   -Que brincadeira de mau gosto essa né gente ? Vamos acabar esse negócio aqui e voltar pra casa. Falou Kulão com o mesmo medo de sempre.

   Quando Kulão acabou de falar isso, porta do quarto bateu e se trancou sozinha, foi aí que todos perceberam que não era só uma brincadeira de mau gosto, era verdade.Começamos a ouvir barulhos vindo de debaixo de nossos pés, o chão começou a tremer e a rachar, foi então que começaram a surgir de vários buracos, insetos de todos os tipo, baratas, formigas, lagartos de várias formas e tamanhos. Não tínhamos pra onde correr, nós só tentamos matar o máximo de insetos possíveis, mas eram muitos. Eles começaram a subir em nossos corpos, entrar em nossas bocas, ouvidos e nariz.

   Passado um tempo, os insetos começaram a sair e voltar de onde vieram e desapareceram como uma mágica.

   -O que foi isso !? Vamos voltar pra casa, não quero mais ficar aqui. Disse Kulão desesperado.

   Mas o estranho era que não havia mais a porta de onde entramos, mas havia uma outra porta, exatamente na frente do lugar onde estava a outra.

    - Eu também não entro aí, só quero voltar pra casa, nem baba eu quero mais, estou morrendo de medo.

    -Calma Alberto, vamos só seguir em frente, é o único jeito de sairmos dessa maldita casa. Eu disse isso tentando esconder o medo que me possuía a cada minuto.

   Abrimos a porta e entramos em um outro quarto, onde havia uma outra cadeira com um outro bilhete. Peguei e, mais uma vez, li em voz alta:



   “Parabéns, conseguiram passar dos meus bichinhos de estimação. Mas agora terão de enfrentar uma coisa muito pior, a casa está ficando cada vez menor, então, eh melhor se protegerem, porque irão se molhar também ..”



  Aconteceu de novo, logo quando terminei de ler esse bilhete, começaram a acontecer coisas estranhas. O quarto começou a encolher, sim isso mesmo, a encolher. Do teto começou a jorrar água, água pra todos os lados. Chegou a um ponto que não dávamos mais pé,  foi quando eu gritei para Alberto:

  - Alberto !! O Kulão não sabe nadar, nó esquecemos disso, ele está do seu lado, mergulha e puxa ele !!!

  Alberto não pensou duas vezes, desceu e pegou Kulão. Ele já estava desacordado. Foi aí que a água começou a descer, a sair pelo chão e pela paredes, tornando Tudo seco de novo. Alberto e eu, vimos a porta na qual deveríamos entrar, só que antes de entrarmos, tentamos acordar Kulão fazendo o movimento de pressionar o tórax dele 3 vezes. Ele acordou cuspindo água e falando:

   - Eu só quero voltar pra casa, nada mais.

  - Calma irmão, só temos mais 1 desafio, vamos acabar com isso e voltar pra casa. Eu disse tentando acalma-lo.

   - Zano, venha ver esse bilhete, ele fala aqui que se passarmos podemos voltar pra casa ! Fala Alberto já do outro lado da porta.

   Eu e Kulão fomos, nele estava escrito:

  

“Bom, esse e o terceiro e último desafio, vocês mostraram coragem a enfrentar meu joguinho. Agora sua família irá literalmente, queimar em sua frente...”



  Falado isso, vimos as figuras de nossos pais e irmãos exatamente em nossa frente, tentamos agarra-los, mas um mão que saiu debaxo de terra nos agarrou, impossibilitando qualquer reação.

  - Paaai ! saia daí, eles vão te queimar !! Tentei avisar de qualquer jeito, mas ninguém me ouvia, nem a mim, nem a meus amigos.

   Foi aí que começou parte, nossos pais começaram a queimar diante nossos olhos, e o pior, não podíamos fazer nada em relação a isso. Eles gritando, pedindo ajuda, e nós chorando que nem bebês de 3 anos. Até que tudo de novo parou, e o que restou de nossos pais, um vento forte passou e levou tudo a para fora da janela que havia aparecido. Fora dela estava a orla de novo, tudo normal em nossa frente.
  Quando saímos, o meu celular que ainda funcionava, tocou, eram meu pai.
   - Pai, mãe, são vocês ? Eu amo muito vocês, te amo demais, já estou indo pra casa.

   - O que foi filho ?

   - Nada, eu só amo vocês demais !
   Nós 3 nos abraçamos e fomos cada um para sua casa rever sua família que por sorte, na tinha acontecido nada demais

3 comentários:

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  2. Ri muito com esse texto, quando vi que meu pai (Kulão) tava no meio não consegui parar de rir. Tinha que ser João Filipe.

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